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Palácio Nacional de Sintra (Paço Real ou Palácio da Vila) |
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Constituído por vários corpos edificados ao longo de sucessivas épocas,
é um dos mais importantes exemplares portugueses de arquitectura
realenga e por isso classificado de Monumento Nacional.
Este palácio tem origem provável num primitivo paço dos
walis mouros. Traça
actual proveniente de duas etapas de obras: a primeira, no reinado de D.
João I (séc. XV); a segunda, no reinado de D. Manuel I (séc. XVI).
Possui o maior conjunto de azulejos mudéjares do país. É dominado por
duas grandes chaminés geminadas que coroam a cozinha e constituem o "ex-libris"
de Sintra.
Morada: |
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Palácio
Nacional da Pena |
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Constitui o mais completo e notável exemplar de arquitectura portuguesa
do
Romantismo. Edificado a cerca de 500 metros de altitude, remonta a
1839, quando o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha
(1816-1885), adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da
Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou
o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera para
construir este notável edifício. Extremamente fantasiosa, a arquitectura
da Pena utiliza os "motivos" mouriscos, góticos e manuelinos, mas também
o espírito Wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa. Situado
a
4,5 Km
do centro histórico. |
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Palácio
Nacional de Queluz |
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Mandado construir pelo Infante D. Pedro III, no ano de 1747, foi na sua
origem uma casa de campo pertença do Marquês de Castelo Rodrigo, no
século XVII.
O
Palácio de Queluz é o espelho da sociedade barroca de setecentos. É a
imagem marcante de uma época em que imperava a teatralidade, a aparência
e a necessidade de espaços amplos.
Muitas vezes comparado ao palácio de Versalhes, este palácio é, no
entanto, uma construção bem portuguesa, nas escalas e no próprio
espírito artístico. |
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Palácio
e Quinta da Regaleira |
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Situada em pleno Centro Histórico
de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO, a Quinta da
Regaleira é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios do
Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de
construções, nascendo abruptadamente no meio da floresta luxuriante, é o
resultado da concretização dos sonhos mito-mágicos do seu proprietário,
António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do
arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
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A
imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o
somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com
particular destaque para o gótico, o manuelino e a renascença - e, por
outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições
míticas e esotéricas.
A
Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a
memória, a paisagem, os mistérios. Torna-se necessário conhecê-la,
contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos
Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o
parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima
Trindade, que nos permite descermos à cripta onde se recorda com emoção o
simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões
que nos oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda
e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para
apreciação do mundo celeste.
A
culminar a visita à Quinta da Regaleira, há que invocar a aventura dos
cavaleiros Templários, ou os ideais dos mestres da maçonaria, para descer ao
monumental poço iniciático por uma imensa escadaria
em
espiral. E, lá no fundo com os pés assentes numa estrela de oito pontas, é
como se estivéssemos imerses no ventre da Terra-Mãe. Depois, só nos resta
atravessar as trevas das grutas labirínticas, até ganharmos a luz,
reflectida em lagos surpreendentes. |
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Palácio
de Monserrate |
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Em
1858, Francis Cook contratou James Knowels Jr. para projectar o pavilhão que
pretendia construir
em
Monserrate. O
arquitecto deparou-se, no entanto, com limitações várias, uma vez que teve
de se cingir às estruturas subsistentes do antigo castelinho neogótico de
DeVisme.
Ainda assim, o edifício construído segundo o risco de Knowels revela-se
original e profundamente eclético. Os três corpos do pavilhão – encimados
por bolbosas cúpulas vermelhas – apresentam as fachadas rasgadas por portas
e janelas de quebratura gótica. A entrada é precedida de pórtico igualmente
neogótico, cintado por grandes entablamentos. Na cornija surgem, alternados,
modilhões de volutas e arcadas trilobadas e do corpo central emerge, sobre o
frondoso parque, um balcão provido de arcaria e ornado com azulejos de
imitação mudéjar. No interior, a exuberância decorativa dos estuques e
capitéis acentua o carácter orientalizante do pavilhão, nomeadamente na
galeria e na "Sala de Música", onde uma profusão de temas indianos e
clássicos imprime ao conjunto uma dinâmica própria que resulta em singular
efeito estético. Os soberbos jardins que rodeiam a áulica construção foram
concebidos e executados por Stockdale e também por Thomas Gargill que
souberam explorar as particularidades micro-climáticas da Serra, obtendo,
deste modo, um magnífico parque, no qual se podem observar, ainda hoje, mais
de 3.000 espécies exóticas. |
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Palácio
de Seteais |
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Construído nas últimas décadas do século XVIII por Daniel Gildemeester,
na altura Cônsul da Holanda em Portugal, o palácio (hoje
em
dia Hotel)
tem um desenho actual, depois das obras de ampliação que sofreu nos
princípios do século XIX.
Trata-se de um edifício neoclássico, cujo projecto é atribuído ao
arquitecto José da Costa e Silva, dentro dos valores renascentes do "neo-palladianismo". |
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Castelo
dos Mouros |
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Antigo castelo de provável fundação muçulmana, durante o séc. IX, no
qual nunca se travou nenhuma batalha. De facto, tanto os ocupantes
muçulmanos como cristãos rendiam-se invariavelmente após a conquista de
Lisboa pelo lado oposto, apesar da aparente invulnerabilidade do
Castelo. |
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Tal facto deve-se à sua função, que não era tanto a da defesa da vila e
sim de defesa e vigilância de Lisboa e arredores, conjuntamente com
outras vilas do termo de Lisboa. Em 1154, D. Afonso Henriques concede
carta de foral à vila.
Com o contínuo avanço da Reconquista para Sul, o Castelo dos Mouros
perde a sua importância estratégica, acabando por ser totalmente
abandonado durante a Segunda Dinastia. Nos finais de quatrocentos apenas
habitavam o sítio do castelo alguns judeus, segregados do resto da
comunidade por ordem régia e até esses acabaram por sair devido à
expulsão das minorias étnicas e religiosas. À ruín a
devida à passagem do tempo, juntou-se a provocada pelo terramoto de
1755. No séc. XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao
seu restauro integral. Como acontece com quase todos os vestígios
monumentais sintrenses mais remotos, pouco é já o que pode ser observado
que seja de origem. Do que hoje se vê, apenas a base das torres e as
muralhas remontarão à fundação inicial. |
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Convento dos Capuchos (Convento de Santa Cruz da Serra) |
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Este
convento foi mandado construir em 1560 por D. Álvaro de Castro, num sitio
isolado e inóspito, cujas condições naturais devem ter tido uma forte
influência na escolha da localização do convento aquando da sua fundação.
O convento serrano de Sintra ficou famoso pelo extremo da sua pobreza, seja
a da construção, seja a das próprias condições de vida. A portaria do
convento, um simples telheiro com tecto e traves de madeira forradas de
cortiça, de imediato elucidam acerca da pobreza e do rigorismo ascético que
orientaram esta construção rústica e primitiva.
Habitado ainda com toda a certeza nos finais do séc. XVIII, o Convento de
Santa Cruz dos Capuchos deve ter sido abandonado em 1834, com a extinção das
ordens religiosas que o regime liberal determinou.
A mata do Convento, com os seus velhos carvalhos e arbustos de grande porte,
beneficiou seguramente do carinho e protecção dos religiosos. Tendo
sobrevivido
até aos nossos dias, constitui talvez o mais representativo testemunho e a
mais bem conservada relíquia da floresta primitiva da Serra de Sintra.
Basicamente é constituído por uma formação arbóreasubmediterrânica dominada
por carvalhos caducifólios, c om
elementos do maquis mediterrânico no sub-coberto e grande profusão de fetos,
musgos e plantas epífitas e trepadeiras que tudo envolvem e recobrem num
denso emaranhado vegetal.
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Igreja
de São Pedro de Penaferrim |
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Igreja
de fundação medieval, mas alterada no século XVI por iniciativa de D. Álvaro
de Castro (1565), tem uma só nave coberta por abóboda artesonada
quinhentista e revestida nas paredes laterais de magníficos azulejos azuis e
brancos, de oficina lisboeta da primeira metade do século XVIII,
representando cenas da vida de S. Pedro.
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Igreja
de Santa Maria |
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Fundada
por D. Afonso Henriques após a reconquista, mas totalmente alterada no final
do século XIII e inícios do XIV, é um edifício gótico de três naves, com
tramos de arcaria ogival e capitéis finamente lavrados, atestando plenamente
o espaço sagrado dos templos medievais. |
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Igreja
de S. Martinho |
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Sede paroquial, esta igreja foi arrasada pelo terramoto de 1755 e
reconstruída e descaracterizada em fins do século XVIII. Resta apenas,
da primitiva, a estrutura gótica da capela-mor, visível do exterior,
incluindo a lápide trecentista de Margarida Fernandes e três tábuas de
pintura portuguesa de meados do século XVI - "S. Martinho e o pobre",
"S. Pedro" e "St.º António" - atribuídos ao Mestre de S. Quintino. |
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Santuário da Peninha |
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Localizado
num dos pontos mais altos da Serra de Sintra, o Santuário da Peninha faz
parte de um vasto conjunto arquitectónico formado pela antiga ermida de São
Saturnino (fundada por D. Pêro Pais na época da criação do reino de
Portugal) e pelo palacete romântico de estilo revivalista, que relembra uma
fortificação e que foi construído no ano de 1918.
Esta ermida de dimensões reduzidas, "escondida"
em
plena Serra,
representa uma importante igreja de peregrinação, envolta numa atmosfera
religiosa mágica, estando-lhe associada a existência de uma imagem milagrosa
de Nossa Senhora.
Este
local de culto, de aspecto exterior singelo, apresenta, na verdade, um
interior riquíssimo, com mármores embutidos e revestido por azulejos brancos
e azuis, surpreendendo quem conseguia até ali chegar.
A
capela que hoje se pode encontrar terá sido construída no século XVII, por
Frei Pedro da Conceição, contudo, a sua decoração terá sido levada a cabo
até 1711, data que consta no painel de azulejos do tímpano, sobre a porta de
entrada.
No seu
interior, as cenas da Vida da Virgem predominam, registadas num conjunto de
painéis de azulejo que reveste a ermida. Executados por diversos autores, os
painéis do corpo da nave têm vindo a ser atribuídos a Manuel dos Santos, um
dos pintores lisboetas que integrou o denominado ciclo dos "Grandes
Mestres", enquanto que os dois painéis que ladeiam a porta principal e o
tímpano semi-circular, este último com a representação do Pentecostes (pouco
comum na iconografia azulejar) foram desenvolvidos por Manuel Santos, que
favoreceu o traço elaborado e pleno de contornos, revelando a influência da
pintura de azulejos holandesa.
Na
abóbada e rodapés, os painéis aproximam-se de uma concepção monogramista,
atribuindo-se a criação dos da abóbada à oficina dos Oliveira Bernardes.
Também
o mármore é um elemento de destaque e de grande recurso, que reflecte a
preocupação pela modernização dos espaços, superando o gosto pela talha. É
neste sentido, que se pode encontrar exemplares de diversas tonalidades na
capela-mor, que data de 1690, e que se estendem até à abóboda de caixotões.
No retábulo, encontram-se, igualmente, marmóreos finos, atribuídos a João
Antunes, por terem grandes semelhanças com outros traçados pelo arquitecto
de D. Pedro II. |
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Museu
de Ciência Viva |
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Um
novo Centro Ciência Viva para a divulgação da ciência e da tecnologia
abriu as suas portas na antiga Garagem dos Carros Eléctricos, em Sintra,
a 20 de Novembro. O corpo humano, a água e as artes circenses são as
três áreas temáticas das exposições interactivas do Centro de Ciência
Viva de Sintra que vem, assim, juntar-se aos 12 que constituem a rede de
Centros de Ciência Viva em todo o país.
Em Sintra, estas exposições estendem-se ao exterior do edifício, onde
foram colocados módulos interactivos accionados pela água do tanque e
pela luminosidade do Sol. Saber o que o impressiona mais – uma aranha
peluda ou uma montanha russa vertiginosa – experimentar andar de
bicicleta num arame suspenso a cinco metros do chão e tentar enganar o
seu cérebro, são alguns dos desafios propostos aos visitantes.
Além das exposições, há ainda um cibercafé com acesso gratuito à
Internet, e um laboratório, que coloca vários desafios: o que existe no
ar que respiramos? E como será uma formiga vista à lupa? As respostas
serão dadas através de experiências a realizar pelo público.
Este espaço, único no concelho e de elevada importância educacional,
cultural e de divulgação científica e tecnológica, consistiu na
reabilitação e adaptação de um edifício, construído em 1901, cuja função
original era a de antiga fábrica de electricidade e onde ficou instalado
o Centro de Ciência Viva.
O edifício com uma área de 616 m2, foi totalmente recuperado,
utilizando-se, para isso, materiais idênticos aos de origem e
respeitando a sua traça original.
Situado
do lado da fachada nascente, sobre um tanque existente, surgiu um novo
núcleo independente do edifício antigo e onde estão situados os
conteúdos relacionados com a água. Fazem parte deste núcleo o Cyber Café
e respectiva cozinha, o laboratório de apoio à zona do tema água e os
gabinetes de secretariado e da direcção.
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Museu
Ferreira de Castro |
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Em
plena Vila Velha
de Sintra, no Casal de Santo António, situa-se o Museu Ferreira de Castro,
em consequência da doação feita pelo escritor do seu espólio ao Povo de
Sintra, formalizada em 3 de Abril de 1973, ficando a Câmara Municipal como
sua fiel depositária.
Tendo
Ferreira de Castro manifestado o desejo de que os seus restos mortais
permanecessem em Sintra - como veio a suceder -, aceitou de bom grado a
sugestão do "dois notáveis escritores, sintrense um, outro lisboeta, a quem
a biblioteca da vila por nós amada prestava bons serviços para as suas
pesquisas culturais", no sentido de que essa doação se fizesse. Trata-se de
Francisco Costa, então director da Biblioteca Municipal, e Alexandre Cabral,
que tinha na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e
documental para o desenvolvimento da sua investigação.
O
primeiro mentor desta ideia terá sido, contudo, o então presidente da
Câmara, António José Pereira Forjaz, que em carta de 10 de Abril de 1973,
dirigida ao romancista, manifestava alvoroçadamente o seu júbilo, depois de
verificada a conformidade da doação com as disposições legais. Seguidamente,
Francisco Costa elaborou um parecer em que acentua a importância do espólio,
sendo o texto da doação lido em voz alta por Pereira Forjaz na reunião de
Câmara de 18 de Abril desse ano. Nesse mesmo dia, Forjaz daria ao autor de A
Selva a notícia da aprovação por aclamação da "generosa, tão importante e
valiosa doação."
Em
consequência do trabalho da Comissão Instaladora, integrada entre outros,
por Elena Muriel Ferreira de Castro, Alexandre Cabral, Álvaro Salema,
Francisco Costa e José Alfredo da Costa Azevedo, o Museu abriu as sua portas
em 6 de Junho de 1982. Encerrado para obras três anos mais tarde, reabriria
em 22 de Julho de 1992, após remodelação dos conteúdos expositivos e de
elaboração de um novo guia para o visitante.
UMA
VISITA AO MUSEU
O Museu
Ferreira de Castro apresenta cronologicamente o percurso vivencial do
escritor, agrupado em sete núcleos temáticos:
·
"Infância"
(1898-1911), refere-se à meninice do escritor, na "aldeia nativa" de
Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, período de
íntimo contacto com a verdejante natureza da região, que tanto iria
marcá-lo.
