Monumentos e outros locais de interesse em Sintra

 

 

Palácio Nacional de Sintra (Paço Real ou Palácio da Vila)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Constituído por vários corpos edificados ao longo de sucessivas épocas, é um dos mais importantes exemplares portugueses de arquitectura realenga e por isso classificado de Monumento Nacional.

Este palácio tem origem provável num primitivo paço dos walis mouros. Traça actual proveniente de duas etapas de obras: a primeira, no reinado de D. João I (séc. XV); a segunda, no reinado de D. Manuel I (séc. XVI).

Possui o maior conjunto de azulejos mudéjares do país. É dominado por duas grandes chaminés geminadas que coroam a cozinha e constituem o "ex-libris" de Sintra.

Morada:

 

Palácio Nacional da Pena

 

 

 

 

 

 

 

 

Constitui o mais completo e notável exemplar de arquitectura portuguesa do Romantismo. Edificado a cerca de 500 metros de altitude, remonta a 1839, quando o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera para construir este notável edifício. Extremamente fantasiosa, a arquitectura da Pena utiliza os "motivos" mouriscos, góticos e manuelinos, mas também o espírito Wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa. Situado a 4,5 Km do centro histórico.

 

Palácio Nacional de Queluz

 

 

 

 

 

 

Mandado construir pelo Infante D. Pedro III, no ano de 1747, foi na sua origem uma casa de campo pertença do Marquês de Castelo Rodrigo, no século XVII.

O Palácio de Queluz é o espelho da sociedade barroca de setecentos. É a imagem marcante de uma época em que imperava a teatralidade, a aparência e a necessidade de espaços amplos.

Muitas vezes comparado ao palácio de Versalhes, este palácio é, no entanto, uma construção bem portuguesa, nas escalas e no próprio espírito artístico.

 

Palácio e Quinta da Regaleira

 

 

  Situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO, a Quinta da Regaleira é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios do Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptadamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mito-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
 

 

 

A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e a renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.

A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios. Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descermos à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que nos oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.

A culminar a visita à Quinta da Regaleira, há que invocar a aventura dos cavaleiros Templários, ou os ideais dos mestres da maçonaria, para descer ao monumental poço iniciático por uma imensa escadaria em espiral. E, lá no fundo com os pés assentes numa estrela de oito pontas, é como se estivéssemos imerses no ventre da Terra-Mãe. Depois, só nos resta atravessar as trevas das grutas labirínticas, até ganharmos a luz, reflectida em lagos surpreendentes.

Palácio de Monserrate

 

 

Em 1858, Francis Cook contratou James Knowels Jr. para projectar o pavilhão que pretendia construir em Monserrate. O arquitecto deparou-se, no entanto, com limitações várias, uma vez que teve de se cingir às estruturas subsistentes do antigo castelinho neogótico de DeVisme.
Ainda assim, o edifício construído segundo o risco de Knowels revela-se original e profundamente eclético. Os três corpos do pavilhão – encimados por bolbosas cúpulas vermelhas – apresentam as fachadas rasgadas por portas e janelas de quebratura gótica. A entrada é precedida de pórtico igualmente neogótico, cintado por grandes entablamentos. Na cornija surgem, alternados, modilhões de volutas e arcadas trilobadas e do corpo central emerge, sobre o frondoso parque, um balcão provido de arcaria e ornado com azulejos de imitação mudéjar. No interior, a exuberância decorativa dos estuques e capitéis acentua o carácter orientalizante do pavilhão, nomeadamente na galeria e na "Sala de Música", onde uma profusão de temas indianos e clássicos imprime ao conjunto uma dinâmica própria que resulta em singular efeito estético. Os soberbos jardins que rodeiam a áulica construção foram concebidos e executados por Stockdale e também por Thomas Gargill que souberam explorar as particularidades micro-climáticas da Serra, obtendo, deste modo, um magnífico parque, no qual se podem observar, ainda hoje, mais de 3.000 espécies exóticas.

Palácio de Seteais

 

 

 

Construído nas últimas décadas do século XVIII por Daniel Gildemeester, na altura Cônsul da Holanda em Portugal, o palácio (hoje em dia Hotel) tem um desenho actual, depois das obras de ampliação que sofreu nos princípios do século XIX.
Trata-se de um edifício neoclássico, cujo projecto é atribuído ao arquitecto José da Costa e Silva, dentro dos valores renascentes do "neo-palladianismo".

 

Castelo dos Mouros

 

Antigo castelo de provável fundação muçulmana, durante o séc. IX, no qual nunca se travou nenhuma batalha. De facto, tanto os ocupantes muçulmanos como cristãos rendiam-se invariavelmente após a conquista de Lisboa pelo lado oposto, apesar da aparente invulnerabilidade do Castelo.

 

Tal facto deve-se à sua função, que não era tanto a da defesa da vila e sim de defesa e vigilância de Lisboa e arredores, conjuntamente com outras vilas do termo de Lisboa. Em 1154, D. Afonso Henriques concede carta de foral à vila.
Com o contínuo avanço da Reconquista para Sul, o Castelo dos Mouros perde a sua importância estratégica, acabando por ser totalmente abandonado durante a Segunda Dinastia. Nos finais de quatrocentos apenas habitavam o sítio do castelo alguns judeus, segregados do resto da comunidade por ordem régia e até esses acabaram por sair devido à expulsão das minorias étnicas e religiosas. À ruín
a devida à passagem do tempo, juntou-se a provocada pelo terramoto de 1755. No séc. XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao seu restauro integral. Como acontece com  quase todos os vestígios monumentais sintrenses mais remotos, pouco é já o que pode ser observado que seja de origem. Do que hoje se vê, apenas a base das torres e as muralhas remontarão à fundação inicial.

 

 

 

Convento dos Capuchos (Convento de Santa Cruz da Serra)

 

Este convento foi mandado construir em 1560 por D. Álvaro de Castro, num sitio isolado e inóspito, cujas condições naturais devem ter tido uma forte influência na escolha da localização do convento aquando da sua fundação.
O convento serrano de Sintra ficou famoso pelo extremo da sua pobreza, seja a da construção, seja a das próprias condições de vida. A portaria do convento, um simples telheiro com tecto e traves de madeira forradas de cortiça, de imediato elucidam acerca da pobreza e do rigorismo ascético que orientaram esta construção rústica e primitiva.
Habitado ainda com toda a certeza nos finais do séc. XVIII, o Convento de Santa Cruz dos Capuchos deve ter sido abandonado em 1834, com a extinção das ordens religiosas que o regime liberal determinou.
A mata do Convento, com os seus velhos carvalhos e arbustos de grande porte, beneficiou seguramente do carinho e protecção dos religiosos.
Tendo sobrevivido até aos nossos dias, constitui talvez o mais representativo testemunho e a mais bem conservada relíquia da floresta primitiva da Serra de Sintra. Basicamente é constituído por uma formação arbóreasubmediterrânica dominada por  carvalhos caducifólios, com elementos do maquis mediterrânico no sub-coberto e grande profusão de fetos, musgos e plantas epífitas e trepadeiras que tudo envolvem e recobrem num denso emaranhado vegetal.

Igreja de São Pedro de Penaferrim

 

Igreja de fundação medieval, mas alterada no século XVI por iniciativa de D. Álvaro de Castro (1565), tem uma só nave coberta por abóboda artesonada quinhentista e revestida nas paredes laterais de magníficos azulejos azuis e brancos, de oficina lisboeta da primeira metade do século XVIII, representando cenas da vida de S. Pedro. 

 

 

Igreja de Santa Maria

 

Fundada por D. Afonso Henriques após a reconquista, mas totalmente alterada no final do século XIII e inícios do XIV, é um edifício gótico de três naves, com tramos de arcaria ogival e capitéis finamente lavrados, atestando plenamente o espaço sagrado dos templos medievais.

Igreja de S. Martinho

 

 

Sede paroquial, esta igreja foi arrasada pelo terramoto de 1755 e reconstruída e descaracterizada em fins do século XVIII. Resta apenas, da primitiva, a estrutura gótica da capela-mor, visível do exterior, incluindo a lápide trecentista de Margarida Fernandes e três tábuas de pintura portuguesa de meados do século XVI - "S. Martinho e o pobre", "S. Pedro" e "St.º António" - atribuídos ao Mestre de S. Quintino.

 

Santuário da Peninha

 

Localizado num dos pontos mais altos da Serra de Sintra, o Santuário da Peninha faz parte de um vasto conjunto arquitectónico formado pela antiga ermida de São Saturnino (fundada por D. Pêro Pais na época da criação do reino de Portugal) e pelo palacete romântico de estilo revivalista, que relembra uma fortificação e que foi construído no ano de 1918.
Esta ermida de dimensões reduzidas, "escondida"
em plena Serra, representa uma importante igreja de peregrinação, envolta numa atmosfera religiosa mágica, estando-lhe associada a existência de uma imagem milagrosa de Nossa Senhora.

Este local de culto, de aspecto exterior singelo, apresenta, na verdade, um interior riquíssimo, com mármores embutidos e revestido por azulejos brancos e azuis, surpreendendo quem conseguia até ali chegar.

A capela que hoje se pode encontrar terá sido construída no século XVII, por Frei Pedro da Conceição, contudo, a sua decoração terá sido levada a cabo até 1711, data que consta no painel de azulejos do tímpano, sobre a porta de entrada.

No seu interior, as cenas da Vida da Virgem predominam, registadas num conjunto de painéis de azulejo que reveste a ermida. Executados por diversos autores, os painéis do corpo da nave têm vindo a ser atribuídos a Manuel dos Santos, um dos pintores lisboetas que integrou o denominado ciclo dos "Grandes Mestres", enquanto que os dois painéis que ladeiam a porta principal e o tímpano semi-circular, este último com a representação do Pentecostes (pouco comum na iconografia azulejar) foram desenvolvidos por Manuel Santos, que favoreceu o traço elaborado e pleno de contornos, revelando a influência da pintura de azulejos holandesa.

Na abóbada e rodapés, os painéis aproximam-se de uma concepção monogramista, atribuindo-se a criação dos da abóbada à oficina dos Oliveira Bernardes.

Também o mármore é um elemento de destaque e de grande recurso, que reflecte a preocupação pela modernização dos espaços, superando o gosto pela talha. É neste sentido, que se pode encontrar exemplares de diversas tonalidades na capela-mor, que data de 1690, e que se estendem até à abóboda de caixotões. No retábulo, encontram-se, igualmente, marmóreos finos, atribuídos a João Antunes, por terem grandes semelhanças com outros traçados pelo arquitecto de D. Pedro II.

Museu de Ciência Viva

 

 

 

Um novo Centro Ciência Viva para a divulgação da ciência e da tecnologia abriu as suas portas na antiga Garagem dos Carros Eléctricos, em Sintra, a 20 de Novembro. O corpo humano, a água e as artes circenses são as três áreas temáticas das exposições interactivas do Centro de Ciência Viva de Sintra que vem, assim, juntar-se aos 12 que constituem a rede de Centros de Ciência Viva em todo o país.

  
Em Sintra, estas exposições estendem-se ao exterior do edifício, onde foram colocados módulos interactivos accionados pela água do tanque e pela luminosidade do Sol. Saber o que o impressiona mais – uma aranha peluda ou uma montanha russa vertiginosa – experimentar andar de bicicleta num arame suspenso a cinco metros do chão e tentar enganar o seu cérebro, são alguns dos desafios propostos aos visitantes.


Além das exposições, há ainda um cibercafé com acesso gratuito à Internet, e um laboratório, que coloca vários desafios: o que existe no ar que respiramos? E como será uma formiga vista à lupa? As respostas serão dadas através de experiências a realizar pelo público.
Este espaço, único no concelho e de elevada importância educacional, cultural e de divulgação científica e tecnológica, consistiu na reabilitação e adaptação de um edifício, construído em 1901, cuja função original era a de antiga fábrica de electricidade e onde ficou instalado o Centro de Ciência Viva.
O edifício com uma área de 616 m2, foi totalmente recuperado, utilizando-se, para isso, materiais idênticos aos de origem e respeitando a sua traça original.


Situado do lado da fachada nascente, sobre um tanque existente, surgiu um novo núcleo independente do edifício antigo e onde estão situados os conteúdos relacionados com a água. Fazem parte deste núcleo o Cyber Café e respectiva cozinha, o laboratório de apoio à zona do tema água e os gabinetes de secretariado e da direcção.

 

 

Museu Ferreira de Castro

 

Em plena Vila Velha de Sintra, no Casal de Santo António, situa-se o Museu Ferreira de Castro, em consequência da doação feita pelo escritor do seu espólio ao Povo de Sintra, formalizada em 3 de Abril de 1973, ficando a Câmara Municipal como sua fiel depositária.

Tendo Ferreira de Castro manifestado o desejo de que os seus restos mortais permanecessem em Sintra - como veio a suceder -, aceitou de bom grado a sugestão do "dois notáveis escritores, sintrense um, outro lisboeta, a quem a biblioteca da vila por nós amada prestava bons serviços para as suas pesquisas culturais", no sentido de que essa doação se fizesse. Trata-se de Francisco Costa, então director da Biblioteca Municipal, e Alexandre Cabral, que tinha na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e documental para o desenvolvimento da sua investigação.

O primeiro mentor desta ideia terá sido, contudo, o então presidente da Câmara, António José Pereira Forjaz, que em carta de 10 de Abril de 1973, dirigida ao romancista, manifestava alvoroçadamente o seu júbilo, depois de verificada a conformidade da doação com as disposições legais. Seguidamente, Francisco Costa elaborou um parecer em que acentua a importância do espólio, sendo o texto da doação lido em voz alta por Pereira Forjaz na reunião de Câmara de 18 de Abril desse ano. Nesse mesmo dia, Forjaz daria ao autor de A Selva a notícia da aprovação por aclamação da "generosa, tão importante e valiosa doação."

Em consequência do trabalho da Comissão Instaladora, integrada entre outros, por Elena Muriel Ferreira de Castro, Alexandre Cabral, Álvaro Salema, Francisco Costa e José Alfredo da Costa Azevedo, o Museu abriu as sua portas em 6 de Junho de 1982. Encerrado para obras três anos mais tarde, reabriria em 22 de Julho de 1992, após remodelação dos conteúdos expositivos e de elaboração de um novo guia para o visitante.
 

UMA VISITA AO MUSEU

O Museu Ferreira de Castro apresenta cronologicamente o percurso vivencial do escritor, agrupado em sete núcleos temáticos:

·         "Infância" (1898-1911), refere-se à meninice do escritor, na "aldeia nativa" de Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, período de íntimo contacto com a verdejante natureza da região, que tanto iria marcá-lo.