·
"No
Brasil - Da selva amazónica a Belém do Pará" (1911-1919), relata a época
em que Ferreira de Castro vive, ainda criança e sozinho, num seringal da
Amazónia (até 1914) e a dramática e rocambolesca vivência em Belém. Dos
muitos objectos de interesse expostos, destaque-se o manuscrito de Criminoso
por Ambição, máscaras dos índios Parintintins (tribo já extinta), terra do
seringal onde Castro trabalhou, e exemplares de Criminoso por Ambição e Alma
Lusitana, ambos de 1916, os primeiros títulos que publicou.
·
"O
Regresso - Jornalismo e obra renegada" (1919-1927), mostra parte da
actividade jornalística e exibe os livros que correspondem à primeira fase
de Ferreira de Castro - de Mas... (1921) a O Voo nas Trevas (1927) --, por
ele suprimidos das suas obras completas e que hoje são raridades
bibliográficas.
·
"Triunfo
- De Emigrantes à direcção de O Diabo" (1928-1935); "O Último Vagamundo"
(viagens, 1929-1939); "O Mestre - De A Tempestade a Os Fragmentos"
(1940-1974) contemplam o tempo
em que
Ferreira
de Castro pontificou como autor proeminente do Portugal de então. É o
período de A Selva, Terra Fria, A Lã e a Neve, A Curva da Estrada, A
Missão...
|
O
escritor português mais traduzido do seu tempo, na última sala expõem-se
traduções das suas obras em diversas línguas.
No
conjunto, o visitante tomará contacto com edições raras, manuscritos,
objectos pessoais, ilustrações originais para os seus livros e outros
espécimes relacionados com a vida e a escrita do romancista. O Museu
apresenta também telas e desenhos originais de Arlindo Vicente, Bernardo
Marques, Cândido Portinari, Elena Muriel, Jorge Barradas, José
Rodrigues, Júlio Pomar, Roberto Nobre e Stuart Carvalhais, entre outros. |

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Sintra
Museu de Arte Moderna |
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Num curioso edifício de 1920, o Museu reúne, em permanência, uma
importante Colecção de Arte Contemporânea Internacional. É uma
perspectiva do que tem sido a arte europeia e americana, desde os anos
vinte aos nossos dias. Na Colecção Berardo, estão representados os
principais movimentos, correntes e linhas de investigação artística, com
obras consideradas essenciais para a compreensão da história de arte
internacional.
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Este
Museu possui uma Loja no piso zero, onde podemos adquirir objectos
assinados por artistas internacionais, peças de design, taças, chávenas,
relógios, lenços de seda, gravatas especiais, t-shirts. E, ainda o livro
e os postais editados pelo Museu. Uma colecção de presentes para
oferecer a si e aos outros. |
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Museu
do Brinquedo |
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O
Museu do Brinquedo, situado no Centro Histórico de Sintra, no antigo
edifício que foi sede dos Espaços do Concelho e Quartel dos Bombeiros
Voluntários, foi inaugurado no dia 8 de Novembro de 1997.
As
instalações, totalmente recuperadas e adaptadas, representam um bom
exemplo de arquitectura vernácula setecentista. A sua fachada
desenvolve-se em três andares caracteriza-se pela sobriedade e pureza de
linhas. Assim, ao longo da fachada rasgam-se amplas portas-janelas,
dispostas em fiadas sucessivas. |
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Na
concepção actual deste espaço museológico concorrem duas vertentes
fundamentais: uma concepção romântica do Museu, enquanto espaço que
evidencia o seu espólio e outra, mais didáctica, que contextualiza
culturalmente o material exposto numa dinâmica cultural mais
diversificada ou tematicamente aprofundada.
Esta dualidade é patente na organização dos próprios espaços
museológicos. 
Os
espaços comuns (cafetaria, lojas e acolhimento) instalam-se no nível
térreo e desenvolvem uma relação franca com o exterior.
Feita ao longo de mais de quarenta anos, a colecção deste Museu pertença
da Fundação Arbués Moreira, começou por ser um grande amontoado de
brinquedos, sendo hoje um património, extremamente representativo, da
História do Homem, único em Portugal.
A
diversidade temática patente ao público, vai desde berlindes egípcios,
de há dois mil anos; brinquedos e objectos, relacionados com imagem e
som, de 1910; figuras de chumbo de circo e quinta; acessórios para
instalação de comboio; colecção de automóveis; brinquedos em folha
movimentados a corda; barcos de chumbo, até às bonecas Barbie, dos
nossos dias. As novas instalações do Museu do Brinquedo têm, também, uma
sala com capacidade para oitenta pessoas, equipada para a realização de
espectáculos e outras iniciativas dedicadas às crianças. |
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Museu
Arqueológico de São Miguel de Odrinhas |
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(FAÇA
UMA
VISITA VIRTUAL PELO MUSEU)
O Museu
Arqueológico de São Miguel de Odrinhas remonta, nas suas origens, a meados
do século XVI. Nessa época e por iniciativa de alguns eruditos, entre os
quais se terá destacado Francisco d`Ollanda, começou-se a juntar, em torno
da ermida local, uma importante colecção de inscrições romanas oriundas dos
campos e aldeias circundantes. Em 1955 e após vários séculos de abandono,
entendeu a Câmara Municipal de Sintra construir ali uma pequena casa que
abrigasse tão significativos monumentos, procedendo ainda à escavação
arqueológica e valorização turístico-cultural das ruínas romanas adjacentes.
Hoje a
colecção lapidar atinge mais de quatrocentas peças, às quais se vêm somar
muitas outras - largos milhares - de diversa tipologia, entre moedas,
objectos cerâmicos, líticos, metálicos, osteológicos, etc..O interesse
demonstrado por todo o vasto público - turístico, escolar, entre outros -
relativamente a este espólio tem sido imenso, apesar das condições precárias
em que se encontrava instalado até há pouco.
Em
1993, decidiu a Câmara Municipal de Sintra lançar-se a um projecto
ambicioso, concebendo e edificando, em Odrinhas, um novo Museu Arqueológico
de características únicas
em
Portugal. Dotado
de largo espaço expositivo, de biblioteca especializada, auditório,
gabinetes de estudo, serviços de restauro - para além de várias áreas de
lazer - tal ifício está hoje construído.
A
exposição do novo Museu articula-se em torno de duas áreas distintas, embora
complementares:
(a) a Secção Epigráfica, que abrange algo mais de dois milénios, desde a
época etrusca à Idade Moderna, com especial menção para o conjunto de
lápides romanas, reconhecidamente um dos mais importantes da Península
Ibérica; e
(b) a Secção Arqueológica, que reúne muitos milhares de peças exumadas nas
numerosas estações arqueológicas do Termo de Sintra, desde o Paleolítico
Médio ao século XVIII, destacando-se, pelo seu especial significado, os
núcleos neolíticos, calcolíticos e da época romana.
O
Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas situa-se nos arredores de
Lisboa, a meio caminho entre Sintra e Ericeira.
A exposição permanente, actualmente aberta ao público, intitula-se «O
Livro de Pedra». Aqui contam-se cerca de dois milénios de história a
partir das inscrições e dos elementos iconográficos presentes nos
monumentos pétreos que se distribuem por salas temática e
cronologicamente organizadas.
Ao percorrer a exposição o visitante depara-se com um conjunto de pedras
tumulares, sarcófagos, estelas, altares e lintéis, desde a época Etrusca
à Idade Moderna, com especial relevância para a notável colecção de
lápides romanas epigrafadas, reconhecidamente uma das mais
significativas da Península Ibérica.
As ruínas de uma villa romana e a igreja consagrada a São Miguel, de
origem medieval, fazem parte integrante do percurso museológico, sendo
as visitas sempre guiadas por profissionais formados para o efeito.
O Museu encontra-se, ainda, dotado de sala de exposições temporárias,
biblioteca pública especializada, auditório, gabinetes de estudo,
oficina de restauro e |
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Museu
Anjos Teixeira |
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Inserido
em
pleno Centro Histórico,
no trajecto entre o edifício dos Paços do Concelho e a
Vila Velha de Sintra, o Museu Anjos Teixeira poderá passar despercebido
a quem, por instinto, segue o tradicional itinerário da Volta do Duche.
Encontra-se instalado num imóvel construído nos inícios do século XX para
azenha, que, na Azinhaga da Sardinha, aproveitava as águas do Rio do Porto.
Mais tarde, foi transformada em serração de pedra, tendo sido, por fim,
adquirida pela Câmara Municipal de Sintra para um depósito de viaturas
municipais.
A 24 de
Setembro de 1974,
Mestre Pedro Augusto dos Anjos Teixeira legou oficialmente à Edilidade
Sintrense, todo o seu espólio (de cariz neo-realista) e, ainda, boa parte do
de seu pai,
Artur Gaspar dos Anjos Teixeira, ficando, deste modo, as obras de dois
grandes Mestres escultores contemporâneos reunidas no mesmo espaço, o qual
abre ao público apenas em 1976.
Desde
esta data, e até 1982, esteve em exibição a quase totalidade dos trabalhos
escultóricos destes dois artistas, altura em que a velha serração é fechada
para obras de restauro, remodelação e ampliação integrais, de acordo com a
escritura de doação em 1974, em que a Câmara ficou obrigada à construção de
dependências para uso privado do Mestre.
Neste
contexto, passou o Mestre a residir no edifício, transformando-o numa
Casa-Museu pública e num Atelier vivo, onde deu aulas de escultura entre
1977 e 1992.
Mais
tarde, o Museu sofreu obras de beneficiação no seu interior, tendo-se optado
pela pintura de paredes e peanhas em tons mais claros, por forma a
destrinçar o que é infra-estrutural e o que está exposto, tendo-se,
igualmente, procedido ao tabelamento de todas as peças expostas. |
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Museu
Anjos Teixeira |
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Inserido
em
pleno Centro Histórico,
no trajecto entre o edifício dos Paços do Concelho e a
Vila Velha de Sintra, o Museu Anjos Teixeira poderá passar despercebido
a quem, por instinto, segue o tradicional itinerário da Volta do Duche.
Encontra-se instalado num imóvel construído nos inícios do século XX para
azenha, que, na Azinhaga da Sardinha, aproveitava as águas do Rio do Porto.
Mais tarde, foi transformada em serração de pedra, tendo sido, por fim,
adquirida pela Câmara Municipal de Sintra para um depósito de viaturas
municipais.
A 24 de
Setembro de 1974,
Mestre Pedro Augusto dos Anjos Teixeira legou oficialmente à Edilidade
Sintrense, todo o seu espólio (de cariz neo-realista) e, ainda, boa parte do
de seu pai,
Artur Gaspar dos Anjos Teixeira, ficando, deste modo, as obras de dois
grandes Mestres escultores contemporâneos reunidas no mesmo espaço, o qual
abre ao público apenas em 1976.
Desde
esta data, e até 1982, esteve em exibição a quase totalidade dos trabalhos
escultóricos destes dois artistas, altura em que a velha serração é fechada
para obras de restauro, remodelação e ampliação integrais, de acordo com a
escritura de doação em 1974, em que a Câmara ficou obrigada à construção de
dependências para uso privado do Mestre.
Neste
contexto, passou o Mestre a residir no edifício, transformando-o numa
Casa-Museu pública e num Atelier vivo, onde deu aulas de escultura entre
1977 e 1992.
Mais
tarde, o Museu sofreu obras de beneficiação no seu interior, tendo-se optado
pela pintura de paredes e peanhas em tons mais claros, por forma a
destrinçar o que é infra-estrutural e o que está exposto, tendo-se,
igualmente, procedido ao tabelamento de todas as peças expostas. |
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Teatro
Virtual - Os portugueses no Japão do séc. XVI |
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Sistema
de visão mágica que permite visionar os primórdios do intercâmbio entre
Portugal e o Japão. Uma cidade portuária do séc. XVI é reproduzida numa
maqueta, no interior da qual são representadas imagens virtuais de
personagens japonesas e portuguesas que recriam acontecimentos históricos,
entre eles a Missão de quatro jovens cristãos japoneses à Europa e que
também estiveram em Sintra.
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FONTE
DA RUA SOTTO MAYOR |
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Rasga-se
em incaracterística parede pequeno chafariz de concepção revivalista
inscrito em arco trilobado, de pedra tosca. Um painel de azulejos
neo-mudéjares, serve de espaldar ao fontanário finamente esculpido em
mármore rosado. Assente em plinto rectilíneo, o tanque moldurado com duas
pias interiores é alimentado por torneira que sobressai do torso sextavado,
ornado de rosetas e semi-esferas.
A este
sobrepõe-se fuste de feição circular, sustentando a escultura naturalista de
uma águia que segura, nas garras, cartela pendente com a inscrição: C M S,
MCMXV.
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FONTE
DE SÃO PEDRO |
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Fontanário,
projectado pelo arquitecto Raul Lino, e inaugurado em 1929, revela concepção
erudita. O edifício, de planta centralizada com cúpula encimada pelas
"chaves do Céu", aproxima-se bastante dos cânones arquitecturais
renascentistas. Assim, colunata centrada pelo vão de acesso conduz ao
interior do edifício que permanece bordejado por bancos corridos forrados
com azulejos de tapete. A torneira, envolta em radioso sol relevado e
sobrepujado por painel cerâmico similar aos já descritos, vaza em rotundo
tanque assente em colunelo.
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FONTE
DO CONDE DE SUCENA |
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Fonte
de espaldar convergente com beirado. Modesta torneira vaza para tanque de
pedra rectangular com reentrância, de molde a facilitar o acesso à goteira.
Ao centro do frontal apõe-se lápide com as armas do concelho, ostentando a
seguinte legenda na base: C DE C 1867. Ou seja: «Câmara de Cintra [ano de]
1867».
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FONTE
D'EL REI OU DA PENHA VERDE |
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O
fontanário de prospecto barroco abre-se em semi-círculo e o espaldar
arredondado dinamiza-se, quer pelo jogo cromático, quer pelos efeitos
cenográficos que nos são transmitidos pela presença de pilastras de
alvenaria e de expressivos e possantes filetes.
As faces laterais estão rematadas por ondulantes volutas e,ao centro,
sobreeleva-se a própria espalda com coruchéu e pedra de armas dos Castro
inscrita em cartela que encima lápide evocativa do monumento: ESTA FONTE
DENOMINADA / DE EL REY HE DO SENHOR / DESTA QUINTA : MANDOUA /FAZER A CAMARA
DA VILLA / DE CINTRA EM RECOMPENÇA /DE OUTRA DE BOA E ANTIGA / ARQUITECTURA
QUE TINHA / POUCO MAIS ABAIXO QUE / SE DEMOLIO QUANDO / SE MUDOU ESTA
ESTRADA.
Na base do fontanário, duas bicas de jarro vertem no trilobado tanque de
pedra ladeado por conversadeiras corridas.
ESTA FONTE DENOMINADA / DE EL REY HE DO SENHOR / DESTA QUINTA : MANDOUA
/FAZER A CAMARA DA VILLA /DE CINTRA EM RECOMPENÇA /DE OUTRA DE BOA E ANTIGA
/ ARQUITECTURA QUE TINHA / POUCO MAIS ABAIXO QUE / SE DEMOLIO QUANDO / SE
MUDOU ESTA ESTRADA.
Na base do fontanário, duas bicas de jarro vertem no trilobado tanque de
pedra ladeado por conversadeiras corridas.
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FONTE
DE MATA-ALVA |
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Com
origens que remontarão, pelo menos, ao último quartel do século XVIII, a
Fonte de Mata-Alva ostenta, hoje, fácies revivalista resultante da reforma
tardo-oitocentista patrocinada por Francis Cook, como o atesta, aliás, a
lápide aposta no frontal sob a real pedra de armas de D. Maria I: Hunc
Fontém /Condidit de nouo / Pro Bono Publico /Francisco / Uisconde de
Monserrate /a. d. 1875. Na verdade, o prospecto do fontanário foi
radicalmente alterado «para o bem
público» por D. Francisco, por isso, daquela campanha de obras
resultou um frontal antecedido por cúpula esférica que protege a bica e
tanque de pedra.
A abóbada repousa em colunas com capitéis profusamente decorados e o frontal
permanece ladeado por bancos de descanso encimados por pequenos painéis de
azulejos policromos.
Ao centro, já sob a cúpula envolvendo as lápides e os azulejos de onde
sobressai a bica, subsiste fresco geometrizante de nítida inspiração
"neo-mourisca".
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FONTE
DOS LADRÕES |
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A
Fonte dos Ladrões, cuja designação se prende com antiga mas não confirmada
tradição, segundo a qual eram frequentes os assaltos naquele sítio,
constitui um monumento de cronologia incerta, remontando, possivelmente ao
último quartel do século XVIII, época da pedra de armas do reino aposta no
frontal, encimado por volutas simples.
A grande e sobressaliente bica dupla de pedra abre-se ao depósito
rectangular.
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FONTE
DOS PISÕES |
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A
actual Fonte dos Pisões foi erigida pela Comissão de Iniciativa de Turismo
de Sintra, em 1931, e substituiu anciano tanque. O fontanário foi projectado
pelo Mestre José da Fonseca e desenvolve-se a partir de estrutura
semi-circular, à qual se acede através de escadeado baixo. O espaldar,
ladeado por bancos corridos, está profusamente ornado com coloridos motivos
geometrizantes insculpidos na própria argamassa. Ao centro, rasga-se grande
círculo enquadrado pelo rectilíneo alteamento do frontal patenteado painéis
azulejares, assinados pela Fábrica Ceramica Constancia. Ali, desenvolve-se o
frontal propriamente dito, de inspiração renascentista inscrito em conjunto
cerêmico conjugando fundo liso e friso floral, de onde emerge baixo-relevo,
no qual, por entre folhagem, se animam putti, de pé, segura uma faixa onde
se lê: SALVE. Logo abaixo desta animada composição escultórica, uma bica
vaza em gomada taça rectangular que, por sua vez, liberta a água sobejante
para bem aguachado tanque rasteiro destinado aos animais.
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FONTE
MOURISCA |
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Edificada
em 1922, segundo projecto de Mestre José da Fonseca,a Fonte Mourisca
substituiu o antigo Chafariz da Câmara, com o intuito de valorizar a entrada
de Sintrae de «dignificar a águamais apreciadade Sintra».
Com o alargamento da estrada, em 1960, o fontanário foi desmontado. Vinte
anos depois, a Câmara Municipal de Sintra reergueu o monumento, não no seu
primitivo lugar, mas uma vintena de metros mais adiante,
em
plena Volta
do Duche. A sua grandiosa arquitectura revela certo formalismo académico,
característico, aliás, do modernismo revivalista dos anos 1920. De facto,
como o próprio topónimo indica, trata-se de uma estrutura de desenho
neo-árabe. O edifício que alberga o fontanário é "dinamizado" por grande
arco em Ferra-dura denticulado, no qual se rasgam três outros arcos em
ferradura, também dentea-dos e emoldurados por azulejos neo-mudéjares,
impondo-se ao centro, a pedra d`armas do Município. As colunas assentam em
socos elevados que as Projectam nos capitéis de geométrica e diferenciada
decoração. Esta pétrea composição desenvolve-se por entre azulejos ao estilo
mudéjar e de intensa policromia, permanecendo ainda bordejada por possante
friso relevado de cariz geometrizante que, no topo, se des-dobra num ático
sobressaliente onde assentam merlões escadeados, similares aos do Paço Real.
No interior ovóide e cobertura abobadada, as paredes permanecem reves-tidas
por azulejos também de inspiração mudéjar. E, ao centro, impõe-se o
fonta-nário, cuja bica de bronze emerge de um florão e a água derramada
resguarda-se em tanque oval com bordo concheado.
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FONTE
DA SABUGA |
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A
qualidade salutífera das águas da bica da Sabuga, de origem vincadamente
medieval - o topónimo surge, pela primeira vez, num documento de 1406 ,
contribuíram para que cedo se transformasse num referencial sintrense. De
facto, a sua qualidade milagreira ganhou-lhe o epíteto de «a mais cellebre»
de entre todas as fontes de Sintra, e nela Sua Majestade, D. Luísa de
Gusmão, deliciou-se «com a famosa água», em 1652.
Nos alvores do evo setecentista, a fonte foi «mandada fazer de novo» como o
atestará uma epígrafe anotada por Almeida Jordam: ESTA OBRA MANDOU FAZER / O
SENADO DA CAMERA DESTA VILLA / SENDO PRESIDENTE DELLA O / DOUTOR MATHIAS
FRANCO / FERREIRA NO ANNO DE M.DCC.IX. A célebre fonte, todavia, sofreu
grandes estragos com o purulento terramoto de 1 de Novembro de 1755, mas
dois anos depois estava refeita, conforme o atesta a lápide aposta ao
frontal: ESTA OBRA MANDOV FAZER O SENADO / DA CAMARA DESTA VILA SENDO PRE /
ZIDENTE O D.R MARCELINO IOZE DE PON / TES VIEIRA E O PROCURADOR ANTO RIB /
DE CEQVEIRA RIBAFRIA ANNO 1757.
Em termos arquitectónicos, o prospecto do fontanário resultante da
restauração pós-terramoto aproxima-se bastante do actual, permanecendo
coroado por coruchéus alternados com frontões envoluteados de gosto barroco,
abrindo-se, ao centro, a pedra de armas do município envolvida numa fina
cercadura. Estão, também, documentados trabalhos de beneficiação em 1804 e
em 1850. Mas, a última grande intervenção data já de 1956, quando se colocou
o lambril de azulejos azuis e brancos com putti enquadrando aparato floral.
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FONTE
DA PIPA |
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A
primeira referência à Fonte da Pipa remonta ao já longínquo ano de 1369,
quando num documento se menciona: João Anes, «morador à Fonte da Pipa». A
sua actual arquitectura, no entanto, reporta-se ao século XVIII,
concretamente, à reforma integral patrocinada por D. Maria I, conforme
inscrição em cartela envoluteada gravada no espaldar, à qual se sobrepõe a
real pedra de armas: ANTIGA FONTE / DA PIPA / REEDIFICADA / E MELHORADA /
PELO DOUTOR / FRANCO IOZE / DEMIRANDA / DUARTE . PRAEZI /DENTE DO SENADO /
DA CAMERA . E IUIZ / DE FOR A .
DESTA VILLA /
EM
EXECUÇAM DAS / ORDENS DE SUA MAG.E / EXPEDIDAS EM AVIZO / DA SECRETARIA DE
ESTADO / DOS NEGOCIOS DO REYNO DE / VINTE E SEIS DE OUTUBRO DE / MIL
SETECENTOS E OUTENTA / E SETE . PELAS QUAIS FOI / A MESMA SENHORA SERVIDA /
DETERMINAR A RESTITUIÇAM / DESTA FONTE: SOCEGANDO / O POVO . E LIVRANDO DA /
OPRESSAM . QUE LHE CAUSAVA / A FALTA DE AGOA NO BAIRRO / DO CASTELLO.E
PORISO EM / MEMORIA DE TAM AUGUSTA / SOBERANA SE GRAVARAM / OS VERSOS
SEGUINTES . / QUALIS APUD VETERES / DIVAS REGNABAT ULYSES / QUI NULLI CIVI
DICTO . / FACTOQUE NOCEBAT . / 1788. As pilastras sobressalientes do
espaldar - rematadas por coruchéus, sendo o central mais desenvolvido -
enquadram painéis cerâmicos a azul. Os das extremidades, de recorrência
classicizante, evocam as figuras idealizadas de Diana e da Justiça. Os dois
outros painéis de azulejos que emolduram a centralizada lápide inscrita, de
traço mais livre e de maior naturalidade, representam frondosos pinheirais.
Na parte inferior deste complexo espaldar, sobressai estanco de pedra
alimentado pela pequena pipa.
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CHAFARIZ DA CÂMARA |
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Erigido
no local onde outrora se localizava antigo Chafariz da Câmara, o actual
fontanário substituiu a Fonte Mourisca, removida nos anos de 1960 por causa
do alargamento da Volta do Duche. Projectado pelo arquitecto Regaleira a
pedido da edilidade sintrense que pretendia «reconstruir» o fontanário, a
novel estrutura assumiu a sua própria contemporaneidade no contexto
monumental da vila de Sintra onde, a par das autenticidades, predominam os
pastishes revivalistas. O desenho de Regaleira é notável pelo despojamento
formal e decorativo, pois o fontanário é alimentado por bica em Y, cujas
águas, sempre frescas e cristalinas, brotam para grande taça circular,
interiormente revestida com mosaico azul. A taça permanece envolta em grande
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CHAFARIZ DO LARGO 1.º DEZEMBRO |
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Fonte
arquitectonicamente atribuível à época do Estado Novo. De pedra burjadada,
ostenta tanque circular com pilar de onde sobressai taça simples, ornada de
carrancas por onde corre a água que abastece o estanco.
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CHAFARIZ DA IGREJA |
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Chafariz
de possível origem oitocentista, ostenta, no centro do ovalado e bojudo
estanco de bordos arredondados, esteio coroado por pirâmide. Do fuste,
hexagonal e sem decoração, emergem duas bicas de bronze.
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PELOURINHO |
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O
pelourinho, hoje existente, consiste em cópia do antigo marco manuelino,
derribado em 1854. Obra do mestre canteiro José da Fonseca, foi erigido
em 1940. Três degraus hexagonais servem de soco à base oitavada do
pelourinho. Este, de fuste helicoidal ornado de rosetas e quadripétalas
apresenta, a meio, duas cordas separadas por concavidade. O capitel com
folhas de acanto ostenta, no remate, pinha cónica e ferro ao alto. Do
entablamento emergem quatro ferros de sujeição.
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Paços
do Concelho |
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Após a inauguração da via ferroviária Lisboa-Sintra, em 1889, Sintra
sofreu importantes alterações no seu tecido urbano.
Porém, a impossibilidade da própria Vila vir a ganhar mais terreno à
Serra, conduziu felizmente à edificação de um novo bairro, relativamente
afastado e denominado da Estefânia, em homenagem à Rainha D. Estefânia
de Hohenzollern, mulher de D. Pedro V.
Assistiu-se, portanto, à deslocação do centro económico-social, o que
obrigou também à transferência das principais entidades administrativas
que permaneciam instaladas num edifício do século XVIII, próximo do Paço
Real.
Para a construção da nova Câmara optou-se por um lugar acessível, quer
para a dita Vila Velha, quer para o burgo da Estefânia. Por isso, os
modernos Paços do Concelho foram edificados entre ambos os bairros, no
local onde, até então, se erguia a antiga ermida de São Sebastião.
A construção do novo edifício dos Paços do Concelho, iniciada em 1906,
segundo projecto de Adães Bermudes, foi concluída em 1909. O edifício
apresenta fachadas austeras, com janelas neo-Manuelinas sobriamente
decoradas. No alçado principal destaca-se, pela sua imponência, uma
torre superiormente rematada por ameias, e por uma cobertura piramidal
revestida com azulejos, os quais representam alternadamente a Cruz de
Cristo e o Escudo Pátrio. No topo, surge, magestosa, a esfera armilar.
Ladeiam esta curiosa cobertura quatro outras de menores dimensões,
coroando “guaritas” que lhe formam os cantos. Nesse mesmo alçado,
sobressai um balcão, pleno de arcos de feição manuelina, e encimado por
um frontão em que se inscrevem as armas municipais.
No interior abre-se um magnífico claustro, cujos varandins do piso
superior apresentam rica ornamentação neo-Manuelina e Renascentista.
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"CHALET"
DA CONDESSA D'EDLA |
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1. Localização
Serra
de Sintra (Parque da pena), freguesia de São Pedro de Penaferrim
Memória Descritiva
A
planta do Chalet,
da autoria da própria Condessa d'Edla, apresenta-se rectangular ao nível do
rés-do-chão e cruciforme no primeiro andar.
As fachadas de alvenaria imitam longas tábuas, ao jeito da arquitectura
rústica da América do Norte. Ali, as ombreiras dos arcos quebrados, das
portas e janelas, bem como as dos pequenos "olhos de boi", são trabalhadas
em cortiça. Sobressai
deste conjunto homogéneo uma típica varanda de madeira que circunda o piso
superior. As coberturas, de telha antiga portuguesa, não apresentam
significativa inclinação, sendo o beirado, todo ele, romanticamente
enfeitado por uma sucessão de arquinhos góticos.
No interior, o vestíbulo apresenta um fresco com a mesma imitação de tábuas
de madeira em "tromp-l'oeil".
No salão, os cantos encontram-se profusamente ornamentados com troncos bem
modelados em estuque, enriquecidos por nervuras de cobre e ramagens que se
entrelaçam nas cornijas.
Na sala de estar, as paredes integralmente revestidas a cortiça, ostentam
incrustadas pequenas placas de madeira pintada, cujo desenho geométrico se
destaca sobre o fundo sombrio. Este tipo de decoração observa-se ainda num
dos aposentos do piso superior.
Por sua vez, o quarto da Condessa está decorado com singelas rendas brancas
delineadas, sobre fundo azul escuro.
A pintura das restantes divisões, imitando tecido, aprofunda sobremaneira a
ambiência romântica envolvente.
Memória histórica
Elisa
Frederica Hensler, de origem alemã e grande cantora cuja reputação
verdadeiramente internacional adquiriu através das suas soberbas
interpretações nas mais significativas capitais europeias (incluindo Lisboa,
onde se apresentou, pela primeira vez, em 23 de Fevereiro de 1860), recebeu
do Príncipe Ernesto II, de Saxe, o título de Condessa d'Edla.
Posteriormente, em
1869, a
Condessa d'Edla desposou D. Fernando II, que envuivara 16 anos antes.
Partilhando do entusiasmo do monarca pelas obras de construção do
Palácio e
Parque da Pena, iniciadas em 1839, contribuiu para o enriquecimento dos
imensos jardins, quer através da plantação da conhecida "Feteira da
Condessa", quer introduzindo raras espécies provenientes da América do
Norte, país onde passara parte da sua juventude.
Ainda em 1869, mandou erguer,
em
pleno Parque,
um curioso chalet.
O estilo arquitectónico do edifício, traçado pela própria Condessa d'Edla,
antecipou-se e, de certa forma, preconizou a "moda de
chalets"
que, em finais de oitocentos, se fez notar sobretudo em Sintra e na Costa do
Estoril.
Após a morte de D. Fernando, em
1885, a
Condessa d'Edla herdou o Palácio e o Parque da Pena. Mais tarde, na
sequência de uma campanha de opinião pública contra este legado, a Condessa
vendeu todos estes bens ao Estado Português, conservando, porém, o usufruto
do seu chalet. |
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QUINTA
DA PENHA VERDE |
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Localização
Estrada
Nova da Rainha, freguesia de São Martinho
Memória descritiva
A
primitiva casa da Quinta da Penha Verde, erguida por D. João de Castro, era
simples e de reduzidas dimensões. Posteriormente, o edifício foi largamente
ampliado e modificado, adquirindo então o aspecto que lhe reconhecemos
actualmente.
A entrada da Quinta e hoje precedida por um singelo pórtico, datável de
finais do século XVII, encimado por um frontão triangular ao qual se
sobrepõe o brasão dos Castros.