·         "No Brasil - Da selva amazónica a Belém do Pará" (1911-1919), relata a época em que Ferreira de Castro vive, ainda criança e sozinho, num seringal da Amazónia (até 1914) e a dramática e rocambolesca vivência em Belém. Dos muitos objectos de interesse expostos, destaque-se o manuscrito de Criminoso por Ambição, máscaras dos índios Parintintins (tribo já extinta), terra do seringal onde Castro trabalhou, e exemplares de Criminoso por Ambição e Alma Lusitana, ambos de 1916, os primeiros títulos que publicou.

·         "O Regresso - Jornalismo e obra renegada" (1919-1927), mostra parte da actividade jornalística e exibe os livros que correspondem à primeira fase de Ferreira de Castro - de Mas... (1921) a O Voo nas Trevas (1927) --, por ele suprimidos das suas obras completas e que hoje são raridades bibliográficas.

·         "Triunfo - De Emigrantes à direcção de O Diabo" (1928-1935); "O Último Vagamundo" (viagens, 1929-1939); "O Mestre - De A Tempestade a Os Fragmentos" (1940-1974) contemplam o tempo em que Ferreira de Castro pontificou como autor proeminente do Portugal de então. É o período de A Selva, Terra Fria, A Lã e a Neve, A Curva da Estrada, A Missão...

O escritor português mais traduzido do seu tempo, na última sala expõem-se traduções das suas obras em diversas línguas.

No conjunto, o visitante tomará contacto com edições raras, manuscritos, objectos pessoais, ilustrações originais para os seus livros e outros espécimes relacionados com a vida e a escrita do romancista. O Museu apresenta também telas e desenhos originais de Arlindo Vicente, Bernardo Marques, Cândido Portinari, Elena Muriel, Jorge Barradas, José Rodrigues, Júlio Pomar, Roberto Nobre e Stuart Carvalhais, entre outros.

 

Sintra Museu de Arte Moderna

 

Num curioso edifício de 1920, o Museu reúne, em permanência, uma importante Colecção de Arte Contemporânea Internacional. É uma perspectiva do que tem sido a arte europeia e americana, desde os anos vinte aos nossos dias. Na Colecção Berardo, estão representados os principais movimentos, correntes e linhas de investigação artística, com obras consideradas essenciais para a compreensão da história de arte internacional.

 

 

Este Museu possui uma Loja no piso zero, onde podemos adquirir objectos assinados por artistas internacionais, peças de design, taças, chávenas, relógios, lenços de seda, gravatas especiais, t-shirts. E, ainda o livro e os postais editados pelo Museu. Uma colecção de presentes para oferecer a si e aos outros.

 

Museu do Brinquedo

 

O Museu do Brinquedo, situado no Centro Histórico de Sintra, no antigo edifício que foi sede dos Espaços do Concelho e Quartel dos Bombeiros Voluntários, foi inaugurado no dia 8 de Novembro de 1997.

As instalações, totalmente recuperadas e adaptadas, representam um bom exemplo de arquitectura vernácula setecentista. A sua fachada desenvolve-se em três andares caracteriza-se pela sobriedade e pureza de linhas. Assim, ao longo da fachada rasgam-se amplas portas-janelas, dispostas em fiadas sucessivas.

 

Na concepção actual deste espaço museológico concorrem duas vertentes fundamentais: uma concepção romântica do Museu, enquanto espaço que evidencia o seu espólio e outra, mais didáctica, que contextualiza culturalmente o material exposto numa dinâmica cultural mais diversificada ou tematicamente aprofundada.

Esta dualidade é patente na organização dos próprios espaços museológicos.

Os espaços comuns (cafetaria, lojas e acolhimento) instalam-se no nível térreo e desenvolvem uma relação franca com o exterior.

Feita ao longo de mais de quarenta anos, a colecção deste Museu pertença da Fundação Arbués Moreira, começou por ser um grande amontoado de brinquedos, sendo hoje um património, extremamente representativo, da História do Homem, único em Portugal.

A diversidade temática patente ao público, vai desde berlindes egípcios, de há dois mil anos; brinquedos e objectos, relacionados com imagem e som, de 1910; figuras de chumbo de circo e quinta; acessórios para instalação de comboio; colecção de automóveis; brinquedos em folha movimentados a corda; barcos de chumbo, até às bonecas Barbie, dos nossos dias. As novas instalações do Museu do Brinquedo têm, também, uma sala com capacidade para oitenta pessoas, equipada para a realização de espectáculos e outras iniciativas dedicadas às crianças.

 

Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas

 

(FAÇA UMA VISITA VIRTUAL PELO MUSEU)

O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas remonta, nas suas origens, a meados do século XVI. Nessa época e por iniciativa de alguns eruditos, entre os quais se terá destacado Francisco d`Ollanda, começou-se a juntar, em torno da ermida local, uma importante colecção de inscrições romanas oriundas dos campos e aldeias circundantes. Em 1955 e após vários séculos de abandono, entendeu a Câmara Municipal de Sintra construir ali uma pequena casa que abrigasse tão significativos monumentos, procedendo ainda à escavação arqueológica e valorização turístico-cultural das ruínas romanas adjacentes.

Hoje a colecção lapidar atinge mais de quatrocentas peças, às quais se vêm somar muitas outras - largos milhares - de diversa tipologia, entre moedas, objectos cerâmicos, líticos, metálicos, osteológicos, etc..O interesse demonstrado por todo o vasto público - turístico, escolar, entre outros - relativamente a este espólio tem sido imenso, apesar das condições precárias em que se encontrava instalado até há pouco.

Em 1993, decidiu a Câmara Municipal de Sintra lançar-se a um projecto ambicioso, concebendo e edificando, em Odrinhas, um novo Museu Arqueológico de características únicas em Portugal. Dotado de largo espaço expositivo, de biblioteca especializada, auditório, gabinetes de estudo, serviços de restauro - para além de várias áreas de lazer - tal ifício está hoje construído.

A exposição do novo Museu articula-se em torno de duas áreas distintas, embora complementares:
(a) a Secção Epigráfica, que abrange algo mais de dois milénios, desde a época etrusca à Idade Moderna, com especial menção para o conjunto de lápides romanas, reconhecidamente um dos mais importantes da Península Ibérica; e
(b) a Secção Arqueológica, que reúne muitos milhares de peças exumadas nas numerosas estações arqueológicas do Termo de Sintra, desde o Paleolítico Médio ao século XVIII, destacando-se, pelo seu especial significado, os núcleos neolíticos, calcolíticos e da época romana.

     

Filme de Odrinhas

 

O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas situa-se nos arredores de Lisboa, a meio caminho entre Sintra e Ericeira.

A exposição permanente, actualmente aberta ao público, intitula-se «O Livro de Pedra». Aqui contam-se cerca de dois milénios de história a partir das inscrições e dos elementos iconográficos presentes nos monumentos pétreos que se distribuem por salas temática e cronologicamente organizadas.

Ao percorrer a exposição o visitante depara-se com um conjunto de pedras tumulares, sarcófagos, estelas, altares e lintéis, desde a época Etrusca à Idade Moderna, com especial relevância para a notável colecção de lápides romanas epigrafadas, reconhecidamente uma das mais significativas da Península Ibérica.

As ruínas de uma villa romana e a igreja consagrada a São Miguel, de origem medieval, fazem parte integrante do percurso museológico, sendo as visitas sempre guiadas por profissionais formados para o efeito.

O Museu encontra-se, ainda, dotado de sala de exposições temporárias, biblioteca pública especializada, auditório, gabinetes de estudo, oficina de restauro e

 

Museu Anjos Teixeira

 

 

 

Inserido em pleno Centro Histórico, no trajecto entre o edifício dos Paços do Concelho e a Vila Velha de Sintra, o Museu Anjos Teixeira poderá passar despercebido a quem, por instinto, segue o tradicional itinerário da Volta do Duche.

Encontra-se instalado num imóvel construído nos inícios do século XX para azenha, que, na Azinhaga da Sardinha, aproveitava as águas do Rio do Porto. Mais tarde, foi transformada em serração de pedra, tendo sido, por fim, adquirida pela Câmara Municipal de Sintra para um depósito de viaturas municipais.

A 24 de Setembro de 1974, Mestre Pedro Augusto dos Anjos Teixeira legou oficialmente à Edilidade Sintrense, todo o seu espólio (de cariz neo-realista) e, ainda, boa parte do de seu pai, Artur Gaspar dos Anjos Teixeira, ficando, deste modo, as obras de dois grandes Mestres escultores contemporâneos reunidas no mesmo espaço, o qual abre ao público apenas em 1976.

Desde esta data, e até 1982, esteve em exibição a quase totalidade dos trabalhos escultóricos destes dois artistas, altura em que a velha serração é fechada para obras de restauro, remodelação e ampliação integrais, de acordo com a escritura de doação em 1974, em que a Câmara ficou obrigada à construção de dependências para uso privado do Mestre.

Neste contexto, passou o Mestre a residir no edifício, transformando-o numa Casa-Museu pública e num Atelier vivo, onde deu aulas de escultura entre 1977 e 1992.

Mais tarde, o Museu sofreu obras de beneficiação no seu interior, tendo-se optado pela pintura de paredes e peanhas em tons mais claros, por forma a destrinçar o que é infra-estrutural e o que está exposto, tendo-se, igualmente, procedido ao tabelamento de todas as peças expostas.

Museu Anjos Teixeira

 

 

 

Inserido em pleno Centro Histórico, no trajecto entre o edifício dos Paços do Concelho e a Vila Velha de Sintra, o Museu Anjos Teixeira poderá passar despercebido a quem, por instinto, segue o tradicional itinerário da Volta do Duche.

Encontra-se instalado num imóvel construído nos inícios do século XX para azenha, que, na Azinhaga da Sardinha, aproveitava as águas do Rio do Porto. Mais tarde, foi transformada em serração de pedra, tendo sido, por fim, adquirida pela Câmara Municipal de Sintra para um depósito de viaturas municipais.

A 24 de Setembro de 1974, Mestre Pedro Augusto dos Anjos Teixeira legou oficialmente à Edilidade Sintrense, todo o seu espólio (de cariz neo-realista) e, ainda, boa parte do de seu pai, Artur Gaspar dos Anjos Teixeira, ficando, deste modo, as obras de dois grandes Mestres escultores contemporâneos reunidas no mesmo espaço, o qual abre ao público apenas em 1976.

Desde esta data, e até 1982, esteve em exibição a quase totalidade dos trabalhos escultóricos destes dois artistas, altura em que a velha serração é fechada para obras de restauro, remodelação e ampliação integrais, de acordo com a escritura de doação em 1974, em que a Câmara ficou obrigada à construção de dependências para uso privado do Mestre.

Neste contexto, passou o Mestre a residir no edifício, transformando-o numa Casa-Museu pública e num Atelier vivo, onde deu aulas de escultura entre 1977 e 1992.

Mais tarde, o Museu sofreu obras de beneficiação no seu interior, tendo-se optado pela pintura de paredes e peanhas em tons mais claros, por forma a destrinçar o que é infra-estrutural e o que está exposto, tendo-se, igualmente, procedido ao tabelamento de todas as peças expostas.

Teatro Virtual - Os portugueses no Japão do séc. XVI

 

Sistema de visão mágica que permite visionar os primórdios do intercâmbio entre Portugal e o Japão. Uma cidade portuária do séc. XVI é reproduzida numa maqueta, no interior da qual são representadas imagens virtuais de personagens japonesas e portuguesas que recriam acontecimentos históricos, entre eles a Missão de quatro jovens cristãos japoneses à Europa e que também estiveram em Sintra.

 

FONTE DA RUA SOTTO MAYOR

 

Rasga-se em incaracterística parede pequeno chafariz de concepção revivalista inscrito em arco trilobado, de pedra tosca. Um painel de azulejos neo-mudéjares, serve de espaldar ao fontanário finamente esculpido em mármore rosado. Assente em plinto rectilíneo, o tanque moldurado com duas pias interiores é alimentado por torneira que sobressai do torso sextavado, ornado de rosetas e semi-esferas.
A este sobrepõe-se fuste de feição circular, sustentando a escultura naturalista de uma águia que segura, nas garras, cartela pendente com a inscrição: C M S, MCMXV.

FONTE DE SÃO PEDRO

 

Fontanário, projectado pelo arquitecto Raul Lino, e inaugurado em 1929, revela concepção erudita. O edifício, de planta centralizada com cúpula encimada pelas "chaves do Céu", aproxima-se bastante dos cânones arquitecturais renascentistas. Assim, colunata centrada pelo vão de acesso conduz ao interior do edifício que permanece bordejado por bancos corridos forrados com azulejos de tapete. A torneira, envolta em radioso sol relevado e sobrepujado por painel cerâmico similar aos já descritos, vaza em rotundo tanque assente em colunelo.

FONTE DO CONDE DE SUCENA

 

Fonte de espaldar convergente com beirado. Modesta torneira vaza para tanque de pedra rectangular com reentrância, de molde a facilitar o acesso à goteira. Ao centro do frontal apõe-se lápide com as armas do concelho, ostentando a seguinte legenda na base: C DE C 1867. Ou seja: «Câmara de Cintra [ano de] 1867».

 

FONTE D'EL REI OU DA PENHA VERDE

 

O fontanário de prospecto barroco abre-se em semi-círculo e o espaldar arredondado dinamiza-se, quer pelo jogo cromático, quer pelos efeitos cenográficos que nos são transmitidos pela presença de pilastras de alvenaria e de expressivos e possantes filetes.
As faces laterais estão rematadas por ondulantes volutas e,ao centro, sobreeleva-se a própria espalda com coruchéu e pedra de armas dos Castro inscrita em cartela que encima lápide evocativa do monumento: ESTA FONTE DENOMINADA / DE EL REY HE DO SENHOR / DESTA QUINTA : MANDOUA /FAZER A CAMARA DA VILLA / DE CINTRA EM RECOMPENÇA /DE OUTRA DE BOA E ANTIGA / ARQUITECTURA QUE TINHA / POUCO MAIS ABAIXO QUE / SE DEMOLIO QUANDO / SE MUDOU ESTA ESTRADA.
Na base do fontanário, duas bicas de jarro vertem no trilobado tanque de pedra ladeado por conversadeiras corridas.
ESTA FONTE DENOMINADA / DE EL REY HE DO SENHOR / DESTA QUINTA : MANDOUA /FAZER A CAMARA DA VILLA /DE CINTRA EM RECOMPENÇA /DE OUTRA DE BOA E ANTIGA / ARQUITECTURA QUE TINHA / POUCO MAIS ABAIXO QUE / SE DEMOLIO QUANDO / SE MUDOU ESTA ESTRADA.
Na base do fontanário, duas bicas de jarro vertem no trilobado tanque de pedra ladeado por conversadeiras corridas.