Logo de seguida, um pequeno jardim, ao estilo do século XVIII, enquadra e
antecede a mansão. Esta apresenta uma planta algo irregular, integrando-se,
todavia, na linha da arquitectura áulica portuguesa tradicional. As
ombreiras das portas e janelas são revestidas por largas e simples
cantarias. O seu interior é marcado pela sobriedade, destacando-se porém,
deste contexto, o grande salão do piso superior, com tecto de madeira
apainelada e com uma pintura central representando um brasão de armas.
A capela de São Brás, integrada no corpo principal da mansão, data do século
XVII. A parede da capela-mor encontra-se completamente revestida por um
painel de azulejos policromos, cujo desenho representa um reposteiro
semi-aberto, de evidente recorte teatral; do centro desta composição
sobressai uma peanha em pedra finamente lavrada, sobe a qual se encontra uma
soberba e pétrea imagem de São Brás; o altar é trabalhado em mármore
multicolor.
Ao longo desta propriedade, encontram-se dispersos, aqui e ali, pequenos
pavilhões revestidos a azulejos - sendo um deles ricamente ornamentado com
conchas e pedras coloridas fontes, estátuas, cruzeiros e, inclusive,
inscrições em sãnscrito trazidas da Índia pelo próprio Vice-Rei.
D. João de Castro fez erguer, num pequeno outeiro da sua Quinta, uma capela
circular de invocação a Nossa Senhora do Monte, destacando-se no seu
interior o tecto abobadado, a nave revestida a azulejos seiscentistas e o
reduzido altar-mor. Sobre este altar, forrado a azulejos mudéjares,
encontra-se um baixo-relevo de fino mármore, representando a Sagrada
Família, emoldurada e aparentemente sustentada por anjos pintados num painel
cerâmico.
Posteriormente, já no século XVII. foram erguidas na Penha Verde duas outras
capelas, também circulares. Refiramos primeiro a de Santa Catarina, cujo
frontão triangular ostenta a "roda de navalhas", símbolo do seu martírio; no
interior, aliás bastante simples, apenas se realça o altar com mármores
embutidos e, sobre ele, uma antiga imagem de Santa Catarina. Segue-se a
Capela de São João Baptista, interiormente revestida com magníficos azulejos
polícromos que ilustram a vida e morte de São João; por sua vez, sob um
pequeno arco abatido, nasce o altar-mor profusamente decorado com pedras
multicolores, conchas e faianças.
Memória histórica
D. João de Castro, filho de D. Álvaro de Castro, governador da Casa do Cível
e Vedor da Fazenda, e de D. Leonor de Noronha, nasceu em Lisboa, a 27 de
Fevereiro de 1500. Na sua juventude foi moço-fidalgo de D. Manuel e, na
corte - onde iniciou uma longa e frutífera amizade com o Infante D. Luís -
teve como professores alguns dos mais notáveis mestres da época, de entre os
quais o célebre matemático Pedro Nunes.
Aos 18 anos, fugiu para Tânger onde serviu com distinção e foi armado
cavaleiro por D. Duarte de Meneses, governador da praça forte. Em 1527,
regressou a Portugal, tendo então casado com D. Leonor Coutinho. Mais tarde,
em 1535, participou, integrado numa armada enviada pelo monarca português,
na conquista de Tunes, empresa de Carlos V.
No ano seguinte, D. João de Castro partiu para as Índias. Durante a estada
nas terras do Oriente, e paralelamente com a sua já notável actividade
militar, redigiu três célebres Roteiros sobre a região, nos quais se revelou
um perspicaz investigador e verdadeiro homem de ciência.
De volta à Pátria, em 1542, serviu como capitão-mor da minada. Assim, em 13
de Agosto de 154, D. João de Castro comandou uma expedição contra o pirata
Barba-Ruiva, que saqueava as costas mediterrânicas. Como recompensa o
cavaleiro apenas pediu a D. João III que lhe «fosse dado um rochedo com seis
árvores», junto à Quinta da Penha Verde, que possuía em Sintra, onde mais
tarde construiu a capela de Nossa Senhora do Monte.
Em 1547, foi nomeado governador das Índias, pelo que voltou à Ásia, onde
deparou, então, com uma grave crise, porquanto teve de reconquistar a
fortaleza de Diu, que entretanto caíra na posse dos muçulmanos. Tomada a
cidade, D. João de Castro empreendeu a sua reconstrução. Para tal contou com
o precioso auxílio dos moradores portugueses, chegando inclusivamente a
empenhar as próprias barbas, a fim de obter o necessário crédito junto da
Câmara de Goa. D. João III honrou-o com o título de Vice-Rei das Índias,
distinção suprema atribuída como reconhecimento dos seus gloriosos feitos de
armas. Porém, D. João de Castro morreu três semanas após ter recebido o
cargo e, por isso, não se cumpriu a sua disposição testamentária, na qual
pretendia ser sepultado perto da Capela de Nossa Senhora do Monte, na Penha
Verde.
No entanto, durante a sua conturbada vida, e enquanto permanecia no País, D.
João de Castro passava grandes temporadas na bela Quinta da Penha Verde,
onde, num acto de profundo desprezo pelos bens temporais, mandou arrancar
todas as árvores de fruto, deixando, pois, a vegetação selvagem crescer
livremente. Aí organizou um importante centro de cultura e de arte, onde
estanciaram, para além do Infante D. Luís, os maiores vultos renascentistas
em Portugal.
D. Álvaro de Castro, filho de D. João de Castro, foi "capitão-mor de mar" na
Índia, vedor da Fazenda e ilustre diplomata, tendo realizado missões em Roma
(1562-1564) e em Madrid (1570). Em Sintra, conservou a propriedade inculta,
cumprindo assim - entre outros - os votos de seu pai.
Posteriormente, o neto do Vice-Rei, D. Francisco de Castro (1574-1653),
bispo inquisidor e doutor em Teologia, fez erguer na Penha Verde as
capelinhas de Santa Catarina e de São João Baptista. Data do século XVII a
abertura da capela de São Brás, integrada na casa senhorial, bem como a
construção de algumas fontes e pavilhões.
António Saldanha de Albuquerque Castro Ribaflra veio a herdar por via
materna, a Quinta da Penha Verde. António Castro Ribafria foi governador de
Angola e, como recompensa dos serviços prestados à Pátria, D. João V fez-lhe
mercê. Falecido em 12 de Agosto de 1723,o seu coração foi inumado defronte
da capela de Nossa Senhora do Monte.
Em
1869, a
Quinta da Penha Verde foi hipotecada por António Maria de Saldanha
Albuquerque Castro Ribafria Pereira, terceiro conde de Penamacor. E, em
1873, a
propriedade foi adjudicada a Francis Cook, primeiro Visconde de Monserrate.
Já neste século, concretamente em 1913, Álvaro de Saldanha e Castro,
herdeiro da Quinta mediante partilha, vendeu-a ao segundo Visconde de
Monserrate. |
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PAÇO
DOS RIBAFRIAS |
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Localização
Rua
Consigliéri Pedroso, Sintra ("Vila Velha"), freguesia de São Martinho
Memória descritiva
O Paço
dos Ribafrias, erguido
em
plena
Vila de Sintra na primeira metade do século XVI, é composto por três
corpos dispostos em U.
Na austera fachada deste paço notam-se alterações ocasionadas por diversas
campanhas de restauro. Assim, evidenciam-se, para além das janelas
manuelinas, outras de cunho já pombalino. O acesso ao pátio interior
processa-se através de um portão circundado por uma singela cantaria
chanfrada.
Deveras significativo é o átrio abobadado, cujas ogivas assentam num
complexo jogo de arcos e nervuras, nascidos dos diversos ângulos: este átrio
encontra-se igualmente ornamentado cam tímpanos de temática medieval,
enquanto os fechos de abóbada se apresentam já concebidos segundo as
renovadas concepções artísticas da época. Destaca-se ainda a existência de
dois arcos de volta perfeita, suportados por colunas e capitéis
italianizantes, e ornamentados com volutas e carrancas: no capitel central
destaca-se a seguinte inscrição:
«Esta obra fez Pero Paixão no anno de myl e quinhêtos XXXIIII annos».
Um outro átrio, também abobadado por ogivas nervuradas, dá acesso à escada
que conduz à grande loggia. Nesta loggia, de estilo marcadamente
renascentista, destaca-se uma fonte com baldaquino, parcialmente revestida
por bonitos a azulejos mudéjares. Relevante é também a pequena colunata
em L. Uma
luxuriante vegetação completa este agradável cenário renascentista.
No mesmo friso existe uma outra loggia de menores dimensões, mas igualmente
graciosa. Aí a gramática decorativa renascentista caracteriza-se, no
entanto, pela sua sobriedade.
Na sala de jantar, bastante adulterada, subsiste um pequeno espaço
delimitado por três arcadas de volta perfeita, no mais puro estilo da
Renascença, encimadas por dois medalhões em alto-relevo esculpidos na
tradição de Chanterene.
- A Capela - desde há muito fechada e esvaziada de todo o seu recheio -
encontra-se estruturalmente integrada numa das alas do edifício; a sua traça
arquitectónica revela um vincado sabor manuelino.
Memória histórica
Gaspar
Gonçalves, de origens humildes mas detentor de fortuna apreciável,
beneficiou da confiança da Casa Real, o que lhe permitiu fazer uma exemplar
carreira. Assim, em 1518, El Rei D. Manuel designou-o porteiro-mor da câmara
real, posto que o obrigou a estabelecer-se com carácter quase permanente
em Sintra. Assim, no ano de 1534, Gaspar Gonçalves ergueu, perto do
Paço Real, a sua casa e capela.
Mais tarde, concretamente em 1541, já sob D. João III, foi-lhe outorgado o
título nobiliárquico de Senhor de Ribafria; e, em 1569, recebeu o cargo de
alcaide-mor de Sintra, lugar que durante várias gerações foi exercido por
membros da sua família.
André Gonçalves, filho de Gaspar Gonçalves, veio a casar com D. Luísa de
Albuquerque, facto que contribuiu sobremaneira para a consolidação da nóvel
linhagem dos Ribafrias. Foi também na casa da Vila que nasceu André de
Albuquerque Ribafria (bisneto do primeiro Ribafria), militar distinto, morto
em 1659 no cerco de Elvas, aquando da Guerra da Restauração.
Porém, em 1727, Pedro de Saldanha Castro Ribafria vendeu o seu paço a Paulo
de Carvalho de Ataíde, arcipreste da Santa Igreja Patriarcal, que o legou ao
sobrinho, Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marques de
Pombal, ministro plenipotenciário de D. José I e grande obreiro da
reconstrução de Lisboa - após o terramoto de 1 de Novembro de 1755. Desde
então, o Paço dos Ribafrias - também conhecido por “Casa Pombal” - tem
permanecido na posse da família Melo.
In
"Sintra Património da Humanidade" |
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“CHALET” BIESTER |
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Localização
Estrada
da Pena, freguesia de São Martinho
Memória descritiva
Ernesto
Biester encomendou um projecto para a sua casa de Sintra ao consagrado
arquitecto José Luís Monteiro, tendo confiado a decoração a Luigi Manini e
ao escultor Leandro Braga.
Nos telhados negros e íngremes - muito frequentes aos finais do século XIX -
sobressaem singelas mansardas. Um friso metálico remata-os de forma
elegante. Por outro lado, nas fachadas coexistem harmoniosamente elementos
de diversos estilos arquitectónicos e decorativos. No alçado principal, à
direita, ergue-se uma torre circular, rasgada por longas janelas neo-góticas
e coroada por um telhado cónico. O acesso principal ao edifício é marcado
pela existência de um alpendre. No interior da galilé, abrem-se dois arcos
divididos por uma graciosa coluna. O alpendre é encimado por uma varanda, na
qual surgem dois arcos idênticos.
Nos interiores, Manini revestiu amplos espaços com frescos, cuja temática
acaba por ser uma amálgama de gótico flamejante e das novas tendências que
despertavam na época. Assim, deparamos com pinturas de temática medieval,
mas de realização Arte Nova.
Em todas as divisões, sobre um fundo uniforme (beije no átrio, cinzento nos
salões, verde e azul na capela), encontram-se reproduzidos - com o auxílio
de um escantilhão - múltiplos e variados motivos: flores, ramagens.
diversos desenhos geometrizantes, figuras várias.
Neste contexto, ao cimo de uma bonita escadaria neo-gótica, um "hall" é bem
o exemplo da amálgama estética que já se salientou: nas paredes laterais,
duas figuras, uma jovem vestida de mousselina branca e um bravo cavaleiro,
aparecem frente a frente, de forma teatral; na parede frontal, vê-se o
cúmplice cúpido. Estas figuras estão enquadradas por uma profusa ramagem,
contendo certos elementos neo-clássicos.
Memória descritiva
O gosto
pelos chalets- arquitectura característica das regiões altas da Europa
Central e do Norte — nasceu em Portugal, no último quartel do século XIX,
como paradigma anacrónico de vilegiatura, designadamente em Sintra, Cascais
e no Estoril.
Neste contexto, em cerca de 1890, Ernesto Biester, rico comerciante de
origem alemã e desde há muito radicado em Portugal, elegeu para edificar a
sua mansão uma propriedade sita em Sintra (Estrada da Pena). A execução do
chalet – que tomou o nome do proprietário – revelou-se eclética. Para o
efeito, Biester rodeou-se dos mais expressivos artistas da época, o
arquitecto José Luís Monteiro (autor do singularchalet Palmela, em cascais)
e o decorador Luigi Manini (encenador do Teatro de São Carlos), que souberam
das ao conjunto uma harmonia e qualidade desusadas, quer ao nível da própria
arquitectura e decoração, quer no que se refere ao pleno enquadramento
paisagístico, porquanto se encontra completamente envolto num manto de
luxuriante e bela vegetação.
In
"Sintra Património da Humanidade" |
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QUINTA
DO RELÓGIO |
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Localização
Largo
da Quinta do Relógio, freguesia de São Martinho.
Memória descritiva
António
Manuel da Fonseca Júnior foi convidado por Manuel Pinto da Fonseca para
traçar o projecto da casa da Quinta do Relógio, entretanto por este último
adquirida. A casa foi erigida, em meados de oitocentos, e ostenta um vincado
sabor arabizante, presente em todo este singular conjunto arquitectónico.
O palacete então edificado é constituído por um pavilhão central de topo
ameado, ao qual se anexam dois corpos mais baixos. A exótica fachada
exterior foi pintada com fachas transversais que, na zona central, apenas
ocupam a metade inferior da parede; o restante espaço surge-nos aqui
ornamentado com pinturas florais e geométricas de nítida feição árabe.
No alçado principal da casa destacam-se sete curiosas janelas, sobrepujadas
por arcos
em
ferradura. Ao centro, subsiste uma galeria enquadrada por três grandes arcos
em ferradura, os quais são sustidos por delicadas e lisas colunas, encimadas
por capitéis decorados com motivos florais.
As riscas horizontais prolongam-se ao longo de toda a galilé, onde se abrem
três elegantes portas em ferradura, superiormente contornadas por frescos,
similares aos outros já referidos. Aí, entre as portas e as rosáceas que
respectivamente as encimam, destaca-se, pintada na parede — a branco sobre
fundo azul, e por três vezes repetida —, uma legenda árabe, divisa dos reis
mouros de Granada: «Deus é o único vencedor».
O parque desta Quinta não é grande. Porém distribuem-se, ao longo dos seus
jardins, variadas e raras plantas, tais como magnólias, camélias, aurocárias,
buxos, fetos arbóreos e fúcsias; as águas dos lagos encontraram-se
praticamente cobertas por enormes nenúfares.