FONTE DE MATA-ALVA

 

Com origens que remontarão, pelo menos, ao último quartel do século XVIII, a Fonte de Mata-Alva ostenta, hoje, fácies revivalista resultante da reforma tardo-oitocentista patrocinada por Francis Cook, como o atesta, aliás, a lápide aposta no frontal sob a real pedra de armas de D. Maria I: Hunc Fontém /Condidit de nouo / Pro Bono Publico /Francisco / Uisconde de Monserrate /a. d. 1875. Na verdade, o prospecto do fontanário foi radicalmente alterado «para o bem público» por D. Francisco, por isso, daquela campanha de obras resultou um frontal antecedido por cúpula esférica que protege a bica e tanque de pedra.
A abóbada repousa em colunas com capitéis profusamente decorados e o frontal permanece ladeado por bancos de descanso encimados por pequenos painéis de azulejos policromos.
Ao centro, já sob a cúpula envolvendo as lápides e os azulejos de onde sobressai a bica, subsiste fresco geometrizante de nítida inspiração "neo-mourisca".

FONTE DOS LADRÕES

 

A Fonte dos Ladrões, cuja designação se prende com antiga mas não confirmada tradição, segundo a qual eram frequentes os assaltos naquele sítio, constitui um monumento de cronologia incerta, remontando, possivelmente ao último quartel do século XVIII, época da pedra de armas do reino aposta no frontal, encimado por volutas simples.
A grande e sobressaliente bica dupla de pedra abre-se ao depósito rectangular.

FONTE DOS PISÕES

 

A actual Fonte dos Pisões foi erigida pela Comissão de Iniciativa de Turismo de Sintra, em 1931, e substituiu anciano tanque. O fontanário foi projectado pelo Mestre José da Fonseca e desenvolve-se a partir de estrutura semi-circular, à qual se acede através de escadeado baixo. O espaldar, ladeado por bancos corridos, está profusamente ornado com coloridos motivos geometrizantes insculpidos na própria argamassa. Ao centro, rasga-se grande círculo enquadrado pelo rectilíneo alteamento do frontal patenteado painéis azulejares, assinados pela Fábrica Ceramica Constancia. Ali, desenvolve-se o frontal propriamente dito, de inspiração renascentista inscrito em conjunto cerêmico conjugando fundo liso e friso floral, de onde emerge baixo-relevo, no qual, por entre folhagem, se animam putti, de pé, segura uma faixa onde se lê: SALVE. Logo abaixo desta animada composição escultórica, uma bica vaza em gomada taça rectangular que, por sua vez, liberta a água sobejante para bem aguachado tanque rasteiro destinado aos animais.

 

FONTE MOURISCA

 

Edificada em 1922, segundo projecto de Mestre José da Fonseca,a Fonte Mourisca substituiu o antigo Chafariz da Câmara, com o intuito de valorizar a entrada de Sintrae de «dignificar a águamais apreciadade Sintra».
Com o alargamento da estrada, em 1960, o fontanário foi desmontado. Vinte anos depois, a Câmara Municipal de Sintra reergueu o monumento, não no seu primitivo lugar, mas uma vintena de metros mais adiante,
em plena Volta do Duche. A sua grandiosa arquitectura revela certo formalismo académico, característico, aliás, do modernismo revivalista dos anos 1920. De facto, como o próprio topónimo indica, trata-se de uma estrutura de desenho neo-árabe. O edifício que alberga o fontanário é "dinamizado" por grande arco em Ferra-dura denticulado, no qual se rasgam três outros arcos em ferradura, também dentea-dos e emoldurados por azulejos neo-mudéjares, impondo-se ao centro, a pedra d`armas do Município. As colunas assentam em socos elevados que as Projectam nos capitéis de geométrica e diferenciada decoração. Esta pétrea composição desenvolve-se por entre azulejos ao estilo mudéjar e de intensa policromia, permanecendo ainda bordejada por possante friso relevado de cariz geometrizante que, no topo, se des-dobra num ático sobressaliente onde assentam merlões escadeados, similares aos do Paço Real. No interior ovóide e cobertura abobadada, as paredes permanecem reves-tidas por azulejos também de inspiração mudéjar. E, ao centro, impõe-se o fonta-nário, cuja bica de bronze emerge de um florão e a água derramada resguarda-se em tanque oval com bordo concheado.

FONTE DA SABUGA

 

A qualidade salutífera das águas da bica da Sabuga, de origem vincadamente medieval - o topónimo surge, pela primeira vez, num documento de 1406 , contribuíram para que cedo se transformasse num referencial sintrense. De facto, a sua qualidade milagreira ganhou-lhe o epíteto de «a mais cellebre» de entre todas as fontes de Sintra, e nela Sua Majestade, D. Luísa de Gusmão, deliciou-se «com a famosa água», em 1652.
Nos alvores do evo setecentista, a fonte foi «mandada fazer de novo» como o atestará uma epígrafe anotada por Almeida Jordam: ESTA OBRA MANDOU FAZER / O SENADO DA CAMERA DESTA VILLA / SENDO PRESIDENTE DELLA O / DOUTOR MATHIAS FRANCO / FERREIRA NO ANNO DE M.DCC.IX. A célebre fonte, todavia, sofreu grandes estragos com o purulento terramoto de 1 de Novembro de 1755, mas dois anos depois estava refeita, conforme o atesta a lápide aposta ao frontal: ESTA OBRA MANDOV FAZER O SENADO / DA CAMARA DESTA VILA SENDO PRE / ZIDENTE O D.R MARCELINO IOZE DE PON / TES VIEIRA E O PROCURADOR ANTO RIB / DE CEQVEIRA RIBAFRIA ANNO 1757.
Em termos arquitectónicos, o prospecto do fontanário resultante da restauração pós-terramoto aproxima-se bastante do actual, permanecendo coroado por coruchéus alternados com frontões envoluteados de gosto barroco, abrindo-se, ao centro, a pedra de armas do município envolvida numa fina cercadura. Estão, também, documentados trabalhos de beneficiação em 1804 e em 1850. Mas, a última grande intervenção data já de 1956, quando se colocou o lambril de azulejos azuis e brancos com putti enquadrando aparato floral.

FONTE DA PIPA

 

A primeira referência à Fonte da Pipa remonta ao já longínquo ano de 1369, quando num documento se menciona: João Anes, «morador à Fonte da Pipa». A sua actual arquitectura, no entanto, reporta-se ao século XVIII, concretamente, à reforma integral patrocinada por D. Maria I, conforme inscrição em cartela envoluteada gravada no espaldar, à qual se sobrepõe a real pedra de armas: ANTIGA FONTE / DA PIPA / REEDIFICADA / E MELHORADA / PELO DOUTOR / FRANCO IOZE / DEMIRANDA / DUARTE . PRAEZI /DENTE DO SENADO / DA CAMERA . E IUIZ / DE FOR A .
DESTA VILLA /
EM EXECUÇAM DAS / ORDENS DE SUA MAG.E / EXPEDIDAS EM AVIZO / DA SECRETARIA DE ESTADO / DOS NEGOCIOS DO REYNO DE / VINTE E SEIS DE OUTUBRO DE / MIL SETECENTOS E OUTENTA / E SETE . PELAS QUAIS FOI / A MESMA SENHORA SERVIDA / DETERMINAR A RESTITUIÇAM / DESTA FONTE: SOCEGANDO / O POVO . E LIVRANDO DA / OPRESSAM . QUE LHE CAUSAVA / A FALTA DE AGOA NO BAIRRO / DO CASTELLO.E PORISO EM / MEMORIA DE TAM AUGUSTA / SOBERANA SE GRAVARAM / OS VERSOS SEGUINTES . / QUALIS APUD VETERES / DIVAS REGNABAT ULYSES / QUI NULLI CIVI DICTO . / FACTOQUE NOCEBAT . / 1788. As pilastras sobressalientes do espaldar - rematadas por coruchéus, sendo o central mais desenvolvido - enquadram painéis cerâmicos a azul. Os das extremidades, de recorrência classicizante, evocam as figuras idealizadas de Diana e da Justiça. Os dois outros painéis de azulejos que emolduram a centralizada lápide inscrita, de traço mais livre e de maior naturalidade, representam frondosos pinheirais. Na parte inferior deste complexo espaldar, sobressai estanco de pedra alimentado pela pequena pipa.

CHAFARIZ DA CÂMARA

 

Erigido no local onde outrora se localizava antigo Chafariz da Câmara, o actual fontanário substituiu a Fonte Mourisca, removida nos anos de 1960 por causa do alargamento da Volta do Duche. Projectado pelo arquitecto Regaleira a pedido da edilidade sintrense que pretendia «reconstruir» o fontanário, a novel estrutura assumiu a sua própria contemporaneidade no contexto monumental da vila de Sintra onde, a par das autenticidades, predominam os pastishes revivalistas. O desenho de Regaleira é notável pelo despojamento formal e decorativo, pois o fontanário é alimentado por bica em Y, cujas águas, sempre frescas e cristalinas, brotam para grande taça circular, interiormente revestida com mosaico azul. A taça permanece envolta em grande

CHAFARIZ DO LARGO 1.º DEZEMBRO

 

Fonte arquitectonicamente atribuível à época do Estado Novo. De pedra burjadada, ostenta tanque circular com pilar de onde sobressai taça simples, ornada de carrancas por onde corre a água que abastece o estanco. 

CHAFARIZ DA IGREJA



 

Chafariz de possível origem oitocentista, ostenta, no centro do ovalado e bojudo estanco de bordos arredondados, esteio coroado por pirâmide. Do fuste, hexagonal e sem decoração, emergem duas bicas de bronze.

 

PELOURINHO

 

 

 

O pelourinho, hoje existente, consiste em cópia do antigo marco manuelino, derribado em 1854. Obra do mestre canteiro José da Fonseca, foi erigido em 1940. Três degraus hexagonais servem de soco à base oitavada do pelourinho. Este, de fuste helicoidal ornado de rosetas e quadripétalas apresenta, a meio, duas cordas separadas por concavidade. O capitel com folhas de acanto ostenta, no remate, pinha cónica e ferro ao alto. Do entablamento emergem quatro ferros de sujeição.

 

 

Paços do Concelho

 

 

 

Após a inauguração da via ferroviária Lisboa-Sintra, em 1889, Sintra sofreu importantes alterações no seu tecido urbano.
Porém, a impossibilidade da própria Vila vir a ganhar mais terreno à Serra, conduziu felizmente à edificação de um novo bairro, relativamente afastado e denominado da Estefânia, em homenagem à Rainha D. Estefânia de Hohenzollern, mulher de D. Pedro V.
Assistiu-se, portanto, à deslocação do centro económico-social, o que obrigou também à transferência das principais entidades administrativas que permaneciam instaladas num edifício do século XVIII, próximo do Paço Real.

Para a construção da nova Câmara optou-se por um lugar acessível, quer para a dita Vila Velha, quer para o burgo da Estefânia. Por isso, os modernos Paços do Concelho foram edificados entre ambos os bairros, no local onde, até então, se erguia a antiga ermida de São Sebastião.
A construção do novo edifício dos Paços do Concelho, iniciada em 1906, segundo projecto de Adães Bermudes, foi concluída em 1909. O edifício apresenta fachadas austeras, com janelas neo-Manuelinas sobriamente decoradas. No alçado principal destaca-se, pela sua imponência, uma torre superiormente rematada por ameias, e por uma cobertura piramidal revestida com azulejos, os quais representam alternadamente a Cruz de Cristo e o Escudo Pátrio. No topo, surge, magestosa, a esfera armilar. Ladeiam esta curiosa cobertura quatro outras de menores dimensões, coroando “guaritas” que lhe formam os cantos. Nesse mesmo alçado, sobressai um balcão, pleno de arcos de feição manuelina, e encimado por um frontão em que se inscrevem as armas municipais.
No interior abre-se um magnífico claustro, cujos varandins do piso superior apresentam rica ornamentação neo-Manuelina e Renascentista.

 

 

"CHALET" DA CONDESSA D'EDLA

 

1. Localização

Serra de Sintra (Parque da pena), freguesia de São Pedro de Penaferrim

Memória Descritiva

A planta do Chalet, da autoria da própria Condessa d'Edla, apresenta-se rectangular ao nível do rés-do-chão e cruciforme no primeiro andar.
As fachadas de alvenaria imitam longas tábuas, ao jeito da arquitectura rústica da América do Norte. Ali, as ombreiras dos arcos quebrados, das portas e janelas, bem como as dos pequenos "olhos de boi", são trabalhadas
em cortiça. Sobressai deste conjunto homogéneo uma típica varanda de madeira que circunda o piso superior. As coberturas, de telha antiga portuguesa, não apresentam significativa inclinação, sendo o beirado, todo ele, romanticamente enfeitado por uma sucessão de arquinhos góticos.
No interior, o vestíbulo apresenta um fresco com a mesma imitação de tábuas de madeira em "tromp-l'oeil".
No salão, os cantos encontram-se profusamente ornamentados com troncos bem modelados em estuque, enriquecidos por nervuras de cobre e ramagens que se entrelaçam nas cornijas.
Na sala de estar, as paredes integralmente revestidas a cortiça, ostentam incrustadas pequenas placas de madeira pintada, cujo desenho geométrico se destaca sobre o fundo sombrio. Este tipo de decoração observa-se ainda num dos aposentos do piso superior.
Por sua vez, o quarto da Condessa está decorado com singelas rendas brancas delineadas, sobre fundo azul escuro.
A pintura das restantes divisões, imitando tecido, aprofunda sobremaneira a ambiência romântica envolvente.

Memória histórica

Elisa Frederica Hensler, de origem alemã e grande cantora cuja reputação verdadeiramente internacional adquiriu através das suas soberbas interpretações nas mais significativas capitais europeias (incluindo Lisboa, onde se apresentou, pela primeira vez, em 23 de Fevereiro de 1860), recebeu do Príncipe Ernesto II, de Saxe, o título de Condessa d'Edla. Posteriormente, em 1869, a Condessa d'Edla desposou D. Fernando II, que envuivara 16 anos antes.
Partilhando do entusiasmo do monarca pelas obras de construção do Palácio e Parque da Pena, iniciadas em 1839, contribuiu para o enriquecimento dos imensos jardins, quer através da plantação da conhecida "Feteira da Condessa", quer introduzindo raras espécies provenientes da América do Norte, país onde passara parte da sua juventude.
Ainda em 1869, mandou erguer,
em pleno Parque, um curioso chalet. O estilo arquitectónico do edifício, traçado pela própria Condessa d'Edla, antecipou-se e, de certa forma, preconizou a "moda de chalets" que, em finais de oitocentos, se fez notar sobretudo em Sintra e na Costa do Estoril.
Após a morte de D. Fernando, em
1885, a Condessa d'Edla herdou o Palácio e o Parque da Pena. Mais tarde, na sequência de uma campanha de opinião pública contra este legado, a Condessa vendeu todos estes bens ao Estado Português, conservando, porém, o usufruto do seu chalet.