Memória histórica
Esta
quinta foi, por legado de um padre jerónimo, propriedade do 15° Conde do
Redondo, D. José de Sousa Coutinho (1789-1 863). Mais tarde, o milionário
Metznar adquiriu-a e aí construiu a primitiva casa da Quinta do Relógio —
designação tomada de uma torre com sinos que dava horas ao som de diversos
minuetes, mas que entretanto se demoliu. Também o banqueiro Thomas Horn foi,
depois, seu proprietário.
Sob o reinado de D. Pedro V (1853 – 1861), a Quinta passou a novas mãos,
desta feita às de Manuel Pinto da Fonseca, rico aventureiro conhecido como
"Monte Cristo" (cognome extraído do célebre romance de Dumas, publicado em
1846) e antigo traficante de escravos.
Manuel da Fonseca, na esteira do espírito romântico — que em Sintra
revelaria a sua feição arquitectónica através da construção dos singulares e
exóticos palácios da Pena e de Monserrate —, mandou erguer na Quinta do
Relógio uma nova casa (a que ainda hoje subsiste), em exuberante estilo
arabizante.
Nos jardins da Quinta do Relógio encontra-se abundante vegetação exótica,
plantada desde logo pelos seus primeiros proprietários. Porém, o que deveras
fascinou o poeta inglês Robert Southey (1774- 1843) foi a imponência de um
magnífico e muito antigo sobreiro — porventura vetusto vestígio da flora
indígena —, sobre o qual escreveu: «Há (...) aqui uma árvore tão grande e
tão velha que um pintor deveria vir de Inglaterra só para a ver. Os troncos
e os ramos são cobertos de fetos, formando com a folhagem escura da árvore o
mais pitoresco contraste».
Na mansão erigida por Manuel da Fonseca passaram a “lua-de-mel”, rm 1886, D.
Carlos de Bragança e D. Maria Amélia de Orleans, futuros reis de Portugal.
Segundo a tradição, D. Amélia, igualmente fascinada com a velha árvore, terá
afirmado: «Vale mais a sobreira dos fetos do que Cascais e Estoris, tudo
junto». |
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QUINTA
DOS PISÕES |
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Localização
Largo dos Pisões, Sintra (Vila Velha”), freguesia de São Martinho.
Memória descritiva
A
Quinta dos Pisões apresenta urna fachada bastante irregular, podendo-se ali
observar grossas cantarias de pedra, rematadas no topo por um delicado
rebordo saliente. Ainda que a casa se encontre actualmente adulterada em
relação às suas origens, subsistem múltiplos conjuntos e vestígios da antiga
construção.
Assim destaca-se, pelo seu fino lavor, o magnífico portal renascentista da
entrada, datado de 1533, cuja decoração obedece a um complicado esquema
vegetalista. Esse pórtico que dá acesso a um pátio interior onde, à
esquerda, se eleva uma singular escada de pedra que conduz à antiga ala do
edifício subsistente. Encontram-se, também, algumas paredes parcialmente
forradas com azulejos mudéjares, característicos do período manuelino.
Memória histórica
A casa
da Quinta dos Pisões encontra-se presentemente algo adulterada. Porém, ainda
subsistem múltiplos elementos arquitectónicos e decorativos da primitiva
construção, a qual remonta ao século XVI.
Em 1665, os documentos referem José Leite de Aguiar e D. Sebastiana de
Meneses como seus proprietários. Mais tarde, parece que a Quinta pertenceu à
Casa Ducal de Aveiro. Segundo a tradição aí se reuniram por diversas vezes
os conjurados que, no dia 3 de Setembro de 1758, atentaram contra a vida de
D. José I. Como consequência da malograda tentativa de regicídio, os bens de
todos os implicados, inclusive dos Duques de Aveiro, foram confiscados e,
entre eles, a Quinta dos Pisões. Em 1810, esta propriedade foi adquirida por
Máximo José dos Reis, último capitão-mor da Vila, que veio a falecer em
1849.
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QUINTA
DO SALDANHA |
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Localização
Rua
Marechal Saldanha, Sintra ("Vila
Velha"), freguesia de Santa Maria e São Miguel,
Memória descritiva
A
estrutura do edifício da Quinta do Saldanha desenvolve-se
em L. A
fachada austera integra-se, de certa forma, no contexto da arquitectura
áulica tradicional da região, sobretudo no que respeita ao enfiamento das
janelas e à disposição dos telhados. Porém, aqui manifestam-se já alguns
sinais do neo-gótico, tão caro aos românticos.
Precede a branca fachada, onde se espalham pontiagudas janelas góticas, um
pórtico moldado ao jeito medieval, encimado por urna varanda de parapeito
condizente. O interior do edifício reflecte a dualidade entre a
medievalidade e o "moderno". Assim, ali destaca-se o cuidado arranjo dos
espaços, sobretudo a nível dos frescos que cobrem as paredes das principais
salas, cuja temática é de nítida inspiração medieval, ou ainda clássica, mas
onde se evidenciam características ambientais românticas. Nesse contexto
refira-se, pois, a pintura que ornamenta um quarto do primeiro andar «o
olhar alcança ao longe a Serra de Sintra, a
Pena, o
Castelo dos Mouros, e o
Palácio da Vila».
A capela integra-se no corpo nascente do edifício e detém idêntica
sobriedade, salientando-se apenas a existência, na fachada principal. de um
magnífico pórtico manuelino original, o qual provém do Convento da Penha
Longa.
Memória histórica
A
partir de 1820, João Carlos Gregório Domingues Francisco de Saldanha
(1790-1876), neto materno do Marquês de Pombal, passou a estanciar em
Sintra, quer porque a Corte
— que frequentava assiduamente — aí permanecia então largas temporadas, quer
porque se sentiu atraído pela beleza da região. Assim, em 1830, mandou
construir, a caminho do Arrabalde, numa quinta implantada sobre altaneiro
socalco da Serra e à sombra do Castelo, envolta em densa e rica vegetação,
uma casa de campo e capela, na qual passou parte da sua atribulada vida.
Saldanha revelou-se um grande político, diplomata e escritor, mas
notabilizou-se sobretudo como cabo-de-guerra;
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CONVENTO DE SANTA ANA DO CARMO |
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Localização
Eugaria,
freguesia de Colares
Memória descritiva
A
poucos quilómetros de Sintra, na encosta do ameno vale de Colares «que vay
acabar junto do Oceano, (...) um dos valles de mais renda, que do seu
tamanho ha em toda a Espanha, por ser todo povoado de viçosas arvores de
excellentes frutas de toda a casta, tam bastas entre si, que servem de
recreação à vista com a variedade das folhas, de que estão revestidas, &
diversidade de cores, sendo todas verdes» (Costa, 1712, I II: 46), na
localidade de Eugaria. situa-se o Convento dos Carmelitas Calçados de Santa
Ana (hoje propriedade particular), interessante exemplar de arquitectura
maneirista da primeira metade do século XVII e de decoração já de carácter
barroco.
Entra-se para o convento por um átrio localizado a Norte, na correnteza da
igreja, para a Casa da Portaria, uma ampla sala rectangular abobadada, que
dá acesso ao claustro maneirista, «hum claustro perfeitamente quadrado, com
boas columnas de pedra» (Stª Ana, II, 1751: 123), de ordem toscana. Os
alçados do claustro são constituídos por três arcos de volta perfeita que
assentam sobre quatro colunas, duas das quais, as dos extremos, aparecem
adossadas aos pilares de esquina. Numa zona da serra em que o sol permanece
por mais tempo e com maior intensidade, livre dos nevoeiros que
inesperadamente assolam a parte da
Vila de Sintra, este claustro, de uma tipologia que apesar de tudo não
deixa de evocar o renascimento, possui um ordenamento e uma espacialidade
arquitectónica embuída da ideia mediterrânica de horto (H. Correia, 1991),
realçada pela afirmação de um beiral avançado; de resto, refere Frei José de
Santa Ana em 1751, que as colunas do claustro cercavam «algumas arvores de
espinho», estas marcando, inequivocamente, a dimensão sagrada e penitencial
deste horto.
Deste primeiro claustro se alcança a Capela da Sacravia, maneirista, de
vincado gosto italianizante, de abóbada de berço com caixotões rematada, na
parede testeira, por um altar decorado com volutas que lembram as das
igrejas jesuíticas. As suas paredes são totalmente forradas com azulejos de
dois tipos: de "caixilho singelo" (branco e azul) e de "jóias" (amarelo e
azul sobre fundo branco), esta última tipologia em muito semelhante à que se
encontra na Igreja de São Roque de Lisboa (Barreiro, 1915: 163). Nesta
capela esteve sepultado um célebre carmelita. Frei Estêvão da Purificação e,
na parede do Evangelho, lê-se, numa lápide, o nome dos instituidores da
capela:
HESTA CAPELLA HE DE ANTONIO TRANCO
S0 CORREA E DE SVA MOLHER MARIA
IACOME A QVAL ELLES FIZERAÕ
A SVA CVSTA E A DOTARAÕ DE RENDA
E FABRICA CÕ OBRIGACAÕ DESTE CÕ
VENTO LHE DIZER TODAS AS SOMANAS
DO ANNO HVA MISSA DAS CHAGAS E HUA
CANTADA PELOS SANTOS PERA SEMPRE
ERA DE 1612
Fronteira à Capela da Sacravia, localiza-se a sacristia, sala ampla e bem
iluminada, de abóbada de berço, onde existem ainda o móvel onde outrora os
frades guardaram os paramentos — de que fazem parte quatro tábuas pintadas
com a representação de Santa Ana, São Joaquim, São Francisco e Santo
António, tendo ao centro, num nicho semi-circular, uma escultura de São
Pedro — e um conjunto de pintura sobre madeira, do século XVII, com cenas da
vida de santos, sobre um cadeiral. Nas paredes dos topos, duas telas figuram
Nossa Senhora com o Menino Jesus e dois frades (parede testeira) e um
Presépio. Esteve ricamente paramentada esta sacristia segundo o que escreveu
Frei José de Santa Ana a meio do século XVIII: «todas as suas paredes se
achaõ cobertas de paineis, e singulares laminas, que lhe servem de
permanente adorno. Os caixoens são bem obrados, e tudo o que nelles se
guarda para ornato da Igreja, e ministerio dos Altares, he perfeito» (St.a
Ana. 1751, II: 124).
No mesmo corredor a partir do qual se entra na Capela da Sacravia ou na
sacristia, está uma porta para ligação interna à igreja conventual.
Continuemos, porém, a percorrer as várias dependências monacais antes de aí
nos determos.
O segundo claustro, «que em comparação do primeiro he mayor, mais alegre, e
mais regular (...), com columnas de pedra bem lavradas entre distintos
arcos, sobre cada hum dos quaes ha uma janella rasgada» (St. Ana, 1751, II:
124). é um típico claustro maneirista de dois pisos — de alçados tripartidos
por dois contrafortes entre os quais se inscrevem dois arcos redondos
sustentados por uma coluna de vulto pleno e duas embutidas (piso térreo), e
janelas de varanda que se abrem entre os contrafortes e que formam a galeria
superior que dá para as celas. Uma fonte redonda ao centro e o jardim de
«muitas flores sobre curiosos alegretes» (Sta Ana, 1751, II: 124) que em
tempos existiu, voltam a confirmar a feição mediterrânica destes claustros
que quase se comportam como "pátios".
Numa das galerias do claustro maior situa-se a Capela de São Pedro, com um
magnífico altar de talha dourada e forrada, até aproximadamente a meia
altura das paredes, por painéis de azulejos de pintura azul figurando a
aparição de Nossa Senhora a um monge carmelita vendo-se, ao fundo, uma
igreja em construção que poderá representar, porque se não parece, uma
alegoria à edificação do cenóbio do Carmo de Colares. Estes azulejos foram
datados dos primeiros anos do século XVIII e com uma possível atribuição a
António Pereira ou António de Oliveira Bernardes (Santos Simões, 1979: 320).
É na galeria superior que se situa a cela de Frei Estêvão da Purificação,
transformada em capela dedicada a Nossa Senhora e que foi ricamente decorada
por volta de 1700, no tempo do provincial Frei João Baptista Rufino. Foi
então «cousa tão rara, que os mais peritos Artifices se admiraõ de ver a
singularidade do debuxo, e a subtileza do pincel» (Stª Ana, 1751, II: 125).
No mesmo lanço desta, na última cela, situava-se a Livraria do Convento. No
"Dormitório alto", as celas foram ocupadas hierarquicamente: no lanço poente
as da comunidade religiosa sendo a primeira a do prior do convento; no lanço
meridional está a casa chamada do fogo; e no lanço setentrional as dos
noviços.
É de referir ainda, entre as dependências conventuais, o refeitório — com
painéis de azulejos do século XVIII —, que dá para o jardim; e a Sala do
Capítulo, que serviu também de cemitério para os frades conventuais e onde
está sepultado Frei Estêvão da Purificação.
Este jardim tem a particularidade de ser o local onde existe a cruz que
serviu de inspiração a Alexandre Herculano para o seu célebre e último poema
A Cruz Mutilada, datado pelo escritor de 8 de Outubro de 1849. Na peanha
desta cruz, um marco territorial, podem ler-se as quatro seguintes
inscrições:
O BISPO
D ~ F
CHRISTOVÃ . MONIS
RELIGIOZO . DO
CARMO . SAGROV
ESTA IGREIA. THE
ESTE . LVGAR.
NO ANNO . DE 1528
DAQVI . FRONTEIRO
DA PARTE. DIREITA
THE. O CAMINHO
DA VILLA. Pª GIGA
ROS . HE. D . S . ANNA
CVIO . CAMINHO
SERVIA. NO
ANNO . DE 1556
DAQVI , Pª BAIXO
PARTE. S. ANNA. CÕ
MELIDES . E. AQVI . FOI
O ADRO. DO PR°
ORATORIO . DESTE
CÕVENTO. CVIA. FVN
DASAM TEVE . PRINCI
PIO. NO ANNO. DE 1457
O PE.
MESTRE. F. HIE
RONIMO . COELHO
MANDOV . RENOVAR
ESTA. MEMORIA
Pª LEMBRANÇA
DO QVE. ESTAVA
IA. ESQVESIDO
NO ANNO . DE . 1696.
A igreja conventual, com acesso interior pelo corredor da Sacravia que
desemboca no claustro grande e exterior pela fachada principal, é um templo
de nave única, com uma profunda capela-mor e duas capelas laterais que
formam um falso transepto. Trata-se, na prática, de uma igreja em cruz
latina, com abóbada de berço, que concretiza uma tipologia característica da
arquitectura da ordem carmelita, diferente, todavia, dos templos dos
carmelitas descalços (H. Correia, 1986, 6: 126) e na circunstância de um
cenóbio rural. Mas a própria fachada, embora tardia e exibindo já os valores
decorativos barrocos, mantém, na empena triangular e nas três janelas em que
a central é mais elevada, esta influência. O programa estilístico, todavia,
é percorrido por valores maneiristas - repare-se, por exemplo, nas pilastras
toscanas das capelas laterais e na cimalha que percorre toda a nave.
Na capela-mor, o retábulo barroco de trono sob um arco perfeito, tem ao
centro as esculturas de Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ladeados
de Santa Ana e São Joaquim e, num plano mais elevado, entre colunas de
capitéis coríntios, as estátuas de Santo Elias e de Santo Elíseo, sendo o
conjunto iconográfico rematado por duas representações escultóricas de Santa
Teresa de Jesus segurando o cálice do sangue de Cristo e Santa Margarida de
Pazzi. Este retábulo é proveniente da capela de Santa Ana do Convento do
Carmo de Lisboa (St.ª Ana, 1751, II: 117).