QUINTA DA PENHA VERDE

 

 Localização

Estrada Nova da Rainha, freguesia de São Martinho

Memória descritiva

A primitiva casa da Quinta da Penha Verde, erguida por D. João de Castro, era simples e de reduzidas dimensões. Posteriormente, o edifício foi largamente ampliado e modificado, adquirindo então o aspecto que lhe reconhecemos actualmente.
A entrada da Quinta e hoje precedida por um singelo pórtico, datável de finais do século XVII, encimado por um frontão triangular ao qual se sobrepõe o brasão dos Castros.
Logo de seguida, um pequeno jardim, ao estilo do século XVIII, enquadra e antecede a mansão. Esta apresenta uma planta algo irregular, integrando-se, todavia, na linha da arquitectura áulica portuguesa tradicional. As ombreiras das portas e janelas são revestidas por largas e simples cantarias. O seu interior é marcado pela sobriedade, destacando-se porém, deste contexto, o grande salão do piso superior, com tecto de madeira apainelada e com uma pintura central representando um brasão de armas.
A capela de São Brás, integrada no corpo principal da mansão, data do século XVII. A parede da capela-mor encontra-se completamente revestida por um painel de azulejos policromos, cujo desenho representa um reposteiro semi-aberto, de evidente recorte teatral; do centro desta composição sobressai uma peanha em pedra finamente lavrada, sobe a qual se encontra uma soberba e pétrea imagem de São Brás; o altar é trabalhado em mármore multicolor.
Ao longo desta propriedade, encontram-se dispersos, aqui e ali, pequenos pavilhões revestidos a azulejos - sendo um deles ricamente ornamentado com conchas e pedras coloridas fontes, estátuas, cruzeiros e, inclusive, inscrições em sãnscrito trazidas da Índia pelo próprio Vice-Rei.
D. João de Castro fez erguer, num pequeno outeiro da sua Quinta, uma capela circular de invocação a Nossa Senhora do Monte, destacando-se no seu interior o tecto abobadado, a nave revestida a azulejos seiscentistas e o reduzido altar-mor. Sobre este altar, forrado a azulejos mudéjares, encontra-se um baixo-relevo de fino mármore, representando a Sagrada Família, emoldurada e aparentemente sustentada por anjos pintados num painel cerâmico.
Posteriormente, já no século XVII. foram erguidas na Penha Verde duas outras capelas, também circulares. Refiramos primeiro a de Santa Catarina, cujo frontão triangular ostenta a "roda de navalhas", símbolo do seu martírio; no interior, aliás bastante simples, apenas se realça o altar com mármores embutidos e, sobre ele, uma antiga imagem de Santa Catarina. Segue-se a Capela de São João Baptista, interiormente revestida com magníficos azulejos polícromos que ilustram a vida e morte de São João; por sua vez, sob um pequeno arco abatido, nasce o altar-mor profusamente decorado com pedras multicolores, conchas e faianças.

Memória histórica

D. João de Castro, filho de D. Álvaro de Castro, governador da Casa do Cível e Vedor da Fazenda, e de D. Leonor de Noronha, nasceu em Lisboa, a 27 de Fevereiro de 1500. Na sua juventude foi moço-fidalgo de D. Manuel e, na corte - onde iniciou uma longa e frutífera amizade com o Infante D. Luís - teve como professores alguns dos mais notáveis mestres da época, de entre os quais o célebre matemático Pedro Nunes.
Aos 18 anos, fugiu para Tânger onde serviu com distinção e foi armado cavaleiro por D. Duarte de Meneses, governador da praça forte. Em 1527, regressou a Portugal, tendo então casado com D. Leonor Coutinho. Mais tarde, em 1535, participou, integrado numa armada enviada pelo monarca português, na conquista de Tunes, empresa de Carlos V.
No ano seguinte, D. João de Castro partiu para as Índias. Durante a estada nas terras do Oriente, e paralelamente com a sua já notável actividade militar, redigiu três célebres Roteiros sobre a região, nos quais se revelou um perspicaz investigador e verdadeiro homem de ciência.
De volta à Pátria, em 1542, serviu como capitão-mor da minada. Assim, em 13 de Agosto de 154, D. João de Castro comandou uma expedição contra o pirata Barba-Ruiva, que saqueava as costas mediterrânicas. Como recompensa o cavaleiro apenas pediu a D. João III que lhe «fosse dado um rochedo com seis árvores», junto à Quinta da Penha Verde, que possuía em Sintra, onde mais tarde construiu a capela de Nossa Senhora do Monte.
Em 1547, foi nomeado governador das Índias, pelo que voltou à Ásia, onde deparou, então, com uma grave crise, porquanto teve de reconquistar a fortaleza de Diu, que entretanto caíra na posse dos muçulmanos. Tomada a cidade, D. João de Castro empreendeu a sua reconstrução. Para tal contou com o precioso auxílio dos moradores portugueses, chegando inclusivamente a empenhar as próprias barbas, a fim de obter o necessário crédito junto da Câmara de Goa. D. João III honrou-o com o título de Vice-Rei das Índias, distinção suprema atribuída como reconhecimento dos seus gloriosos feitos de armas. Porém, D. João de Castro morreu três semanas após ter recebido o cargo e, por isso, não se cumpriu a sua disposição testamentária, na qual pretendia ser sepultado perto da Capela de Nossa Senhora do Monte, na Penha Verde.
No entanto, durante a sua conturbada vida, e enquanto permanecia no País, D. João de Castro passava grandes temporadas na bela Quinta da Penha Verde, onde, num acto de profundo desprezo pelos bens temporais, mandou arrancar todas as árvores de fruto, deixando, pois, a vegetação selvagem crescer livremente. Aí organizou um importante centro de cultura e de arte, onde estanciaram, para além do Infante D. Luís, os maiores vultos renascentistas em Portugal.
D. Álvaro de Castro, filho de D. João de Castro, foi "capitão-mor de mar" na Índia, vedor da Fazenda e ilustre diplomata, tendo realizado missões em Roma (1562-1564) e em Madrid (1570). Em Sintra, conservou a propriedade inculta, cumprindo assim - entre outros - os votos de seu pai.
Posteriormente, o neto do Vice-Rei, D. Francisco de Castro (1574-1653), bispo inquisidor e doutor em Teologia, fez erguer na Penha Verde as capelinhas de Santa Catarina e de São João Baptista. Data do século XVII a abertura da capela de São Brás, integrada na casa senhorial, bem como a construção de algumas fontes e pavilhões.
António Saldanha de Albuquerque Castro Ribaflra veio a herdar por via materna, a Quinta da Penha Verde. António Castro Ribafria foi governador de Angola e, como recompensa dos serviços prestados à Pátria, D. João V fez-lhe mercê. Falecido em 12 de Agosto de 1723,o seu coração foi inumado defronte da capela de Nossa Senhora do Monte.
Em
1869, a Quinta da Penha Verde foi hipotecada por António Maria de Saldanha Albuquerque Castro Ribafria Pereira, terceiro conde de Penamacor. E, em 1873, a propriedade foi adjudicada a Francis Cook, primeiro Visconde de Monserrate. Já neste século, concretamente em 1913, Álvaro de Saldanha e Castro, herdeiro da Quinta mediante partilha, vendeu-a ao segundo Visconde de Monserrate.

PAÇO DOS RIBAFRIAS

 

 Localização

Rua Consigliéri Pedroso, Sintra ("Vila Velha"), freguesia de São Martinho

Memória descritiva

O Paço dos Ribafrias, erguido em plena Vila de Sintra na primeira metade do século XVI, é composto por três corpos dispostos em U.
Na austera fachada deste paço notam-se alterações ocasionadas por diversas campanhas de restauro. Assim, evidenciam-se, para além das janelas manuelinas, outras de cunho já pombalino. O acesso ao pátio interior processa-se através de um portão circundado por uma singela cantaria chanfrada.
Deveras significativo é o átrio abobadado, cujas ogivas assentam num complexo jogo de arcos e nervuras, nascidos dos diversos ângulos: este átrio encontra-se igualmente ornamentado cam tímpanos de temática medieval, enquanto os fechos de abóbada se apresentam já concebidos segundo as renovadas concepções artísticas da época. Destaca-se ainda a existência de dois arcos de volta perfeita, suportados por colunas e capitéis italianizantes, e ornamentados com volutas e carrancas: no capitel central destaca-se a seguinte inscrição:
«Esta obra fez Pero Paixão no anno de myl e quinhêtos XXXIIII annos».
Um outro átrio, também abobadado por ogivas nervuradas, dá acesso à escada que conduz à grande loggia. Nesta loggia, de estilo marcadamente renascentista, destaca-se uma fonte com baldaquino, parcialmente revestida por bonitos a azulejos mudéjares. Relevante é também a pequena colunata
em L. Uma luxuriante vegetação completa este agradável cenário renascentista.
No mesmo friso existe uma outra loggia de menores dimensões, mas igualmente graciosa. Aí a gramática decorativa renascentista caracteriza-se, no entanto, pela sua sobriedade.
Na sala de jantar, bastante adulterada, subsiste um pequeno espaço delimitado por três arcadas de volta perfeita, no mais puro estilo da Renascença, encimadas por dois medalhões em alto-relevo esculpidos na tradição de Chanterene.
- A Capela - desde há muito fechada e esvaziada de todo o seu recheio - encontra-se estruturalmente integrada numa das alas do edifício; a sua traça arquitectónica revela um vincado sabor manuelino.

Memória histórica

Gaspar Gonçalves, de origens humildes mas detentor de fortuna apreciável, beneficiou da confiança da Casa Real, o que lhe permitiu fazer uma exemplar carreira. Assim, em 1518, El Rei D. Manuel designou-o porteiro-mor da câmara real, posto que o obrigou a estabelecer-se com carácter quase permanente em Sintra. Assim, no ano de 1534, Gaspar Gonçalves ergueu, perto do Paço Real, a sua casa e capela.
Mais tarde, concretamente em 1541, já sob D. João III, foi-lhe outorgado o título nobiliárquico de Senhor de Ribafria; e, em 1569, recebeu o cargo de alcaide-mor de Sintra, lugar que durante várias gerações foi exercido por membros da sua família.
André Gonçalves, filho de Gaspar Gonçalves, veio a casar com D. Luísa de Albuquerque, facto que contribuiu sobremaneira para a consolidação da nóvel linhagem dos Ribafrias. Foi também na casa da Vila que nasceu André de Albuquerque Ribafria (bisneto do primeiro Ribafria), militar distinto, morto em 1659 no cerco de Elvas, aquando da Guerra da Restauração.
Porém, em 1727, Pedro de Saldanha Castro Ribafria vendeu o seu paço a Paulo de Carvalho de Ataíde, arcipreste da Santa Igreja Patriarcal, que o legou ao sobrinho, Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marques de Pombal, ministro plenipotenciário de D. José I e grande obreiro da reconstrução de Lisboa - após o terramoto de 1 de Novembro de 1755. Desde então, o Paço dos Ribafrias - também conhecido por “Casa Pombal” - tem permanecido na posse da família Melo.

In "Sintra Património da Humanidade"

“CHALET” BIESTER

 

Localização

Estrada da Pena, freguesia de São Martinho

Memória descritiva

Ernesto Biester encomendou um projecto para a sua casa de Sintra ao consagrado arquitecto José Luís Monteiro, tendo confiado a decoração a Luigi Manini e ao escultor Leandro Braga.

Nos telhados negros e íngremes - muito frequentes aos finais do século XIX - sobressaem singelas mansardas. Um friso metálico remata-os de forma elegante. Por outro lado, nas fachadas coexistem harmoniosamente elementos de diversos estilos arquitectónicos e decorativos. No alçado principal, à direita, ergue-se uma torre circular, rasgada por longas janelas neo-góticas e coroada por um telhado cónico. O acesso principal ao edifício é marcado pela existência de um alpendre. No interior da galilé, abrem-se dois arcos divididos por uma graciosa coluna. O alpendre é encimado por uma varanda, na qual surgem dois arcos idênticos.

Nos interiores, Manini revestiu amplos espaços com frescos, cuja temática acaba por ser uma amálgama de gótico flamejante e das novas tendências que despertavam na época. Assim, deparamos com pinturas de temática medieval, mas de realização Arte Nova.

Em todas as divisões, sobre um fundo uniforme (beije no átrio, cinzento nos salões, verde e azul na capela), encontram-se reproduzidos - com o auxílio de um escantilhão -  múltiplos e variados motivos: flores, ramagens. diversos desenhos geometrizantes, figuras várias.

Neste contexto, ao cimo de uma bonita escadaria neo-gótica, um "hall" é bem o exemplo da amálgama estética que já se salientou: nas paredes laterais, duas figuras, uma jovem vestida de mousselina branca e um bravo cavaleiro, aparecem frente a frente, de forma teatral; na parede frontal, vê-se o cúmplice cúpido. Estas figuras estão enquadradas por uma profusa ramagem, contendo certos elementos neo-clássicos.

Memória descritiva

O gosto pelos chalets- arquitectura característica das regiões altas da Europa Central e do Norte — nasceu em Portugal, no último quartel do século XIX, como paradigma anacrónico de vilegiatura, designadamente em Sintra, Cascais e no Estoril.

Neste contexto, em cerca de 1890, Ernesto Biester, rico comerciante de origem alemã e desde há muito radicado em Portugal, elegeu para edificar a sua mansão uma propriedade sita em Sintra (Estrada da Pena). A execução do chalet – que tomou o nome do proprietário – revelou-se eclética. Para o efeito, Biester rodeou-se dos mais expressivos artistas da época, o arquitecto José Luís Monteiro (autor do singularchalet Palmela, em cascais) e o decorador Luigi Manini (encenador do Teatro de São Carlos), que souberam das ao conjunto uma harmonia e qualidade desusadas, quer ao nível da própria arquitectura e decoração, quer no que se refere ao pleno enquadramento paisagístico, porquanto se encontra completamente envolto num manto de luxuriante e bela vegetação.

In "Sintra Património da Humanidade"

QUINTA DO RELÓGIO

 

 Localização

Largo da Quinta do Relógio, freguesia de São Martinho.

Memória descritiva

António Manuel da Fonseca Júnior foi convidado por Manuel Pinto da Fonseca para traçar o projecto da casa da Quinta do Relógio, entretanto por este último adquirida. A casa foi erigida, em meados de oitocentos, e ostenta um vincado sabor arabizante, presente em todo este singular conjunto arquitectónico.
O palacete então edificado é constituído por um pavilhão central de topo ameado, ao qual se anexam dois corpos mais baixos. A exótica fachada exterior foi pintada com fachas transversais que, na zona central, apenas ocupam a metade inferior da parede; o restante espaço surge-nos aqui ornamentado com pinturas florais e geométricas de nítida feição árabe.
No alçado principal da casa destacam-se sete curiosas janelas, sobrepujadas por arcos
em ferradura. Ao centro, subsiste uma galeria enquadrada por três grandes arcos em ferradura, os quais são sustidos por delicadas e lisas colunas, encimadas por capitéis decorados com motivos florais.
As riscas horizontais prolongam-se ao longo de toda a galilé, onde se abrem três elegantes portas em ferradura, superiormente contornadas por frescos, similares aos outros já referidos. Aí, entre as portas e as rosáceas que respectivamente as encimam, destaca-se, pintada na parede — a branco sobre fundo azul, e por três vezes repetida —, uma legenda árabe, divisa dos reis mouros de Granada: «Deus é o único vencedor».
O parque desta Quinta não é grande. Porém distribuem-se, ao longo dos seus jardins, variadas e raras plantas, tais como magnólias, camélias, aurocárias, buxos, fetos arbóreos e fúcsias; as águas dos lagos encontraram-se praticamente cobertas por enormes nenúfares.