Por escritura de contrato de 23 de Agosto de 1612, D. Dinis de Melo e Castro
assegurou para si e para os seus herdeiros o padroado desta capela. Aqui
está este prelado sepultado, em campa rasa, com a inscrição:
Sª DE
DOM DENIS DE MELO DE=
CASTRO FILHO DE FRco DE=
MELO DE CASTRO . E. DE DONA
BRITIS NOBRE BISPO Q
FOI DE LEIRIA E DE VIZEU E=
DA OVARDA DO CONSELHO
SVA MGde E REGEDOR DESTE
REINO DE PORT VGAL FALc° A=
25 DE DEZEMBRO DE 1640
Em sepulturas rasas estão ainda sepultados nesta capela outros membros da
família Melo e Castro:
H.S.E
F . EMMANVEL DE
MELO DE CASTRO, ET
D. BEATRICIS NOBILIS,
DILECTVS FILIVS RE
LIGIONE, VIRTVTE,
AC IN SVOS SINGVL=
ARI PIETATE
HANC SEPVLTV=
RAM SIBI SOLI A(ED)IFI
CAV IT. D . 1 . 6 . 3 . 8.
Nas paredes da capela, inscritos entre arcos de alguma profundidade, estão
os mausoléus de Brás Correia (do lado do Evangelho) e de D. Pedro de Castro
(do lado da Epístola), com as respectivas inscrições tumulares:
ESTA CAPELA HE DE BRAS CORREA NOBRE
E NELLA SE DIS POR SVA ALMA HVA MISSA
COTEDIANA CÕ SEV RESP° HE PERA NO
ENTERRAR A MANDOV FABRICAR
E ORNAR E DOTOV DE. 50. MIL. RS DE RE
DA DINIS DE MELLO DE CASTRO SEV HERDEI
RO A Q PERTÊCE HO PADROADO E A SEVS HER
Dºs HE TODO HO MAIS DRtº Q SE CÕTE NO CON
TRtº Q FES CÕ OS RELIGos DESTA CASA Q ESTA
NO SEV CARTRO) E NA TORRE DO TOMBO.
D . O .
M.
PETRO DE CASTRO DNO DE FERRª, SANGVINHEDO
PARADA IESTOSO CARTEL PAM DE FREITAS, CEIXIL. PRAEFECTO ARÇIS DE MELGAÇO, ET
CASTRO LEBOREIRO,. Ã PROAVIS HABITIS CONIVGI D BE
ATRICI DE MELLO FILIO FRANCISCO DE ME
LLO EIVQ VXORI D BEATRICI NOBILI NE
POTIBVS EMANVELI, ET IOANNI DE MELLO
DIONISIVS DE MELLO DE CASTRO AVO INTEGERRIMO
PATRI OPTIMO FRATRIBVS . DESIDERATISSIMIS M . F.
As
capelas que formam o falso transepto são da invocação de Cristo, no lado do
Evangelho (esta capela foi até 1 706 de Santa Ana, data em que a escultura
com a sua representação foi trasladada para o trono do altar-mor) — de que
são senhores do padroado, por escritura de 30 de Janeiro de 1614, António
Rodrigues da Rocha e sua mulher Leonor Coelho (sepultados na nave) —, e de
Santa Luzia e cujo padroado é de Brites Vaz como pode ler-se na inscrição
que lá foi aposta:
CAPELLA DE BRITIS VÁS COM MISSA
DE OBRIGAÇAÕ CONFORME AO CON
TRATO A QVAL PAGOV DOTOV E FABRI
COV DA SVA TERÇA A MAIS FAZEDA E ERDOV
ESTE MOSTro POR PARTE DE SEV Fº O PR FR COSME
DOS Stos FALECEO A 7 DE MAIO DE 1614
Esta
igreja possui ainda, na parede do Evangelho da nave, um exuberante púlpito
barroco de bem já adiantado século XVIII e, pelas paredes, longos painéis de
azulejos azuis e brancos, da segunda metade do século XVII, com a
representação de torcidos, golfinhos e plantas.
Antes do resguardo do século XVIII, sob o coro, o chão da nave da igreja
está pejado de campas rasas com inscrições, onde acham sepultados
benfeitores do convento, um cavaleiro fidalgo da casa do rei D. Manuel,
capitães da vila de Colares. juízes e um dos mestres de obras do templo.
Memória Histórica
O
Convento de Santa Ana do Carmo de Colares é o segundo convento da ordem
carmelita em Sintra, depois da tentativa falhada de construção de um
primeiro cenóbio no termo da vila.
O primeiro convento foi fundado por Mestre Henriques, físico do rei D.
Duarte. Mestre Henriques, não tendo herdeiros e sendo um devoto da ordem
carmelita, pediu ao rei licença para instituir um convento num casal que
possuía no termo de Sintra, o Casal da Torre, antes chamado de Miguel
Joannes. Antes da licença régia, concedida por carta passada em Lisboa a 14
de Novembro de 1436, o físico havia já fundado uma pequena capela a que
chamava Oratório. Necessitando das rendas do casal para manter o seu
estatuto social de físico do rei e não podendo, pelas funções, ausentar-se
da corte de maneira a acompanhar as obras do futuro cenóbio, Mestre
Henriques explicitou no seu testamento que a nova casa religiosa só
começaria a ser construída após a sua morte. Com estas disposições concordou
o então provincial da ordem, Frei João Manuel, bispo de Ceuta, que aceitou
também ser o seu testamenteiro.
Morto Mestre Henriques em 1449, Gonçalo Pires Boto, procurador do
provincial, veio ao casal para tomar a sua propriedade. Tal apenas se
verificou quando os carmelitas foram detentores da autorização da rainha D.
Isabel, mulher de D. Afonso V (1438-1481), uma vez que Sintra e o seu termo
pertenciam à Casa das Rainhas de Portugal. Em
1450, a
herdade, os seus bens e as suas rendas entraram na posse do Convento do
Carmo de Lisboa, tendo Frei Constantino Pereira, sobrinho do Condestável D.
Nuno Álvares Pereira, sido escolhido para fundar o novel convento.
O lugar do Casal da Torre em breve todavia se mostrou inóspito, «assim pela
esterilidade da terra, só própria de pão, e de gados, como pela falta de
visinhos, que se podessem aproveitar das doutrinas dos Religiosos (...) [e]
por ser totalmente desabrigado [pois] nelle reinaõ com irreparavel furia os
ventos, que saõ nocivos á saude» (St." Ana, 1751, II: 96). A construção do
convento, ao tempo resumida à igreja — que ainda hoje existe—, foi
interrompida e, por doação de um terreno num lugar chamado Boca da Mata,
pertença de Sebastião Vaz e de sua mulher Inês Esteves, em 1457, os
religiosos carmelitas calçados transferiam-se para o sítio onde hoje está o
cenobio, «ficando pois o Convento no mais proporcionado lugar, que para elle
se descobrio (...), [a Serra que] apparece por alli ornada de muitas arvores
silvestres com gratas verduras, por causa da abundancia das aguas, que se
despenham, regando muitas produçoens» (St.a Anna. 175 1. II: 114).
A partir de 1457, o fundador Frei Constantino Pereira (m. l 464),. Frei João
de Santa Ana e os outros religiosos desbastaram mato, plantaram árvores de
fruto e construiram a cerca e um pequeno oratório da invocação de Santa Ana.
Impossibilitados de construírem um convento adequado e para o qual já havia
sido delineado um plano entre 1457 e 1463 - segundo informa Frei José
Pereira de Santa Ana (1751, II: 03) -, tornava-se vital uma fonte de rendas
para o eleito pelo que, em 1487, Frei João Dias, provincial da Ordem, doa ao
convento de Colares o Casal da Torre que era pertença do convento de Lisboa.
Novos meios ficaram à disposição do novo convento a partir de l508, quando
um dos frades carmelitas de Colares, Frei João de Santa Ana, é eleito
provincial da ordem e as esmolas recolhidas cm Cascais e em Sintra que davam
entrada no convento de Lisboa são transferidos para o de Colares.
Depois da resolução de problemas legais de atribuição do senhorio das terras
após a morte de Frei Constantino, a infanta D. Brites, mãe do rei D. Manuel
e Senhora da vila de Colares, concedeu aos carmelitas, em 1498, as terras
que lhe haviam sido solicitadas por Frei João Namorado, assim como em
1497 a
mesma infanta havia dado ao convento a mercê de não pagarem as «novidades»
da primeira sesmaria. O rei D. Manuel, em 1519, concede-lhes a mercê de
possuírem bens doados até ao valor de trinta mil réis, apesar de viverem em
terras pertencentes ao reguengo da Coroa.
À manutenção dos cultivos era essencial a água: D. João III, em 1556,
dá-lhes autorização para utilizarem a água que abastecia a vila de Colares
às segundas e terças feiras e Filipe III de Espanha (II de Portugal)
concede-lhes em 1605 o usufruto de uma nascente serrana que passava junto à
cerca e de que se aproveitavam também os frades do convento capucho.
O abandono do convento do Casal da Torre não se solucionou, todavia, do
ponto de vista eclesiástico e os problemas que colocou prolongaram-se até
1542, data em que um breve do papa Paulo III — no qual se refere que «o tal
edifício [o do casal da Torre] teve principio, nunca nella se bolio mais;
antes dentro das paredes, que haviaõ de servir para a Igreja, està um curral
de gado, sem que jamais nesse lagar se chegassem a celebrar os Oficios
Divinos» — transfere as obrigaçoes, nomeadamente a da missa por alma de
Mestre Henriques do primeiro para o segundo convento.
A construção do convento tal como está hoje, apesar da sagração da igreja em
1528 pelo bispo D. Frei Cristóvão Moniz, carmelita, decorreu sobretudo
durante o século XVII e sob o patrocínio mecenático de D. Dinis de Melo e
Castro, doutor
em
Direito Canónico
pela Universidade de Coimbra. Desembargador da Relação do Porto, da Casa da
Suplicação e do Paço, Bispo de Leiria, de Viseu e da Guarda e Regedor das
Justiças.
Na capela-mor da igreja do convento, construída a suas expensas, estão
sepultados outros membros desta família insigne: D. Pedro de Castro, seu
avô, alcaide-mor de Melgaço; D. António de Melo e Castro, seu irmão,
Vice-rei (1662-66) e Governador (1668-71) da Índia: e D. Caetano de Melo e
Castro, seu sobrinho-bisneto, Governador de Pernambuco, no Brasil
(1693-1702) e Vice-rei da Índia (1702-7). |
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CONVENTO DA TRINDADE |
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Localização
Rua da
Trindade, Arrabalde (Sintra), freguesia de Santa Maria e São Miguel.
Memória descritiva
O
Convento da Santíssima Trindade, fundado em finais de trezentos, sofreu
posteriormente várias campanhas de beneficiação, não subsistindo quaisquer
vestígios da sua construção original.
O pequeno claustro ajardinado, datado de 1570, apresenta-se como resultado
de uma renascença já abastardada. A arcaria do claustro é composta por
quatro arcos dóricos, repartidos em dois tramos por alçado. Sobre um dos
lados do claustro encontra-se uma galeria aberta, com colunas do mesmo
estilo. Porém, no refeitório e na dependência que eventualmente terá sido a
sacristia, podem observar-se ainda alguns antigos azulejos de inícios de
quinhentos. Após o terramoto de
1755, a
igreja foi parcialmente reconstruída e a sua proeminente fachada
setecentista domina hoje o conjunto.
A cerca do Convento escala e aninha-se no flanco da montanha; todavia apesar
de se encontrar hoje um pouco adulterada, não perdeu completamente o ar de
recolhimento e de meditação. Assim, encontram-se ainda dispersas ao longo da
cerca inúmeros nichos, cruzeiros, antigas fontes, inscrições e esculturas,
que embelezam todo o terreno circundante.
Memória histórica
Procurando levar uma vida espiritual, na maior pureza e recolhimento, no ano
de 1374 alguns anacoretas oriundos do Convento da Trindade de Lisboa
instalaram-se num frondoso e pictórico vale da Serra de Sintra. Entre
outros, destacamos Frei Álvaro de Castro, filho do 1° Conde de Arraiolos, e
Condestável do Reino; Frei João de Évora, confessor do Rei D. João I e
futuro Bispo de Viseu; e Frei João de Lisboa, director espiritual da Rainha
D. Leonor.
O primeiro domicílio destes anacoretas foi a Ermida de Santo Amaro, sita
dentro da actual cerca do Convento e, ainda, algumas grutas que se
espalhavam pela Serra.
Em 1400, D. João I mandou erigir o primitivo convento, sob a protecção de
seu confessor, na altura Frei Sebastião de Menezes. Dado este ter sido
edificado na antiga Ermida de Santo Amaro, a construção padeceu de inúmeros
defeitos na sua arquitectura e, em poucos anos, começou a ameaçar ruína, o
que levou os religiosos a abandoná-lo progressivamente. Por volta de 1500,
D. Manuel reconstruiu-o.
Durante a Contra-Reforma, Frei Baptista de Jesus edificou-o novamente, mas
já no local onde hoje o podemos ver. Em 1755 ruiu parcialmente, datando
grande parte da actual construção da segunda metade de setecentos. |
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CONVENTO DE SANTA CRUZ DOS CAPUCHOS |
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Localização
Serra
de Sintra, freguesia de Colares.
Memória descritiva
Ao
Convento de Santa Cruz dos Capuchos, vulgarmente apenas conhecido como
Convento dos Capuchos - construído, como escreve em 1728 um dos cronistas da
Ordem, Frei António da Piedade, «entre matos densos, penedos altos, e
silvestres árvores, que neste seu maior retiro produz a Serra mais copiosa»
(II: 244) -, se ascende por uma entrada constituída por dois grandes blocos
de pedra que o acaso da natureza quase dispôs em arco e que a mística
franciscana destes frades aproveitou, como se de um
ex-libris
introdutório da sua vivência se tratasse.
Uma grande cruz de pedra, logo após esta entrada, nomina a invocação do
cenóbio. E sob a sombra espessa das árvores centenárias que se transpõem uns
degraus reduzidos e toscos que por ambos os lados contornam esta cruz e dão
acesso ao terreiro. Aqui, a cada lado de uma nascente natural que os frades
aproveitaram, foram colocadas duas mesas rodeadas de bancos de pedra que a
tradição panegirística, embora infundada, refere como local de descanso do
rei D. Sebastião nas ocasiões em que por Sintra andava e ao convento se
deslocava. A nascente se apôs uma pia de pedra enquadrada por painéis de
azulejos, decorados com motivos geométricos, que devem datar, pela
policromia azul e amarela, já do século XVII. Este terreiro é o último
espaço de luz plena e natural antes da penumbra e da escuridão que dominam
todo o interior desta casa religiosa.
Ante o conjunto do convento que deste terreiro já se percebe, referiu-se-lhe
Raul Brandão, quando lá esteve, como «uma coisa ao mesmo tempo cheia de
humildade e de grandeza (...) [que] fica ao cabo do mundo, suspenso entre a
abóbada do céu e a planície ilimitada. Descobre-se ali tudo quanto há de
grande - o céu, a terra, o mar, sem deixar de ser recolhido e íntimo (...).
Silêncio, árvores desgrenhadas ao fundo um telheiro que é o adrozinho do
convento» (1924: 531).
A portaria do convento, um simples telheiro com tecto e traves de madeira
forrada de cortiça, do imediato elucidam acerca da pobreza e do rigorismo
ascético que orientaram esta construção rústica e primitiva. Deste adro onde
já a sombra vai tomando o seu lugar se tem acesso, à direita para uma capela
e, à esquerda, para a igreja conventual e para um corredor tortuoso e escuro
que conduz ao pátio interno.