Memória histórica

Esta quinta foi, por legado de um padre jerónimo, propriedade do 15° Conde do Redondo, D. José de Sousa Coutinho (1789-1 863). Mais tarde, o milionário Metznar adquiriu-a e aí construiu a primitiva casa da Quinta do Relógio — designação tomada de uma torre com sinos que dava horas ao som de diversos minuetes, mas que entretanto se demoliu. Também o banqueiro Thomas Horn foi, depois, seu proprietário.
Sob o reinado de D. Pedro V (1853 – 1861), a Quinta passou a novas mãos, desta feita às de Manuel Pinto da Fonseca, rico aventureiro conhecido como "Monte Cristo" (cognome extraído do célebre romance de Dumas, publicado em 1846) e antigo traficante de escravos.
Manuel da Fonseca, na esteira do espírito romântico — que em Sintra revelaria a sua feição arquitectónica através da construção dos singulares e exóticos palácios da Pena e de Monserrate —, mandou erguer na Quinta do Relógio uma nova casa (a que ainda hoje subsiste), em exuberante estilo arabizante.
Nos jardins da Quinta do Relógio encontra-se abundante vegetação exótica, plantada desde logo pelos seus primeiros proprietários. Porém, o que deveras fascinou o poeta inglês Robert Southey (1774- 1843) foi a imponência de um magnífico e muito antigo sobreiro — porventura vetusto vestígio da flora indígena —, sobre o qual escreveu: «Há (...) aqui uma árvore tão grande e tão velha que um pintor deveria vir de Inglaterra só para a ver. Os troncos e os ramos são cobertos de fetos, formando com a folhagem escura da árvore o mais pitoresco contraste».
Na mansão erigida por Manuel da Fonseca passaram a “lua-de-mel”, rm 1886, D. Carlos de Bragança e D. Maria Amélia de Orleans, futuros reis de Portugal. Segundo a tradição, D. Amélia, igualmente fascinada com a velha árvore, terá afirmado: «Vale mais a sobreira dos fetos do que Cascais e Estoris, tudo junto».

QUINTA DOS PISÕES

 

Localização

Largo dos Pisões, Sintra (Vila Velha”), freguesia de São Martinho.

Memória descritiva

A Quinta dos Pisões apresenta urna fachada bastante irregular, podendo-se ali observar grossas cantarias de pedra, rematadas no topo por um delicado rebordo saliente. Ainda que a casa se encontre actualmente adulterada em relação às suas origens, subsistem múltiplos conjuntos e vestígios da antiga construção.
Assim destaca-se, pelo seu fino lavor, o magnífico portal renascentista da entrada, datado de 1533, cuja decoração obedece a um complicado esquema vegetalista. Esse pórtico que dá acesso a um pátio interior onde, à esquerda, se eleva uma singular escada de pedra que conduz à antiga ala do edifício subsistente. Encontram-se, também, algumas paredes parcialmente forradas com azulejos mudéjares, característicos do período manuelino.

Memória histórica

A casa da Quinta dos Pisões encontra-se presentemente algo adulterada. Porém, ainda subsistem múltiplos elementos arquitectónicos e decorativos da primitiva construção, a qual remonta ao século XVI.
Em 1665, os documentos referem José Leite de Aguiar e D. Sebastiana de Meneses como seus proprietários. Mais tarde, parece que a Quinta pertenceu à Casa Ducal de Aveiro. Segundo a tradição aí se reuniram por diversas vezes os conjurados que, no dia 3 de Setembro de 1758, atentaram contra a vida de D. José I. Como consequência da malograda tentativa de regicídio, os bens de todos os implicados, inclusive dos Duques de Aveiro, foram confiscados e, entre eles, a Quinta dos Pisões. Em 1810, esta propriedade foi adquirida por Máximo José dos Reis, último capitão-mor da Vila, que veio a falecer em 1849.

 

QUINTA DO SALDANHA

 

 Localização

Rua Marechal Saldanha, Sintra ("Vila Velha"), freguesia de Santa Maria e São Miguel,

Memória descritiva

A estrutura do edifício da Quinta do Saldanha desenvolve-se em L. A fachada austera integra-se, de certa forma, no contexto da arquitectura áulica tradicional da região, sobretudo no que respeita ao enfiamento das janelas e à disposição dos telhados. Porém, aqui manifestam-se já alguns sinais do neo-gótico, tão caro aos românticos.
Precede a branca fachada, onde se espalham pontiagudas janelas góticas, um pórtico moldado ao jeito medieval, encimado por urna varanda de parapeito condizente. O interior do edifício reflecte a dualidade entre a medievalidade e o "moderno". Assim, ali destaca-se o cuidado arranjo dos espaços, sobretudo a nível dos frescos que cobrem as paredes das principais salas, cuja temática é de nítida inspiração medieval, ou ainda clássica, mas onde se evidenciam características ambientais românticas. Nesse contexto refira-se, pois, a pintura que ornamenta um quarto do primeiro andar «o olhar alcança ao longe a Serra de Sintra, a Pena, o Castelo dos Mouros, e o Palácio da Vila».
A capela integra-se no corpo nascente do edifício e detém idêntica sobriedade, salientando-se apenas a existência, na fachada principal. de um magnífico pórtico manuelino original, o qual provém do Convento da Penha Longa.

Memória histórica

A partir de 1820, João Carlos Gregório Domingues Francisco de Saldanha (1790-1876), neto materno do Marquês de Pombal, passou a estanciar em Sintra, quer porque a Corte
— que frequentava assiduamente — aí permanecia então largas temporadas, quer porque se sentiu atraído pela beleza da região. Assim, em 1830, mandou construir, a caminho do Arrabalde, numa quinta implantada sobre altaneiro socalco da Serra e à sombra do Castelo, envolta em densa e rica vegetação, uma casa de campo e capela, na qual passou parte da sua atribulada vida.
Saldanha revelou-se um grande político, diplomata e escritor, mas notabilizou-se sobretudo como cabo-de-guerra;

 

CONVENTO DE SANTA ANA DO CARMO

 

Localização

Eugaria, freguesia de Colares

Memória descritiva

A poucos quilómetros de Sintra, na encosta do ameno vale de Colares «que vay acabar junto do Oceano, (...) um dos valles de mais renda, que do seu tamanho ha em toda a Espanha, por ser todo povoado de viçosas arvores de excellentes frutas de toda a casta, tam bastas entre si, que servem de recreação à vista com a variedade das folhas, de que estão revestidas, & diversidade de cores, sendo todas verdes» (Costa, 1712, I II: 46), na localidade de Eugaria. situa-se o Convento dos Carmelitas Calçados de Santa Ana (hoje propriedade particular), interessante exemplar de arquitectura maneirista da primeira metade do século XVII e de decoração já de carácter barroco.

Entra-se para o convento por um átrio localizado a Norte, na correnteza da igreja, para a Casa da Portaria, uma ampla sala rectangular abobadada, que dá acesso ao claustro maneirista, «hum claustro perfeitamente quadrado, com boas columnas de pedra» (Stª Ana, II, 1751: 123), de ordem toscana. Os alçados do claustro são constituídos por três arcos de volta perfeita que assentam sobre quatro colunas, duas das quais, as dos extremos, aparecem adossadas aos pilares de esquina. Numa zona da serra em que o sol permanece por mais tempo e com maior intensidade, livre dos nevoeiros que inesperadamente assolam a parte da Vila de Sintra, este claustro, de uma tipologia que apesar de tudo não deixa de evocar o renascimento, possui um ordenamento e uma espacialidade arquitectónica embuída da ideia mediterrânica de horto (H. Correia, 1991), realçada pela afirmação de um beiral avançado; de resto, refere Frei José de Santa Ana em 1751, que as colunas do claustro cercavam «algumas arvores de espinho», estas marcando, inequivocamente, a dimensão sagrada e penitencial deste horto.

Deste primeiro claustro se alcança a Capela da Sacravia, maneirista, de vincado gosto italianizante, de abóbada de berço com caixotões rematada, na parede testeira, por um altar decorado com volutas que lembram as das igrejas jesuíticas. As suas paredes são totalmente forradas com azulejos de dois tipos: de "caixilho singelo" (branco e azul) e de "jóias" (amarelo e azul sobre fundo branco), esta última tipologia em muito semelhante à que se encontra na Igreja de São Roque de Lisboa (Barreiro, 1915: 163). Nesta capela esteve sepultado um célebre carmelita. Frei Estêvão da Purificação e, na parede do Evangelho, lê-se, numa lápide, o nome dos instituidores da capela:

HESTA CAPELLA HE DE ANTONIO TRANCO
S0 CORREA E DE SVA MOLHER MARIA
IACOME A QVAL ELLES FIZERAÕ
A SVA CVSTA E A DOTARAÕ DE RENDA
E FABRICA CÕ OBRIGACAÕ DESTE CÕ
VENTO LHE DIZER TODAS AS SOMANAS
DO ANNO HVA MISSA DAS CHAGAS E HUA
CANTADA PELOS SANTOS PERA SEMPRE
ERA DE 1612

Fronteira à Capela da Sacravia, localiza-se a sacristia, sala ampla e bem iluminada, de abóbada de berço, onde existem ainda o móvel onde outrora os frades guardaram os paramentos — de que fazem parte quatro tábuas pintadas com a representação de Santa Ana, São Joaquim, São Francisco e Santo António, tendo ao centro, num nicho semi-circular, uma escultura de São Pedro — e um conjunto de pintura sobre madeira, do século XVII, com cenas da vida de santos, sobre um cadeiral. Nas paredes dos topos, duas telas figuram Nossa Senhora com o Menino Jesus e dois frades (parede testeira) e um Presépio. Esteve ricamente paramentada esta sacristia segundo o que escreveu Frei José de Santa Ana a meio do século XVIII: «todas as suas paredes se achaõ cobertas de paineis, e singulares laminas, que lhe servem de permanente adorno. Os caixoens são bem obrados, e tudo o que nelles se guarda para ornato da Igreja, e ministerio dos Altares, he perfeito» (St.a Ana. 1751, II: 124).

No mesmo corredor a partir do qual se entra na Capela da Sacravia ou na sacristia, está uma porta para ligação interna à igreja conventual. Continuemos, porém, a percorrer as várias dependências monacais antes de aí nos determos.

O segundo claustro, «que em comparação do primeiro he mayor, mais alegre, e mais regular (...), com columnas de pedra bem lavradas entre distintos arcos, sobre cada hum dos quaes ha uma janella rasgada» (St. Ana, 1751, II: 124). é um típico claustro maneirista de dois pisos — de alçados tripartidos por dois contrafortes entre os quais se inscrevem dois arcos redondos sustentados por uma coluna de vulto pleno e duas embutidas (piso térreo), e janelas de varanda que se abrem entre os contrafortes e que formam a galeria superior que dá para as celas. Uma fonte redonda ao centro e o jardim de «muitas flores sobre curiosos alegretes» (Sta Ana, 1751, II: 124) que em tempos existiu, voltam a confirmar a feição mediterrânica destes claustros que quase se comportam como "pátios".

Numa das galerias do claustro maior situa-se a Capela de São Pedro, com um magnífico altar de talha dourada e forrada, até aproximadamente a meia altura das paredes, por painéis de azulejos de pintura azul figurando a aparição de Nossa Senhora a um monge carmelita vendo-se, ao fundo, uma igreja em construção que poderá representar, porque se não parece, uma alegoria à edificação do cenóbio do Carmo de Colares. Estes azulejos foram datados dos primeiros anos do século XVIII e com uma possível atribuição a António Pereira ou António de Oliveira Bernardes (Santos Simões, 1979: 320).

É na galeria superior que se situa a cela de Frei Estêvão da Purificação, transformada em capela dedicada a Nossa Senhora e que foi ricamente decorada por volta de 1700, no tempo do provincial Frei João Baptista Rufino. Foi então «cousa tão rara, que os mais peritos Artifices se admiraõ de ver a singularidade do debuxo, e a subtileza do pincel» (Stª Ana, 1751, II: 125). No mesmo lanço desta, na última cela, situava-se a Livraria do Convento. No "Dormitório alto", as celas foram ocupadas hierarquicamente: no lanço poente as da comunidade religiosa sendo a primeira a do prior do convento; no lanço meridional está a casa chamada do fogo; e no lanço setentrional as dos noviços.

É de referir ainda, entre as dependências conventuais, o refeitório — com painéis de azulejos do século XVIII —, que dá para o jardim; e a Sala do Capítulo, que serviu também de cemitério para os frades conventuais e onde está sepultado Frei Estêvão da Purificação.

Este jardim tem a particularidade de ser o local onde existe a cruz que serviu de inspiração a Alexandre Herculano para o seu célebre e último poema A Cruz Mutilada, datado pelo escritor de 8 de Outubro de 1849. Na peanha desta cruz, um marco territorial, podem ler-se as quatro seguintes inscrições:

O BISPO
D ~ F
CHRISTOVÃ . MONIS
RELIGIOZO . DO
CARMO . SAGROV
ESTA IGREIA. THE
ESTE . LVGAR.
NO ANNO . DE 1528
DAQVI . FRONTEIRO
DA PARTE. DIREITA
THE. O CAMINHO
DA VILLA. Pª GIGA
ROS . HE. D . S . ANNA
CVIO . CAMINHO
SERVIA. NO
ANNO . DE 1556
DAQVI , Pª BAIXO
PARTE. S. ANNA. CÕ
MELIDES . E. AQVI . FOI
O ADRO. DO PR°
ORATORIO . DESTE
CÕVENTO. CVIA. FVN
DASAM TEVE . PRINCI
PIO. NO ANNO. DE 1457

O PE. MESTRE. F. HIE
RONIMO . COELHO
MANDOV . RENOVAR
ESTA. MEMORIA
Pª LEMBRANÇA
DO QVE. ESTAVA
IA. ESQVESIDO
NO ANNO . DE . 1696.