A capela do lado direito, da significativa invocação do Senhor dos Passos —
o Calvário que se avista — totalmente revestida, no seu interior, por
azulejos do século XVIII — datados de cerca de 1740 (Santos Simões, l979:
320) — é ladeada por dois minúsculos confessionários que não ressaltam da
parede para o adro mas antes fazem parte integrante da capela e são, na sua
totalidade, também azulejados. Os azulejos da capela, pintados a azul,
representam, nas paredes laterais as cenas da Flajelação de Cristo e da sua
Coroação de Espinhos e, na abóbada, os símbolos da Paixão e estrelas. No
interior ainda, encimando a porta, a pintura de Cristo Crucificado completa
um programa iconográfico que se acorda com os ideais mortificadores e
espirituais desta ordem de regra franciscana.
Na
parede testeira da portaria, de novo a presença dominante do principal
símbolo da Paixão - uma cruz de madeira, contornada na sua zona superior por
conchas embrechadas em argamassa, que é o suporte de uma pintura do século
XVII representando um frade capucho crucificado. Umas escadas reduzidas,
talhadas na rocha, com um resguardo embrechado de conchas que se poderá
datar do século XVIII, dão acesso a duas reduzidas dependências
(confessionários) cujas portas, revestidas de cortiça, se situam,
simbolicamente, sob os braços da cruz. Ao centro do muro semi-circular de
sustenção das escadas foi aberto um nicho de arco perfeito onde esteve, pelo
menos até cerca de princípios dos anos vinte do nosso século, uma estátua
jacente de Santa Maria Madalena. Raul Brandão, no Guia de Portugal (1924:
532), ainda refere esta «Senhora [que] dorme encantada entre conchas e
azulejos».
Incrustada nas paredes da portaria existe, ainda, iconografia relativa a
Nossa Senhora e à Ordem dos Capuchos. Assim, na parede direita, um nicho
renascentista quadrado de pouca profundidade e perspectivado com a
representação, em alto-relevo, de Nossa Senhora com o Menino Jesus e o que
poderá considerar-se como a efígie do fundador do convento, D. Álvaro de
Castro, sobre cuja cabeça assenta a mão direita do Menino e, no tímpano do
frontão triangular, um Cristo Pantocrator segurando o globo do mundo na mão.
Na parede esquerda, um alto relevo também renascentista, em que figura uma
Nossa Senhora sentada com o Menino ao colo e seis anjos segurando o
reposteiro de um dossel. Sobre a porta da igreja conventual, uma cruz de
conchas remata a lápide com a inscrição:
LOVVADO
SElA
O SANTISSIMO
SACRAMENTO
E, sobre a porta do corredor que dá para o pátio, outra cruz executada no
mesmo material erguida por cima de uma caveira e dois ossos cruzados —
conjunto icónico que remete para as formas de culto características da
segunda metade do século XVI e para o pietismo capucho.
Na portaria está sepultada D. Maria de Noronha (m. 1684), viúva de D. Álvaro
de Castro, terceiro padroeiro do convento.
A igreja do convento, à direita, é de uma espacialidade impressionante: de
uma só nave de dimensões reduzidas, coberta por uma abóbada de canhão
revestida de estuque e pelo bojo pesado de uma enorme rocha, tem como única
decoração consentida um pequeno retábulo de mármore — no qual se
enquadraram, em tempos, as estátuas de S. Francisco e de Santo António com o
Menino Jesus - e o respectivo altar cujo frontal é formado por um painel de
embutidos. O conjunto, que Frei António da Piedade descreveu em 1728 como um
«retavulo (...) de pedra polida, feita ao moderno», poderá datar-se dos
últimos decénios do século XVII ou do princípio do século XVIII. Este
retábulo assume-se, de facto, como o único elemento de alguma "modernidade"
num universo todo preenchido por um conceito de ancestralidade e de
primitivismo cristãos. Embutida na parede, do lado do Evangelho, uma lápide
do século XVIII, sobrepujada pelo brasão dos Castros inscrito numa cartela
barroca, atesta a fundação do convento por O. Alvaro de Castro. filho de D.
João de Castro, Vice-Rei da Índia:
D . ALVARO DE
CASTRO DO CONS.° DE ESTADO, E VEDOR DA FAZ.ª DEL REY D SE BASTIAÕ FVNDOV
ESTE CONVENTO POR MANDADO DO VISOREY . D . IOAO DE CASTRO SEV PAY ANNO 1S60:
O PADROADO DOS SVCESSORES DE SVA CASA.
O ALTAR DESTA
IGRE.ª HE PRlVILEGIADO TODOS OS DIAS A QVAL QVER SACERDO TE QVE NELLE
CELEBRAR TODAS AS PESSOAS QVE CONTRITAS E CONFESSADAS 0V CÕ PROPOSITO DE SE
CONFESSAR, VISITAREM ESTA IGR.ª NA FESTA DA INVEAÕ. DA. S . CRUZ DESDAS
PRIMEIRAS VESPORAS ATE O SOL POSTO DO DIA E ROGAREM A DEOS POLA PAZ ENTRE OS
PRINCIPES CHRISTAÕS, EXTIRPAÇAÕ DAS HERESIAS EXALTAÇAÕ DA. 5. MADRE IGR.ª E
POLA ALMA DE. D. IOAÕ DE CASTRO GANHAÕ INDVLG.ª PLEN.ª E REMISSAÕ DE SEVS
PECCADOS ESTAS INDVLG.ªS . CÕCEDEO O PAPA PIO 4º ANNO DE 1S64 A INSTÃCIA DO
MESMO. D. ALV° DE CASTRO, SENDO EMBAIX.ºR E ROMA
A partir do lado do Evangelho da capela-mor, degraus esculpidos na pedra da
serra conduzem a uma exígua ante-câmara, toda forrada de cortiça, e
iluminada por duas janelas situadas nos dois panos de parede que confluem
para a rocha.
Após esta sala, é numa luminosidade rarefeita que se desenvolve toda uma
arquitectura de negação do terreal; o resto do convento cujas dependências
se dispõem ao sabor das irregularidades da natureza, num plano ligeiramente
superior ao qual se tem acesso por uma série de grupos de pequenos degraus.
É neste segundo nível, dispostas ao longo de um estreito, irregular e escuro
corredor onde irrompe parte de um grande penedo, que se situam as celas «tão
estreitas, que ordinariamente os seus habitadores dormem encolhidos, e
alguns mandaraõ abrir na rocha, que lhes serve de parede, buracos para
acommodares os pés>» (Piedade, 1728. II: 245) -, a livraria (a dependência
com maior iluminação natural), o quarto dos doentes (sem luz directa), o
refeitório (cuja mesa, levantada a um palmo do chão, é formada por uma
enorme laje de pedra mandada arrancar da serra pelo Cardeal-Rei D.
Henrique), a cozinha, o quarto do prior e a Sala do Capítulo (com um banco
corrido forrado de cortiça e, numa das paredes, um nicho onde esteve uma
imagem de Nossa Senhora). A dependência das latrinas tem um acesso pelo
exterior, paralelamente ao núcleo do dormitório. Pelo interior do convento
ou por um corredor que se inicia na portaria, se chega ao pátio interior,
adornado ao centro por uma fonte de pia hexagonal, destinado ao recreio dos
frades.
Neste corredor existem duas esculturas de frades capuchos enterrados na
rocha até à cintura.
Com a frontaria ornamentada por dois frescos (de cada lado da porta)
representando São Francisco e Santo António datados do século XVII e
atribuídos ao pintor André Reinoso (Serrão, 1989: 58), está a Capela do
Senhor Morto, mandada construir pelo Cardeal-Rei D. Henrique, que aí ficava
quando se deslocava ao convento, servindo-lhe de cela a pequena sacristia.
Sobre ambos os santos, numa tira, está pintado o tradicional dístico capucho
LOVVADO SElA O
SANTISSIMO SACRAMENTO.
Pelo terreno da cerca do convento localizam-se ainda a gruta do célebre Frei
Honório de Santa Maria - que os panegiristas aí referem ter vivido durante
trinta anos na mais absoluta penitência — identificada com a inscrição:
HIC. HONORIVS.
VITAM. FINIVIT.
ET. IDEO . CVM
DEO
VIVAM . REVIVIT
OBIIT ANNO
DE 1S96
e uma capela com cerca de dois metros de altura, de abóbada de berço
pintada, paredes azulejadas e que conserva no seu interior uma imagem de
Cristo com vestígios de tinta vermelha. Vários nichos dispersos pontuam,
ainda, toda a mata incluída nesta cerca.
Memória histórica
O
Convento de Santa Cruz dos Capuchos foi mandado construir por D. Álvaro de
Castro (1525-?), Conselheiro de Estado de D. Sebastião e Vedor da Fazenda,
no ano de 1560, em resultado do cumprimento de um voto de seu pai, D. João
de Castro (1500-1548), o quarto vice-rei da Índia (1545-48) que encontramos
ligado, também, à
Quinta da Penha Verde, local para onde se retirava sempre que estava
em Portugal. Morrendo
em Goa, vítima de uma doença que subitamente o acometeu, impossibilitado de
concretizar o voto que fizera, delegou-o em seu filho.
Na formulação da sua arquitectura e no rigorismo da sua regra franciscana, o
convento capucho de Sintra é um dos múltiplos exemplos da religiosidade
pietista do século XVI em Portugal e a sua fundação entronca no ambiente de
reformismo religioso que se iniciara, embora sem resultados práticos
assinaláveis, ainda durante o reinado de D. Manuel I. Da reforma
congreganista manuelina fazia parte, também, a fundação de doze mosteiros
jerónimos, iniciativa autorizada em 1501 pelo Papa Alexandre VI, mas
falhada, tendo-se fundado apenas os da Pena, na Serra de Sintra (1508), e
das Berlengas (1513) (Silva Dias, 1960: 98-99).
O estabelecimento da Ordem dos Capuchos em Portugal foi trabalhoso. A Ordem
fora fundada em Espanha, em Vila Nueva del Fresno, por Fr. João de
Guadalupe, com a instituição da Custódia do Santo Evangelho, em finais do
século XV, como reacção aos Observantes. A luta entre as províncias e as
custódias, saldou-se por um triunfo daquelas e é assim que, em 1500, Fr.
João de Guadalupe se encontra
em
Portugal. A
partir desta data os capuchos contaram com o apoio do Duque de Bragança, D.
Jaime, que lhes fundou o primeiro convento no nosso país, o da Piedade,
perto de Vila Viçosa. Porém, seja porque continuaram a ver-se perseguidos
pelos observantes espanhóis, seja pela vasta conjuntura da política ibérica
de D. Manuel, acabaram por ser expulsos em
1503. A
simpatia que granjearam junto da Casa de Bragança, em Portugal, e do Cardeal
Alpedrinha, em Roma, possibilitou-lhes o regresso em 1505.
Em 1508, o priorado da Piedade possuia o estatuto de custódia autocéfala e,
em 1539, foi criado sob a iniciativa do Duque de Aveiro, D. João de
Lencastre (que obteve em Roma as autorizações necessárias para fundar o
convento da Serra da Arrábida) —o priorado da Arrábida. A partir de 1568,
dada a multiplicação do número de conventos, foi criado o priorado de Santo
António, composto por conventos de recolhimento, de que fazia parte o então
recente convento de Santa Cruz da Serra de Sintra.
A expansão da Ordem dos Capuchos em Portugal só se verificou, pois, já no
contexto cultural do humanismo pietista do reinado de D. João III
(1521-1556), muito diferente do humanismo positivo que dominara o tempo de
D. Manuel I, e o seu enraizamento enquanto congregação foi mais tarde
completado, com a protecção das Casas de Bragança e de Aveiro e do
Cardeal-Infante D. Henrique.
O Convento de Santa Cruz de Sintra é um desses conventos eremíticos de
freires arrábidos que concretizam, por via de uma arquitectura despojada até
ao essencial e ao limite da sobrevivência e de uma vivência baseada na
pobreza e na mortificação, a recuperação mística de características ainda
tardo-medievais da regra franciscana no seu maior rigorismo espiritual.
Correspondendo a uma reforma exemplar do congreganismo português e
constituindo-se em exemplo de vida para outras ordens, este pietismo —ao
qual não é estranho o conhecimento do pietismo capucho italiano (Silva Dias,
1960: 150)—, considerado expoente de virtudes cristãs, foi acalentado por
nobres e reis. O convento serrano de Sintra, no qual «se gastaram em toda a
fabrica (...) sómente cem cruzados (...) sem beneficio nenhum da arte»
(Piedade, 1728,II: 244), ficou famoso pelo extremo da sua pobreza, seja a da
construção — «neste ainda hoje resplandece a pobreza com que se fundou,
assim no tosco das paredes, como na vileza da materia de que he forrado, que
he de cortiça mal polida», seja a da regra de vida — «os guardanapos são de
estopa muito grosseira, as pucaras por onde bebem, alcatruzes de tosco
barro; e de carne se guarda perpetua abstinencia; e
em
muitas Quaresmas
e Adventos se não comia cousa guizada ao fogo» (Piedade, 1728, II: 245).
A celebridade da piedade capucha era motivo de atracção para os fiéis em
festas de grande significado católico, como era a da Invenção da Cruz, em
relação à qual D. Álvaro de Castro conseguiu do Papa Paulo IV, quando esteve
em Roma por embaixador (1562-64), a indulgência plenária para quem, nesse
dia, rezasse pela paz entre os reis cristãos, pelo fim das heresias e pela
exaltação da igreja. Esta prorrogativa papal encontra-se explicitada na
lápide aposta à parede da igreja conventual, como acima ficou transcrito.
O limiar de pobreza e abnegação vivido pelos frades capuchos do convento de
Sintra motivou de Filipe II, por ocasião da visita que aí fez no Outono de
1581, o significativo comentário deque, por comparação com o mosteiro
jerónimo da Pena, aquele humilde cenóbio seria concerteza o da Glória - «allá
es
la Pena,
aquí es la Gloria».
De favorecimentos régios contou o convento com alguns: D. Catarina, mulher
de D. João III, com frequência lhe fazia chegar alimentos, de que os frades
guardavam o que consideravam estritamente necessário; D. João IV, ainda
duque de Bragança (esteve mais tarde no convento, já rei, em Outubro de
1654, por ocasião de uma visita a Sintra cuja entrada foi comemorada com
assinalável pompa), ordenou que do Almoxarifado de Cascais fosse concedido
aos frades capuchinhos da Serra seis dúzias de pescadas, de cações secos, e
todo o peixe julgado necessário para o dia da festa de São Francisco; D.
Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV, fez-lhes mercê de um moio de trigo e
de uma arroba de cera lavrada todos os anos; D. Pedro II redobrou a dádiva
de D. Luísa de Gusmão e D. João V concedeu-lhes uma pipa de azeite por ano.
Para a mentalidade romântica, que subentendia, no sonho ou no desespero, a
vivência ou a participação simbólica do meio natural, este antro de
abnegação em plena natureza constituía um espectáculo tétrico, perverso
mesmo, no qual a arquitectura, pelo quotidiano que fazia antever,
representava a face mais arrepiante. Não admira, pois, que a maior parte dos
viajantes do final do século XVIII e do princípio do século XIX considerem o
convento capucho, como CarI Israel Ruders, em 1798, «feio e insignificante»,
ou Burnswick, em 1882, «situado no centro duma triste solidão, rodeado pela
aridez, e açoutado pelos vendavaes (...), este pequeno mosteiro aberto na
rocha e contendo umas doze cellas nas quaes [mal] se podiam mover os seus
desgraçados habitantes».