A igreja conventual, com acesso interior pelo corredor da Sacravia que desemboca no claustro grande e exterior pela fachada principal, é um templo de nave única, com uma profunda capela-mor e duas capelas laterais que formam um falso transepto. Trata-se, na prática, de uma igreja em cruz latina, com abóbada de berço, que concretiza uma tipologia característica da arquitectura da ordem carmelita, diferente, todavia, dos templos dos carmelitas descalços (H. Correia, 1986, 6: 126) e na circunstância de um cenóbio rural. Mas a própria fachada, embora tardia e exibindo já os valores decorativos barrocos, mantém, na empena triangular e nas três janelas em que a central é mais elevada, esta influência. O programa estilístico, todavia, é percorrido por valores maneiristas - repare-se, por exemplo, nas pilastras toscanas das capelas laterais e na cimalha que percorre toda a nave.

Na capela-mor, o retábulo barroco de trono sob um arco perfeito, tem ao centro as esculturas de Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ladeados de Santa Ana e São Joaquim e, num plano mais elevado, entre colunas de capitéis coríntios, as estátuas de Santo Elias e de Santo Elíseo, sendo o conjunto iconográfico rematado por duas representações escultóricas de Santa Teresa de Jesus segurando o cálice do sangue de Cristo e Santa Margarida de Pazzi. Este retábulo é proveniente da capela de Santa Ana do Convento do Carmo de Lisboa (St.ª Ana, 1751, II: 117).
Por escritura de contrato de 23 de Agosto de 1612, D. Dinis de Melo e Castro assegurou para si e para os seus herdeiros o padroado desta capela. Aqui está este prelado sepultado, em campa rasa, com a inscrição:

Sª DE DOM DENIS DE MELO DE=
CASTRO FILHO DE FRco DE=
MELO DE CASTRO . E. DE DONA
BRITIS NOBRE BISPO Q
FOI DE LEIRIA E DE VIZEU E=
DA OVARDA DO CONSELHO
SVA MGde E REGEDOR DESTE
REINO DE PORT VGAL FALc° A=
25 DE DEZEMBRO DE 1640

Em sepulturas rasas estão ainda sepultados nesta capela outros membros da família Melo e Castro:

H.S.E
F . EMMANVEL DE
MELO DE CASTRO, ET
D. BEATRICIS NOBILIS,
DILECTVS FILIVS RE
LIGIONE, VIRTVTE,
AC IN SVOS SINGVL=
ARI PIETATE
HANC SEPVLTV=
RAM SIBI SOLI A(ED)IFI
CAV IT. D . 1 . 6 . 3 . 8.

Nas paredes da capela, inscritos entre arcos de alguma profundidade, estão os mausoléus de Brás Correia (do lado do Evangelho) e de D. Pedro de Castro (do lado da Epístola), com as respectivas inscrições tumulares:

ESTA CAPELA HE DE BRAS CORREA NOBRE
E NELLA SE DIS POR SVA ALMA HVA MISSA
COTEDIANA CÕ SEV RESP° HE PERA NO
ENTERRAR A MANDOV FABRICAR
E ORNAR E DOTOV DE. 50. MIL. RS DE RE
DA DINIS DE MELLO DE CASTRO SEV HERDEI
RO A Q PERTÊCE HO PADROADO E A SEVS HER
Dºs HE TODO HO MAIS DRtº Q SE CÕTE NO CON
TRtº Q FES CÕ OS RELIGos DESTA CASA Q ESTA
NO SEV CARTRO) E NA TORRE DO TOMBO.

D . O . M.
PETRO DE CASTRO DNO DE FERRª, SANGVINHEDO
PARADA IESTOSO CARTEL PAM DE FREITAS, CEIXIL. PRAEFECTO ARÇIS DE MELGAÇO, ET CASTRO LEBOREIRO,. Ã PROAVIS HABITIS CONIVGI D BE
ATRICI DE MELLO FILIO FRANCISCO DE ME
LLO EIVQ VXORI D BEATRICI NOBILI NE
POTIBVS EMANVELI, ET IOANNI DE MELLO
DIONISIVS DE MELLO DE CASTRO AVO INTEGERRIMO
PATRI OPTIMO FRATRIBVS . DESIDERATISSIMIS M . F.

As capelas que formam o falso transepto são da invocação de Cristo, no lado do Evangelho (esta capela foi até 1 706 de Santa Ana, data em que a escultura com a sua representação foi trasladada para o trono do altar-mor) — de que são senhores do padroado, por escritura de 30 de Janeiro de 1614, António Rodrigues da Rocha e sua mulher Leonor Coelho (sepultados na nave) —, e de Santa Luzia e cujo padroado é de Brites Vaz como pode ler-se na inscrição que lá foi aposta:

CAPELLA DE BRITIS VÁS COM MISSA
DE OBRIGAÇAÕ CONFORME AO CON
TRATO A QVAL PAGOV DOTOV E FABRI
COV DA SVA TERÇA A MAIS FAZEDA E ERDOV
ESTE MOSTro POR PARTE DE SEV Fº O PR FR COSME
DOS Stos FALECEO A 7 DE MAIO DE 1614

Esta igreja possui ainda, na parede do Evangelho da nave, um exuberante púlpito barroco de bem já adiantado século XVIII e, pelas paredes, longos painéis de azulejos azuis e brancos, da segunda metade do século XVII, com a representação de torcidos, golfinhos e plantas.

Antes do resguardo do século XVIII, sob o coro, o chão da nave da igreja está pejado de campas rasas com inscrições, onde acham sepultados benfeitores do convento, um cavaleiro fidalgo da casa do rei D. Manuel, capitães da vila de Colares. juízes e um dos mestres de obras do templo.

Memória Histórica

O Convento de Santa Ana do Carmo de Colares é o segundo convento da ordem carmelita em Sintra, depois da tentativa falhada de construção de um primeiro cenóbio no termo da vila.

O primeiro convento foi fundado por Mestre Henriques, físico do rei D. Duarte. Mestre Henriques, não tendo herdeiros e sendo um devoto da ordem carmelita, pediu ao rei licença para instituir um convento num casal que possuía no termo de Sintra, o Casal da Torre, antes chamado de Miguel Joannes. Antes da licença régia, concedida por carta passada em Lisboa a 14 de Novembro de 1436, o físico havia já fundado uma pequena capela a que chamava Oratório. Necessitando das rendas do casal para manter o seu estatuto social de físico do rei e não podendo, pelas funções, ausentar-se da corte de maneira a acompanhar as obras do futuro cenóbio, Mestre Henriques explicitou no seu testamento que a nova casa religiosa só começaria a ser construída após a sua morte. Com estas disposições concordou o então provincial da ordem, Frei João Manuel, bispo de Ceuta, que aceitou também ser o seu testamenteiro.

Morto Mestre Henriques em 1449, Gonçalo Pires Boto, procurador do provincial, veio ao casal para tomar a sua propriedade. Tal apenas se verificou quando os carmelitas foram detentores da autorização da rainha D. Isabel, mulher de D. Afonso V (1438-1481), uma vez que Sintra e o seu termo pertenciam à Casa das Rainhas de Portugal. Em
1450, a herdade, os seus bens e as suas rendas entraram na posse do Convento do Carmo de Lisboa, tendo Frei Constantino Pereira, sobrinho do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, sido escolhido para fundar o novel convento.

O lugar do Casal da Torre em breve todavia se mostrou inóspito, «assim pela esterilidade da terra, só própria de pão, e de gados, como pela falta de visinhos, que se podessem aproveitar das doutrinas dos Religiosos (...) [e] por ser totalmente desabrigado [pois] nelle reinaõ com irreparavel furia os ventos, que saõ nocivos á saude» (St." Ana, 1751, II: 96). A construção do convento, ao tempo resumida à igreja — que ainda hoje existe—, foi interrompida e, por doação de um terreno num lugar chamado Boca da Mata, pertença de Sebastião Vaz e de sua mulher Inês Esteves, em 1457, os religiosos carmelitas calçados transferiam-se para o sítio onde hoje está o cenobio, «ficando pois o Convento no mais proporcionado lugar, que para elle se descobrio (...), [a Serra que] apparece por alli ornada de muitas arvores silvestres com gratas verduras, por causa da abundancia das aguas, que se despenham, regando muitas produçoens» (St.a Anna. 175 1. II: 114).

A partir de 1457, o fundador Frei Constantino Pereira (m. l 464),. Frei João de Santa Ana e os outros religiosos desbastaram mato, plantaram árvores de fruto e construiram a cerca e um pequeno oratório da invocação de Santa Ana.
Impossibilitados de construírem um convento adequado e para o qual já havia sido delineado um plano entre 1457 e 1463 - segundo informa Frei José Pereira de Santa Ana (1751, II: 03) -, tornava-se vital uma fonte de rendas para o eleito pelo que, em 1487, Frei João Dias, provincial da Ordem, doa ao convento de Colares o Casal da Torre que era pertença do convento de Lisboa. Novos meios ficaram à disposição do novo convento a partir de l508, quando um dos frades carmelitas de Colares, Frei João de Santa Ana, é eleito provincial da ordem e as esmolas recolhidas cm Cascais e em Sintra que davam entrada no convento de Lisboa são transferidos para o de Colares.

Depois da resolução de problemas legais de atribuição do senhorio das terras após a morte de Frei Constantino, a infanta D. Brites, mãe do rei D. Manuel e Senhora da vila de Colares, concedeu aos carmelitas, em 1498, as terras que lhe haviam sido solicitadas por Frei João Namorado, assim como em
1497 a mesma infanta havia dado ao convento a mercê de não pagarem as «novidades» da primeira sesmaria. O rei D. Manuel, em 1519, concede-lhes a mercê de possuírem bens doados até ao valor de trinta mil réis, apesar de viverem em terras pertencentes ao reguengo da Coroa.
À manutenção dos cultivos era essencial a água: D. João III, em 1556, dá-lhes autorização para utilizarem a água que abastecia a vila de Colares às segundas e terças feiras e Filipe III de Espanha (II de Portugal) concede-lhes em 1605 o usufruto de uma nascente serrana que passava junto à cerca e de que se aproveitavam também os frades do convento capucho.

O abandono do convento do Casal da Torre não se solucionou, todavia, do ponto de vista eclesiástico e os problemas que colocou prolongaram-se até 1542, data em que um breve do papa Paulo III — no qual se refere que «o tal edifício [o do casal da Torre] teve principio, nunca nella se bolio mais; antes dentro das paredes, que haviaõ de servir para a Igreja, està um curral de gado, sem que jamais nesse lagar se chegassem a celebrar os Oficios Divinos» — transfere as obrigaçoes, nomeadamente a da missa por alma de Mestre Henriques do primeiro para o segundo convento.

A construção do convento tal como está hoje, apesar da sagração da igreja em 1528 pelo bispo D. Frei Cristóvão Moniz, carmelita, decorreu sobretudo durante o século XVII e sob o patrocínio mecenático de D. Dinis de Melo e Castro, doutor
em Direito Canónico pela Universidade de Coimbra. Desembargador da Relação do Porto, da Casa da Suplicação e do Paço, Bispo de Leiria, de Viseu e da Guarda e Regedor das Justiças.

Na capela-mor da igreja do convento, construída a suas expensas, estão sepultados outros membros desta família insigne: D. Pedro de Castro, seu avô, alcaide-mor de Melgaço; D. António de Melo e Castro, seu irmão, Vice-rei (1662-66) e Governador (1668-71) da Índia: e D. Caetano de Melo e Castro, seu sobrinho-bisneto, Governador de Pernambuco, no Brasil (1693-1702) e Vice-rei da Índia (1702-7).

CONVENTO DA TRINDADE

 

Localização

Rua da Trindade, Arrabalde (Sintra), freguesia de Santa Maria e São Miguel.

Memória descritiva

O Convento da Santíssima Trindade, fundado em finais de trezentos, sofreu posteriormente várias campanhas de beneficiação, não subsistindo quaisquer vestígios da sua construção original.
O pequeno claustro ajardinado, datado de 1570, apresenta-se como resultado de uma renascença já abastardada. A arcaria do claustro é composta por quatro arcos dóricos, repartidos em dois tramos por alçado. Sobre um dos lados do claustro encontra-se uma galeria aberta, com colunas do mesmo estilo. Porém, no refeitório e na dependência que eventualmente terá sido a sacristia, podem observar-se ainda alguns antigos azulejos de inícios de quinhentos. Após o terramoto de
1755, a igreja foi parcialmente reconstruída e a sua proeminente fachada setecentista domina hoje o conjunto.
A cerca do Convento escala e aninha-se no flanco da montanha; todavia apesar de se encontrar hoje um pouco adulterada, não perdeu completamente o ar de recolhimento e de meditação. Assim, encontram-se ainda dispersas ao longo da cerca inúmeros nichos, cruzeiros, antigas fontes, inscrições e esculturas, que embelezam todo o terreno circundante.

Memória histórica

Procurando levar uma vida espiritual, na maior pureza e recolhimento, no ano de 1374 alguns anacoretas oriundos do Convento da Trindade de Lisboa instalaram-se num frondoso e pictórico vale da Serra de Sintra. Entre outros, destacamos Frei Álvaro de Castro, filho do 1° Conde de Arraiolos, e Condestável do Reino; Frei João de Évora, confessor do Rei D. João I e futuro Bispo de Viseu; e Frei João de Lisboa, director espiritual da Rainha D. Leonor.
O primeiro domicílio destes anacoretas foi a Ermida de Santo Amaro, sita dentro da actual cerca do Convento e, ainda, algumas grutas que se espalhavam pela Serra.
Em 1400, D. João I mandou erigir o primitivo convento, sob a protecção de seu confessor, na altura Frei Sebastião de Menezes. Dado este ter sido edificado na antiga Ermida de Santo Amaro, a construção padeceu de inúmeros defeitos na sua arquitectura e, em poucos anos, começou a ameaçar ruína, o que levou os religiosos a abandoná-lo progressivamente. Por volta de 1500, D. Manuel reconstruiu-o.
Durante a Contra-Reforma, Frei Baptista de Jesus edificou-o novamente, mas já no local onde hoje o podemos ver. Em 1755 ruiu parcialmente, datando grande parte da actual construção da segunda metade de setecentos.

CONVENTO DE SANTA CRUZ DOS CAPUCHOS

 

 Localização

Serra de Sintra, freguesia de Colares.