O que o século XVI fixara - uma arquitectura pobre, uma vida de contemplação
(a oração mental é uma das vertentes do pietismo capucho e que chega a
infiltrar-se na prática de outras congregações, como foi o caso dos
Jesuítas) e sofrimento — é para o século XIX um "belo-horrível" demasiado
verdadeiro para poder ser romântico. G. Le Roy Liberge perguntava-se, cerca
de 1910, como tinha sido possível seres humanos terem vivido naquelas
condições e, antes dele, Ruders, depois de visitar o convento, desabafou com
alívio: «é com prazer que tomamos, de novo, o belo caminho que conduz a
Sintra».
Habitado ainda com toda a certeza nos finais do século XVIII, o Convento de
Santa Cruz dos Capuchos deve ter sido abandonado apenas em 1834, com a
extinção das ordens religiosas que o regime liberal determinou. |
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SÍTIO
CALCOLÍTICO DA PENHA VERDE |
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Memória histórica
As primeiras recolhas de materiais efectuados no local remontam ao ano de
1949. Mais tarde, em 1957-58 escava-se e publicam-se os dados relativos ao
Povoado da Penha Verde. Identificaram-se as seguintes ocupações: (1) -
caracterizada por uma indústria microlaminar epipaleolítica. (2) -
Calcolítico Médio; e (3) - Calcolítico Final, onde se acolheram as novidades
da Idade do Bronze. Para este último contexto foi obtida uma datação de C
14, a
qual aponta para
1450 a.C..
Esta última fase é sem dúvida, a melhor representada. Além disso, as
evidentes semelhanças que revela nomeadamente com contextos do Estuário do
Sado - com paralelos próximos no Castro da Rotura - ilustra bem a existência
de contactos entre aquela área e o povoado em análise.
Memória
descritiva
O povoado situa-se num cabeço conhecido pelo topónimo Penha Verde (cota
altimétrica:
360 m)
entre um caos de blocos graníticos. Contrastando com o ambiente geológico em
que se implanta o povoado, todas as estruturas até agora postas a descoberto
encontram-se construídas com lajes de calcário: duas casas de planta
circular com corredor, um silo parcialmente escavado na rocha, uma calçada
formada por lajes que dá acesso à casa n° 2 e circunda o silo, além de
fundos de cabana na base do morro, e troços de muralha que preenchem os
intervalos entre os penedos graníticos do cume.
Do espólio exumado, salientam-se as cerâmicas lisas e decoradas (folha de
acácia e campaniforme); utensílios de osso (espátulas, cabos de instrumento,
alfinetes, falange de bovídeo afeiçoada); sílices (pontas de seta, elementos
de foice, lascas, lâminas e núcleos); machados; enxós; mós; contas de pedra
verde; ocre; um alfinete de ouro; uma lâmina de punhal de cobre, pontas de
tipo Palmela, um punção e escórias.
In
"Sintra Património da Humanidade" |
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MONUMENTO DA BELA VISTA |
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Localização
Quinta
da Bela Vista, freguesia de Colares.
Memória descritiva
Implantada sobre um cume não muito elevado da vertente Norte da Serra de
Sintra, com excelente domínio de paisagem sobre a plataforma calcária que se
estende mesmo para além da foz da Ribeira de Colares, encontra-se a
sepultura pré-histórica da Bela Vista.
O monumento foi construído sobre um caos de blocos de granito e integra,
parcialmente, afloramentos rochosos na estrutura. Assim, a planta composta
por câmara circular e corredor, comum aos
tholoi
calcolíticos, aproveitou as condições naturais existentes no terreno, tendo
sido usados muros de lajes delgadas para revestir e preencher as aberturas
naturais existentes entre os blocos. Toda a construção está coberta por uma
enorme pedra que dificilmente teria sido transportada pelo homem, pelo que
se supõe já permanecer nesta posição quando o pequeno abrigo natural foi
transformado em espaço de enterramento. Existem vestígios no terreno da
estrutura tumular primitiva, nomeadamente das aglomerações pétreas que
faziam parte da mamoa.
Durante a escavação foi possível distinguir três camadas, correspondendo a
mais profunda à mais antiga ocupação documentada, ou seja, à fase final do
Calcolítico caracterizada pela presença de cerâmica campaniforme e que
corresponde à construção deste espaço sepulcral colectivo.
Além da cerâmica lisa, foram recolhidos fragmentos de seis vasos
campaniformes e cinco taças tipo Palmela com decoração incisa e pontilhada.
De entre o restante espólio associado aos enterramentos salientam-se,
exceptuando os recipientes cerâmicos, as lamelas, lâminas, raspadeiras e
lascas de sílex, os artefactos sobre quartzo, o machado de pedra polida de
secção circular, as contas de pedra verde e âmbar, o botão de osso, a ponta
de cobre tipo Palmela e a espiral de ouro.
Indirectamente documentados pelas oferendas funerárias, dos enterramentos
restam ainda alguns ossos e dentes humanos. Ao mesmo contexto pertencem os
restos faunísticos, mamalógicos e malacológicos exumados.
Memória histórica
O monumento pré-histórico da Bela Vista foi identificado na década de 50
deste século. Em 1957 procedeu-se à primeira intervenção arqueológica no
sítio através da abertura de uma vala de sondagem, que evidenciou tratar-se
de uma sepultura pré-histórica ocupada durante a fase final do Calcolítico.
Apenas dois anos mais tarde foi possível escavar o interior do espaço
funerário, nomeadamente a câmara e o corredor. Entre 1957 e 1959, esta
sepultura colectiva foi objecto de uma violação que afectou
significativamente a conservação dos contextos. |
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DEPÓSITOS DÁ IDADE DO BRONZE DO MONTE DO SERENO |
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Localização
Monte
do sereno (Serra de Sintra), freguesia de São Pedro de Penaferim
Memória descritiva
Os
depósitos do Monte do Sereno situavam-se a Nor-Nordeste da Ermida de Santa
Eufémia da Serra e a Sudoeste do
Castelo dos Mouros.
Tratava-se, na realidade, de dois distintos conjuntos: um, constituído por
cinco artefactos de pedra polida (quatro machados e uma enxó), sem vestígios
de uso; outro, por dois artefactos de bronze (uma lâmina e um machado de
talão e argola). Os depósitos foram descobertos a cerca de 12 m um do
outro.
Memória histórica
Encontrado ocasionalmente em 1926, quando se procedia à abertura de caboucos
para a construção de um edifício, os depósitos do Monte do Sereno
integram-se cronologicamente no Bronze final, tanto pela tipologia dos
artefactos metálicos, como ainda pelas características dos instrumentos de
pedra polida.
A presença do machado com talão e argola indica a existência, na região de
Sintra, de relações e contactos com regiões setentrionais, nomeadamente com
o chamado Bronze Atlântico. A grande dimensão e o bom estado de conservação
dos materiais pétreos fazem pensar numa época avançada, em que estes
artefactos possuíam já um cariz meramente votivo, Este tipo de jazida, por
seu turno, encontra-se documentado noutras áreas do Ocidente Peninsular
[Depósitos de Nossa Senhora da Guia (Viseu), do Alio da Serra (Arganil), do
Porto cio Concelho (Mação), entre outros].
In
"Sintra Património da Humanidade" |
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SÍTIO
ROMANO DA “VILA VELHA” DE SINTRA, VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA
FERRARIA |
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Localização
Sintra
("Vila Velha"), freguesia de São Martinho.
SÍTIO ROMANO DA “VILA
VELHA” DE SINTRA
Memória
descritiva
Os vestígios romanos detectados no aglomerado urbano sintrense são, de certo
modo, escassos se bem que inequívocos e facilmente datáveis.
Resumem-se, no seu conjunto, a pouco mais de uma dezena de peças, entre
artefactos de bronze, de cobre e cerâmicas, destacando-se dentre eles o
carneiro votivo descoberto no Arraçário; uma moeda de cobre datada do século
IV d.C. proveniente dos Silos da Rua Gil Vicente; e os preciosos materiais
exumados no prédio n° 14 da Rua das Padarias, os quais, pelo facto de terem
sido encontrados ainda in loco, se revestem de uma importância crucial.
Saliente-se, dentre estes, um fragmento de travessa de Terra Sigillata Clara
D, tardia, atribuível aos séculos V-VI d. C., uma moeda muito desgastada de
provável cronologia situada nos finais do século IV – inícios do V d. C.,
duas pontas de fuso em bronze e alguns fragmentos de boca de ânfora, para
além de um troço de muro, de aparelho irregular e parcialmente destruído,
mas muito semelhante a outras estruturas postas a descoberto em estações
romanas da mesma época sitas noutras áreas da região de Sintra.
Memória histórica
No próprio aro urbano e mesmo sub-urbano da
Vila Velha de Sintra, muito poucos são os achados
atribuíveis à época romana. A maior parte das descobertas pré-medievais
remontam sobretudo ao Neolítico e ao Calcolítico, tendo-se inclusivamente
chegado a duvidar durante muito tempo da existência de uma efectiva presença
romana.
Todavia, há já muitos anos, foi encontrado no Arraçário, por detrás do
Paço Real, um carneiro votivo de bronze, de segura
cronologia e fabrico proto-históricos - ou mesmo romanos -, não sendo este
achado, no entanto, suficiente para afastar as referidas dúvidas. Mais
tarde, entre os materiais recolhidos nos silos da Rua Gil Vicente,
identificou-se um novo vestígio romano, desta feita uma moeda imperial
datada do século IV d.C..
Mas foram apenas os materiais exumados na campanha de escavações efectuadas
sob o prédio sito à Rua das Padarias, n° 14, em 1985, que confirmaram, pela
sua conservação in loco, a inequívoca ocupação romana de Sintra.
VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA FERRARIA
Memória
descritiva
A hipotética via e necrópole romanas supracitadas situam-se sob as actuais
Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade, dentro da malha
urbana da Vila de Sintra e do Arrabalde. A sua possível existência apenas
pode deduzir-se através da referência a uma inscrição funerária
provavelmente do século 11 d.C., patente no C.I.L. II 309 (DIS . MANIBVS/L .
LOREI . L . F . GAL/MAXIMI . ANN . XVI) e descoberta no século XVI incluída
numa porta lateral da Igreja Matriz de Santa Maria de Sintra; bem como
através de um fragmento de capeamento romano com idêntica datação e
recentemente detectado (1990), o qual se encontrava reaproveitado como
material de construção numa parede de um edifício sito à Rua da Ferraria, n°28.
Memória histórica
Como é sabido, as necrópoles romanas estendiam-se ao longo das vias. Não
interessaria muito a maior ou menor importância dessas estradas, mas
sobretudo a sua proximidade relativamente a um habitat. A presença, durante
o século XVI, de uma inscrição funerária romana reaproveitada entre os
paramentos da
Igreja de Santa Maria, não nos indica, por si só, qualquer
necrópole romana ou via locais, porquanto poderíamos estar perante uma
simples recolha efectuada algures por um clérigo erudito, facto que é
extremamente comum naquela época e por todo o lado. Porém, a recente
descoberta, sob o tecido urbano da Vila de Sintra, de alguns vestígios
romanos, induzem a acreditar na necessidade local de uma necrópole coeva.
Esta hipótese foi aparentemente confirmada pela detecção, igualmente
recente, de um capeamento de monumento funerário romano, o qual estava
implantado a meio do acesso natural entre o referido
habitat e a medieval Igreja
de Santa Maria, parecendo pois apontar o traçado da suposta via e a
localização da suposta necrópole. Com base nestes dados, e ainda analisando
os antigos traçados de ruas e caminhos da Vila de Sintra e do Arrabalde,
julgamos legítimo propor que uma via ligasse o
habitat romano em questão ao
território rural localizado a Sudeste da Serra, percorrendo nomeadamente as
actuais Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade.
Estado de Preservação/Conservação
SÍTIO ROMANO
DA “VILA VELHA” DE SINTRA
Diagnóstico: Os dados referentes à ocupação romana da actual Vila de Sintra
foram detectados em contextos de destruição e reaproveitamento de
estruturas. A dispersão e natureza dos achados impedem a delimitação
concreta do sítio arqueológico e a sua funcionalidade.
Agente responsável pela preservação ou conservação: Proprietários.
História da preservação ou conservação - meio de preservação ou de
conservação - plano de gestão: Com excepção dos trabalhos arqueológicos de
1985 realizados na Rua das Padarias, todos os artefactos que testemunham a
presença romana na Vila de Sintra foram encontrados fortuitamente ou
descontextualizados. O espólio conserva-se no
Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.
VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA FERRARIA
Diagnóstico: O traçado da via romana corresponderá, grosso modo, às actuais
Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade. O estado do
pavimento romano eventualmente existente é desconhecido.
Agente responsável pela preservação ou conservação: Proprietários.
História da preservação ou conservação - meio de preservação ou conservação
- plano de gestão: A via romana nunca foi objecto de qualquer intervenção
arqueológica.
O capeamento romano inédito encontra-se conservado no Museu Arqueológico de
São Miguel de Odrinhas. A inscrição funerária da Igreja Paroquial de Santa
Maria desapareceu após o registo, no século XVI.
In
"Sintra Património da Humanidade" |
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NECRÓPOLE MEDIEVAL DE NOSSA SENHORA DE MILIDES |
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Localização
Quinta
de Milides, freguesia de Colares.
Memória descritiva
A cerca de 300 m a sudeste da Vila de Colares, num ameno e fértil vale, já
próximo da Abreja, ergue-se, singela, a pequena ermida devotada a Nossa sem
hora de Milides, perto de uma casa senhorial muito adulterada mas que
conserva ainda alguns interessantes elementos renascentistas. Em redor da
ermida subsiste uma necrópole medieval parcialmente aberta sobre um campo de
silos alto-medievais. As sepulturas – orientadas este-oeste – apresentam-se,
na totalidade, escavadas na rocha, esboçando algumas delas uma solução
antropomórfica, e permaneciam cobertas por toscas lajes calcárias. Para
estas sepulturas encontramos paralelos próximos, em termos regionais, na
necrópole da Igreja Paroquial de Santa Maria. Devido ao facto de se observar
a destruição de alguns túmulos por outros, aproveitamento das paredes comuns
para mais do que um enterramento, sobreposição de inumações e colocação de
ossários no interior das covas, é permissível concluir, a priori, ter havido
ao longo dos cerca de 300 anos que terá funcionado, grande ocupação desse
espaço sacralizado.
Memória histórica
As origens da ermida de Nossa Senhora de Milides – e sequentemente da
necrópole que lhe está anexa – mergulham profundamente nas brumas da lenda.
Segundo a narrativa, “vinte Portugueses meditavam uma empreza de guerra
contra os Mouros (…); começavam contudo a vacilar à vista de um
desproporcionado número de inimigos, e o seu ânimo varonil começava a
afrouxar à vista do perigo inevitável. À moda dos tempos antigos
alentavam-se com a oração neste retiro, eis senão quando ouvem uma voz que
dizia – “Ide que mil ides”: despertados e electrizados por esta voz mágica,
saem resolutos, e aos gritos repetidos de Milides dão sobre os Mouros, e
apesar de tão desproporcionado número os desbaratam, e vêm dar graças de tão
portentosa vitória à Senhora qu0ora em diante apelidam de Milides” (Juromenha,
1838: 157 – 158).
Na realidade, uma primeira campanha de escavações levada a cabo em 1992 pela
equipa de arqueologia dos Serviços de Arqueologia, Arte e Etnografia no adro
fronteiro à ermida – a qual, aliás, se encontra hoje muito descaracterizada
por sucessivos trabalhos ditos de beneficiação -, pôs a descoberto uma
necrópole da 1ª Dinastia, com enterramentos seguramente balizados entre os
séculos XII e XIV. De facto, as evidências permitem-nos concluir estarmos
perante a primeira necrópole cristã de Colares, povoação de origem muçulmana
integrada, em 1147, no então emergente reino de Portugal.
In
"Sintra Património da Humanidade" |