Memória descritiva

Ao Convento de Santa Cruz dos Capuchos, vulgarmente apenas conhecido como Convento dos Capuchos - construído, como escreve em 1728 um dos cronistas da Ordem, Frei António da Piedade, «entre matos densos, penedos altos, e silvestres árvores, que neste seu maior retiro produz a Serra mais copiosa» (II: 244) -, se ascende por uma entrada constituída por dois grandes blocos de pedra que o acaso da natureza quase dispôs em arco e que a mística franciscana destes frades aproveitou, como se de um ex-libris introdutório da sua vivência se tratasse.
Uma grande cruz de pedra, logo após esta entrada, nomina a invocação do cenóbio. E sob a sombra espessa das árvores centenárias que se transpõem uns degraus reduzidos e toscos que por ambos os lados contornam esta cruz e dão acesso ao terreiro. Aqui, a cada lado de uma nascente natural que os frades aproveitaram, foram colocadas duas mesas rodeadas de bancos de pedra que a tradição panegirística, embora infundada, refere como local de descanso do rei D. Sebastião nas ocasiões em que por Sintra andava e ao convento se deslocava. A nascente se apôs uma pia de pedra enquadrada por painéis de azulejos, decorados com motivos geométricos, que devem datar, pela policromia azul e amarela, já do século XVII. Este terreiro é o último espaço de luz plena e natural antes da penumbra e da escuridão que dominam todo o interior desta casa religiosa.
Ante o conjunto do convento que deste terreiro já se percebe, referiu-se-lhe Raul Brandão, quando lá esteve, como «uma coisa ao mesmo tempo cheia de humildade e de grandeza (...) [que] fica ao cabo do mundo, suspenso entre a abóbada do céu e a planície ilimitada. Descobre-se ali tudo quanto há de grande  - o céu, a terra, o mar, sem deixar de ser recolhido e íntimo (...). Silêncio, árvores desgrenhadas ao fundo um telheiro que é o adrozinho do convento» (1924: 531).
A portaria do convento, um simples telheiro com tecto e traves de madeira forrada de cortiça, do imediato elucidam acerca da pobreza e do rigorismo ascético que orientaram esta construção rústica e primitiva. Deste adro onde já a sombra vai tomando o seu lugar se tem acesso, à direita para uma capela e, à esquerda, para a igreja conventual e para um corredor tortuoso e escuro que conduz ao pátio interno.
A capela do lado direito, da significativa invocação do Senhor dos Passos — o Calvário que se avista — totalmente revestida, no seu interior, por azulejos do século XVIII — datados de cerca de 1740 (Santos Simões, l979: 320) — é ladeada por dois minúsculos confessionários que não ressaltam da parede para o adro mas antes fazem parte integrante da capela e são, na sua totalidade, também azulejados. Os azulejos da capela, pintados a azul, representam, nas paredes laterais as cenas da Flajelação de Cristo e da sua Coroação de Espinhos e, na abóbada, os símbolos da Paixão e estrelas. No interior ainda, encimando a porta, a pintura de Cristo Crucificado completa um programa iconográfico que se acorda com os ideais mortificadores e espirituais desta ordem de regra franciscana.
Na parede testeira da portaria, de novo a presença dominante do principal símbolo da Paixão - uma cruz de madeira, contornada na sua zona superior por conchas embrechadas em argamassa, que é o suporte de uma pintura do século XVII representando um frade capucho crucificado. Umas escadas reduzidas, talhadas na rocha, com um resguardo embrechado de conchas que se poderá datar do século XVIII, dão acesso a duas reduzidas dependências (confessionários) cujas portas, revestidas de cortiça, se situam, simbolicamente, sob os braços da cruz. Ao centro do muro semi-circular de sustenção das escadas foi aberto um nicho de arco perfeito onde esteve, pelo menos até cerca de princípios dos anos vinte do nosso século, uma estátua jacente de Santa Maria Madalena. Raul Brandão, no Guia de Portugal (1924: 532), ainda refere esta «Senhora [que] dorme encantada entre conchas e azulejos».
Incrustada nas paredes da portaria existe, ainda, iconografia relativa a Nossa Senhora e à Ordem dos Capuchos. Assim, na parede direita, um nicho renascentista quadrado de pouca profundidade e perspectivado com a representação, em alto-relevo, de Nossa Senhora com o Menino Jesus e o que poderá considerar-se como a efígie do fundador do convento, D. Álvaro de Castro, sobre cuja cabeça assenta a mão direita do Menino e, no tímpano do frontão triangular, um Cristo Pantocrator segurando o globo do mundo na mão. Na parede esquerda, um alto relevo também renascentista, em que figura uma Nossa Senhora sentada com o Menino ao colo e seis anjos segurando o reposteiro de um dossel. Sobre a porta da igreja conventual, uma cruz de conchas remata a lápide com a inscrição:

LOVVADO
SElA
O SANTISSIMO
SACRAMENTO

E, sobre a porta do corredor que dá para o pátio, outra cruz executada no mesmo material erguida por cima de uma caveira e dois ossos cruzados — conjunto icónico que remete para as formas de culto características da segunda metade do século XVI e para o pietismo capucho.
Na portaria está sepultada D. Maria de Noronha (m. 1684), viúva de D. Álvaro de Castro, terceiro padroeiro do convento.
A igreja do convento, à direita, é de uma espacialidade impressionante: de uma só nave de dimensões reduzidas, coberta por uma abóbada de canhão revestida de estuque e pelo bojo pesado de uma enorme rocha, tem como única decoração consentida um pequeno retábulo de mármore — no qual se enquadraram, em tempos, as estátuas de S. Francisco e de Santo António com o Menino Jesus - e o respectivo altar cujo frontal é formado por um painel de embutidos. O conjunto, que Frei António da Piedade descreveu em 1728 como um «retavulo (...) de pedra polida, feita ao moderno», poderá datar-se dos últimos decénios do século XVII ou do princípio do século XVIII. Este retábulo assume-se, de facto, como o único elemento de alguma "modernidade" num universo todo preenchido por um conceito de ancestralidade e de primitivismo cristãos. Embutida na parede, do lado do Evangelho, uma lápide do século XVIII, sobrepujada pelo brasão dos Castros inscrito numa cartela barroca, atesta a fundação do convento por O. Alvaro de Castro. filho de D. João de Castro, Vice-Rei da Índia:

D . ALVARO DE CASTRO DO CONS.° DE ESTADO, E VEDOR DA FAZ.ª DEL REY D SE BASTIAÕ FVNDOV ESTE CONVENTO POR MANDADO DO VISOREY . D . IOAO DE CASTRO SEV PAY ANNO 1S60: O PADROADO DOS SVCESSORES DE SVA CASA.
O ALTAR DESTA IGRE.ª HE PRlVILEGIADO TODOS OS DIAS A QVAL QVER SACERDO TE QVE NELLE CELEBRAR TODAS AS PESSOAS QVE CONTRITAS E CONFESSADAS 0V CÕ PROPOSITO DE SE CONFESSAR, VISITAREM ESTA IGR.ª NA FESTA DA INVEAÕ. DA. S . CRUZ DESDAS PRIMEIRAS VESPORAS ATE O SOL POSTO DO DIA E ROGAREM A DEOS POLA PAZ ENTRE OS PRINCIPES CHRISTAÕS, EXTIRPAÇAÕ DAS HERESIAS EXALTAÇAÕ DA. 5. MADRE IGR.ª E POLA ALMA DE. D. IOAÕ DE CASTRO GANHAÕ INDVLG.ª PLEN.ª E REMISSAÕ DE SEVS PECCADOS ESTAS INDVLG.ªS . CÕCEDEO O PAPA PIO 4º ANNO DE 1S64 A INSTÃCIA DO MESMO. D. ALV° DE CASTRO, SENDO EMBAIX.ºR E ROMA

A partir do lado do Evangelho da capela-mor, degraus esculpidos na pedra da serra conduzem a uma exígua ante-câmara, toda forrada de cortiça, e iluminada por duas janelas situadas nos dois panos de parede que confluem para a rocha.
Após esta sala, é numa luminosidade rarefeita que se desenvolve toda uma arquitectura de negação do terreal; o resto do convento cujas dependências se dispõem ao sabor das irregularidades da natureza, num plano ligeiramente superior ao qual se tem acesso por uma série de grupos de pequenos degraus.
É neste segundo nível, dispostas ao longo de um estreito, irregular e escuro corredor onde irrompe parte de um grande penedo, que se situam as celas «tão estreitas, que ordinariamente os seus habitadores dormem encolhidos, e alguns mandaraõ abrir na rocha, que lhes serve de parede, buracos para acommodares os pés>» (Piedade, 1728. II: 245) -, a livraria (a dependência com maior iluminação natural), o quarto dos doentes (sem luz directa), o refeitório (cuja mesa, levantada a um palmo do chão, é formada por uma enorme laje de pedra mandada arrancar da serra pelo Cardeal-Rei D. Henrique), a cozinha, o quarto do prior e a Sala do Capítulo (com um banco corrido forrado de cortiça e, numa das paredes, um nicho onde esteve uma imagem de Nossa Senhora). A dependência das latrinas tem um acesso pelo exterior, paralelamente ao núcleo do dormitório. Pelo interior do convento ou por um corredor que se inicia na portaria, se chega ao pátio interior, adornado ao centro por uma fonte de pia hexagonal, destinado ao recreio dos frades.
Neste corredor existem duas esculturas de frades capuchos enterrados na rocha até à cintura.
Com a frontaria ornamentada por dois frescos (de cada lado da porta) representando São Francisco e Santo António datados do século XVII e atribuídos ao pintor André Reinoso (Serrão, 1989: 58), está a Capela do Senhor Morto, mandada construir pelo Cardeal-Rei D. Henrique, que aí ficava quando se deslocava ao convento, servindo-lhe de cela a pequena sacristia. Sobre ambos os santos, numa tira, está pintado o tradicional dístico capucho LOVVADO SElA O SANTISSIMO SACRAMENTO.
Pelo terreno da cerca do convento localizam-se ainda a gruta do célebre Frei Honório de Santa Maria - que os panegiristas aí referem ter vivido durante trinta anos na mais absoluta penitência — identificada com a inscrição:

HIC. HONORIVS.
VITAM. FINIVIT.
ET. IDEO . CVM DEO
VIVAM . REVIVIT
OBIIT ANNO
DE 1S96

e uma capela com cerca de dois metros de altura, de abóbada de berço pintada, paredes azulejadas e que conserva no seu interior uma imagem de Cristo com vestígios de tinta vermelha. Vários nichos dispersos pontuam, ainda, toda a mata incluída nesta cerca.

Memória histórica

O Convento de Santa Cruz dos Capuchos foi mandado construir por D. Álvaro de Castro (1525-?), Conselheiro de Estado de D. Sebastião e Vedor da Fazenda, no ano de 1560, em resultado do cumprimento de um voto de seu pai, D. João de Castro (1500-1548), o quarto vice-rei da Índia (1545-48) que encontramos ligado, também, à Quinta da Penha Verde, local para onde se retirava sempre que estava em Portugal. Morrendo em Goa, vítima de uma doença que subitamente o acometeu, impossibilitado de concretizar o voto que fizera, delegou-o em seu filho.
Na formulação da sua arquitectura e no rigorismo da sua regra franciscana, o convento capucho de Sintra é um dos múltiplos exemplos da religiosidade pietista do século XVI em Portugal e a sua fundação entronca no ambiente de reformismo religioso que se iniciara, embora sem resultados práticos assinaláveis, ainda durante o reinado de D. Manuel I. Da reforma congreganista manuelina fazia parte, também, a fundação de doze mosteiros jerónimos, iniciativa autorizada em 1501 pelo Papa Alexandre VI, mas falhada, tendo-se fundado apenas os da Pena, na Serra de Sintra (1508), e das Berlengas (1513) (Silva Dias, 1960: 98-99).
O estabelecimento da Ordem dos Capuchos em Portugal foi trabalhoso. A Ordem fora fundada em Espanha, em Vila Nueva del Fresno, por Fr. João de Guadalupe, com a instituição da Custódia do Santo Evangelho, em finais do século XV, como reacção aos Observantes. A luta entre as províncias e as custódias, saldou-se por um triunfo daquelas e é assim que, em 1500, Fr. João de Guadalupe se encontra
em Portugal. A partir desta data os capuchos contaram com o apoio do Duque de Bragança, D. Jaime, que lhes fundou o primeiro convento no nosso país, o da Piedade, perto de Vila Viçosa. Porém, seja porque continuaram a ver-se perseguidos pelos observantes espanhóis, seja pela vasta conjuntura da política ibérica de D. Manuel, acabaram por ser expulsos em 1503. A simpatia que granjearam junto da Casa de Bragança, em Portugal, e do Cardeal Alpedrinha, em Roma, possibilitou-lhes o regresso em 1505.
Em 1508, o priorado da Piedade possuia o estatuto de custódia autocéfala e, em 1539, foi criado sob a iniciativa do Duque de Aveiro, D. João de Lencastre (que obteve em Roma as autorizações necessárias para fundar o convento da Serra da Arrábida) —o priorado da Arrábida. A partir de 1568, dada a multiplicação do número de conventos, foi criado o priorado de Santo António, composto por conventos de recolhimento, de que fazia parte o então recente convento de Santa Cruz da Serra de Sintra.
A expansão da Ordem dos Capuchos em Portugal só se verificou, pois, já no contexto cultural do humanismo pietista do reinado de D. João III (1521-1556), muito diferente do humanismo positivo que dominara o tempo de D. Manuel I, e o seu enraizamento enquanto congregação foi mais tarde completado, com a protecção das Casas de Bragança e de Aveiro e do Cardeal-Infante D. Henrique.
O Convento de Santa Cruz de Sintra é um desses conventos eremíticos de freires arrábidos que concretizam, por via de uma arquitectura despojada até ao essencial e ao limite da sobrevivência e de uma vivência baseada na pobreza e na mortificação, a recuperação mística de características ainda tardo-medievais da regra franciscana no seu maior rigorismo espiritual. Correspondendo a uma reforma exemplar do congreganismo português e constituindo-se em exemplo de vida para outras ordens, este pietismo —ao qual não é estranho o conhecimento do pietismo capucho italiano (Silva Dias, 1960: 150)—, considerado expoente de virtudes cristãs, foi acalentado por nobres e reis. O convento serrano de Sintra, no qual «se gastaram em toda a fabrica (...) sómente cem cruzados (...) sem beneficio nenhum da arte» (Piedade, 1728,II: 244), ficou famoso pelo extremo da sua pobreza, seja a da construção — «neste ainda hoje resplandece a pobreza com que se fundou, assim no tosco das paredes, como na vileza da materia de que he forrado, que he de cortiça mal polida», seja a da regra de vida — «os guardanapos são de estopa muito grosseira, as pucaras por onde bebem, alcatruzes de tosco barro; e de carne se guarda perpetua abstinencia; e
em muitas Quaresmas e Adventos se não comia cousa guizada ao fogo» (Piedade, 1728, II: 245).
A celebridade da piedade capucha era motivo de atracção para os fiéis em festas de grande significado católico, como era a da Invenção da Cruz, em relação à qual D. Álvaro de Castro conseguiu do Papa Paulo IV, quando esteve em Roma por embaixador (1562-64), a indulgência plenária para quem, nesse dia, rezasse pela paz entre os reis cristãos, pelo fim das heresias e pela exaltação da igreja. Esta prorrogativa papal encontra-se explicitada na lápide aposta à parede da igreja conventual, como acima ficou transcrito.
O limiar de pobreza e abnegação vivido pelos frades capuchos do convento de Sintra motivou de Filipe II, por ocasião da visita que aí fez no Outono de 1581, o significativo comentário deque, por comparação com o mosteiro jerónimo da Pena, aquele humilde cenóbio seria concerteza o da Glória - «allá es
la Pena, aquí es la Gloria».
De favorecimentos régios contou o convento com alguns: D. Catarina, mulher de D. João III, com frequência lhe fazia chegar alimentos, de que os frades guardavam o que consideravam estritamente necessário; D. João IV, ainda duque de Bragança (esteve mais tarde no convento, já rei, em Outubro de 1654, por ocasião de uma visita a Sintra cuja entrada foi comemorada com assinalável pompa), ordenou que do Almoxarifado de Cascais fosse concedido aos frades capuchinhos da Serra seis dúzias de pescadas, de cações secos, e todo o peixe julgado necessário para o dia da festa de São Francisco; D. Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV, fez-lhes mercê de um moio de trigo e de uma arroba de cera lavrada todos os anos; D. Pedro II redobrou a dádiva de D. Luísa de Gusmão e D. João V concedeu-lhes uma pipa de azeite por ano.
Para a mentalidade romântica, que subentendia, no sonho ou no desespero, a vivência ou a participação simbólica do meio natural, este antro de abnegação em plena natureza constituía um espectáculo tétrico, perverso mesmo, no qual a arquitectura, pelo quotidiano que fazia antever, representava a face mais arrepiante. Não admira, pois, que a maior parte dos viajantes do final do século XVIII e do princípio do século XIX considerem o convento capucho, como CarI Israel Ruders, em 1798, «feio e insignificante», ou Burnswick, em 1882, «situado no centro duma triste solidão, rodeado pela aridez, e açoutado pelos vendavaes (...), este pequeno mosteiro aberto na rocha e contendo umas doze cellas nas quaes [mal] se podiam mover os seus desgraçados habitantes».
O que o século XVI fixara - uma arquitectura pobre, uma vida de contemplação (a oração mental é uma das vertentes do pietismo capucho e que chega a infiltrar-se na prática de outras congregações, como foi o caso dos Jesuítas) e sofrimento — é para o século XIX um "belo-horrível" demasiado verdadeiro para poder ser romântico. G. Le Roy Liberge perguntava-se, cerca de 1910, como tinha sido possível seres humanos terem vivido naquelas condições e, antes dele, Ruders, depois de visitar o convento, desabafou com alívio: «é com prazer que tomamos, de novo, o belo caminho que conduz a Sintra».
Habitado ainda com toda a certeza nos finais do século XVIII, o Convento de Santa Cruz dos Capuchos deve ter sido abandonado apenas em 1834, com a extinção das ordens religiosas que o regime liberal determinou.

SÍTIO CALCOLÍTICO DA PENHA VERDE

 

Memória histórica

As primeiras recolhas de materiais efectuados no local remontam ao ano de 1949. Mais tarde, em 1957-58 escava-se e publicam-se os dados relativos ao Povoado da Penha Verde. Identificaram-se as seguintes ocupações: (1) - caracterizada por uma indústria microlaminar epipaleolítica. (2) - Calcolítico Médio; e (3) - Calcolítico Final, onde se acolheram as novidades da Idade do Bronze. Para este último contexto foi obtida uma datação de C
14, a qual aponta para 1450 a.C..

Esta última fase é sem dúvida, a melhor representada. Além disso, as evidentes semelhanças que revela nomeadamente com contextos do Estuário do Sado - com paralelos próximos no Castro da Rotura - ilustra bem a existência de contactos entre aquela área e o povoado em análise.

Memória descritiva

O povoado situa-se num cabeço conhecido pelo topónimo Penha Verde (cota altimétrica:
360 m) entre um caos de blocos graníticos. Contrastando com o ambiente geológico em que se implanta o povoado, todas as estruturas até agora postas a descoberto encontram-se construídas com lajes de calcário: duas casas de planta circular com corredor, um silo parcialmente escavado na rocha, uma calçada formada por lajes que dá acesso à casa n° 2 e circunda o silo, além de fundos de cabana na base do morro, e troços de muralha que preenchem os intervalos entre os penedos graníticos do cume.

Do espólio exumado, salientam-se as cerâmicas lisas e decoradas (folha de acácia e campaniforme); utensílios de osso (espátulas, cabos de instrumento, alfinetes, falange de bovídeo afeiçoada); sílices (pontas de seta, elementos de foice, lascas, lâminas e núcleos); machados; enxós; mós; contas de pedra verde; ocre; um alfinete de ouro; uma lâmina de punhal de cobre, pontas de tipo Palmela, um punção e escórias.

In "Sintra Património da Humanidade"

MONUMENTO DA BELA VISTA

 

Localização

Quinta da Bela Vista, freguesia de Colares.

Memória descritiva

Implantada sobre um cume não muito elevado da vertente Norte da Serra de Sintra, com excelente domínio de paisagem sobre a plataforma calcária que se estende mesmo para além da foz da Ribeira de Colares, encontra-se a sepultura pré-histórica da Bela Vista.
O monumento foi construído sobre um caos de blocos de granito e integra, parcialmente, afloramentos rochosos na estrutura. Assim, a planta composta por câmara circular e corredor, comum aos tholoi calcolíticos, aproveitou as condições naturais existentes no terreno, tendo sido usados muros de lajes delgadas para revestir e preencher as aberturas naturais existentes entre os blocos. Toda a construção está coberta por uma enorme pedra que dificilmente teria sido transportada pelo homem, pelo que se supõe já permanecer nesta posição quando o pequeno abrigo natural foi transformado em espaço de enterramento. Existem vestígios no terreno da estrutura tumular primitiva, nomeadamente das aglomerações pétreas que faziam parte da mamoa.
Durante a escavação foi possível distinguir três camadas, correspondendo a mais profunda à mais antiga ocupação documentada, ou seja, à fase final do Calcolítico caracterizada pela presença de cerâmica campaniforme e que corresponde à construção deste espaço sepulcral colectivo.
Além da cerâmica lisa, foram recolhidos fragmentos de seis vasos campaniformes e cinco taças tipo Palmela com decoração incisa e pontilhada. De entre o restante espólio associado aos enterramentos salientam-se, exceptuando os recipientes cerâmicos, as lamelas, lâminas, raspadeiras e lascas de sílex, os artefactos sobre quartzo, o machado de pedra polida de secção circular, as contas de pedra verde e âmbar, o botão de osso, a ponta de cobre tipo Palmela e a espiral de ouro.
Indirectamente documentados pelas oferendas funerárias, dos enterramentos restam ainda alguns ossos e dentes humanos. Ao mesmo contexto pertencem os restos faunísticos, mamalógicos e malacológicos exumados.

Memória histórica

O monumento pré-histórico da Bela Vista foi identificado na década de 50 deste século. Em 1957 procedeu-se à primeira intervenção arqueológica no sítio através da abertura de uma vala de sondagem, que evidenciou tratar-se de uma sepultura pré-histórica ocupada durante a fase final do Calcolítico. Apenas dois anos mais tarde foi possível escavar o interior do espaço funerário, nomeadamente a câmara e o corredor. Entre 1957 e 1959, esta sepultura colectiva foi objecto de uma violação que afectou significativamente a conservação dos contextos.

DEPÓSITOS DÁ IDADE DO BRONZE DO MONTE DO SERENO

 

Localização

Monte do sereno (Serra de Sintra), freguesia de São Pedro de Penaferim

Memória descritiva

Os depósitos do Monte do Sereno situavam-se a Nor-Nordeste da Ermida de Santa Eufémia da Serra e a Sudoeste do Castelo dos Mouros.
Tratava-se, na realidade, de dois distintos conjuntos: um, constituído por cinco artefactos de pedra polida (quatro machados e uma enxó), sem vestígios de uso; outro, por dois artefactos de bronze (uma lâmina e um machado de talão e argola). Os depósitos foram descobertos a cerca de 12 m  um do outro.

Memória histórica

Encontrado ocasionalmente em 1926, quando se procedia à abertura de caboucos para a construção de um edifício, os depósitos do Monte do Sereno integram-se cronologicamente no Bronze final, tanto pela tipologia dos artefactos metálicos, como ainda pelas características dos instrumentos de pedra polida.
A presença do machado com talão e argola indica a existência, na região de Sintra, de relações e contactos com regiões setentrionais, nomeadamente com o chamado Bronze Atlântico. A grande dimensão e o bom estado de conservação dos materiais pétreos fazem pensar numa época avançada, em que estes artefactos possuíam já um cariz meramente votivo, Este tipo de jazida, por seu turno, encontra-se documentado noutras áreas do Ocidente Peninsular [Depósitos de Nossa Senhora da Guia (Viseu), do Alio da Serra (Arganil), do Porto cio Concelho (Mação), entre outros].

   In "Sintra Património da Humanidade"

SÍTIO ROMANO DA “VILA VELHA” DE SINTRA, VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA FERRARIA

 

Localização

Sintra ("Vila Velha"), freguesia de São Martinho.

SÍTIO ROMANO DA “VILA VELHA” DE SINTRA

Memória descritiva

Os vestígios romanos detectados no aglomerado urbano sintrense são, de certo modo, escassos se bem que inequívocos e facilmente datáveis.
Resumem-se, no seu conjunto, a pouco mais de uma dezena de peças, entre artefactos de bronze, de cobre e cerâmicas, destacando-se dentre eles o carneiro votivo descoberto no Arraçário; uma moeda de cobre datada do século IV d.C. proveniente dos Silos da Rua Gil Vicente; e os preciosos materiais exumados no prédio n° 14 da Rua das Padarias, os quais, pelo facto de terem sido encontrados ainda in loco, se revestem de uma importância crucial. Saliente-se, dentre estes, um fragmento de travessa de Terra Sigillata Clara D, tardia, atribuível aos séculos V-VI d. C., uma moeda muito desgastada de provável cronologia situada nos finais do século IV – inícios do V d. C., duas pontas de fuso em bronze e alguns fragmentos de boca de ânfora, para além de um troço de muro, de aparelho irregular e parcialmente destruído, mas muito semelhante a outras estruturas postas a descoberto em estações romanas da mesma época sitas noutras áreas da região de Sintra.

Memória histórica

No próprio aro urbano e mesmo sub-urbano da Vila Velha de Sintra, muito poucos são os achados atribuíveis à época romana. A maior parte das descobertas pré-medievais remontam sobretudo ao Neolítico e ao Calcolítico, tendo-se inclusivamente chegado a duvidar durante muito tempo da existência de uma efectiva presença romana.
Todavia, há já muitos anos, foi encontrado no Arraçário, por detrás do Paço Real, um carneiro votivo de bronze, de segura cronologia e fabrico proto-históricos - ou mesmo romanos -, não sendo este achado, no entanto, suficiente para afastar as referidas dúvidas. Mais tarde, entre os materiais recolhidos nos silos da Rua Gil Vicente, identificou-se um novo vestígio romano, desta feita uma moeda imperial datada do século IV d.C..
Mas foram apenas os materiais exumados na campanha de escavações efectuadas sob o prédio sito à Rua das Padarias, n° 14, em 1985, que confirmaram, pela sua conservação in loco, a inequívoca ocupação romana de Sintra.

VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA FERRARIA

Memória descritiva

A hipotética via e necrópole romanas supracitadas situam-se sob as actuais Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade, dentro da malha urbana da Vila de Sintra e do Arrabalde. A sua possível existência apenas pode deduzir-se através da referência a uma inscrição funerária provavelmente do século 11 d.C., patente no C.I.L. II 309 (DIS . MANIBVS/L . LOREI . L . F . GAL/MAXIMI . ANN . XVI) e descoberta no século XVI incluída numa porta lateral da Igreja Matriz de Santa Maria de Sintra; bem como através de um fragmento de capeamento romano com idêntica datação e recentemente detectado (1990), o qual se encontrava reaproveitado como material de construção numa parede de um edifício sito à Rua da Ferraria, n°28.

Memória histórica

Como é sabido, as necrópoles romanas estendiam-se ao longo das vias. Não interessaria muito a maior ou menor importância dessas estradas, mas sobretudo a sua proximidade relativamente a um habitat. A presença, durante o século XVI, de uma inscrição funerária romana reaproveitada entre os paramentos da Igreja de Santa Maria, não nos indica, por si só, qualquer necrópole romana ou via locais, porquanto poderíamos estar perante uma simples recolha efectuada algures por um clérigo erudito, facto que é extremamente comum naquela época e por todo o lado. Porém, a recente descoberta, sob o tecido urbano da Vila de Sintra, de alguns vestígios romanos, induzem a acreditar na necessidade local de uma necrópole coeva. Esta hipótese foi aparentemente confirmada pela detecção, igualmente recente, de um capeamento de monumento funerário romano, o qual estava implantado a meio do acesso natural entre o referido habitat e a medieval Igreja de Santa Maria, parecendo pois apontar o traçado da suposta via e a localização da suposta necrópole. Com base nestes dados, e ainda analisando os antigos traçados de ruas e caminhos da Vila de Sintra e do Arrabalde, julgamos legítimo propor que uma via ligasse o habitat romano em questão ao território rural localizado a Sudeste da Serra, percorrendo nomeadamente as actuais Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade.

Estado de Preservação/Conservação

SÍTIO ROMANO DA “VILA VELHA” DE SINTRA

Diagnóstico: Os dados referentes à ocupação romana da actual Vila de Sintra foram detectados em contextos de destruição e reaproveitamento de estruturas. A dispersão e natureza dos achados impedem a delimitação concreta do sítio arqueológico e a sua funcionalidade.
Agente responsável pela preservação ou conservação: Proprietários.
História da preservação ou conservação - meio de preservação ou de conservação - plano de gestão: Com excepção dos trabalhos arqueológicos de 1985 realizados na Rua das Padarias, todos os artefactos que testemunham a presença romana na Vila de Sintra foram encontrados fortuitamente ou descontextualizados. O espólio conserva-se no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.

VIA E PROVÁVEL NECRÓPOLE ROMANAS DA RUA DA FERRARIA

Diagnóstico: O traçado da via romana corresponderá, grosso modo, às actuais Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade. O estado do pavimento romano eventualmente existente é desconhecido.
Agente responsável pela preservação ou conservação: Proprietários.
História da preservação ou conservação -  meio de preservação ou conservação - plano de gestão: A via romana nunca foi objecto de qualquer intervenção arqueológica.
O capeamento romano inédito encontra-se conservado no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas. A inscrição funerária da Igreja Paroquial de Santa Maria desapareceu após o registo, no século XVI.

In "Sintra Património da Humanidade"

NECRÓPOLE MEDIEVAL DE NOSSA SENHORA DE MILIDES

 

Localização

Quinta de Milides, freguesia de Colares.

Memória descritiva

A cerca de 300 m a sudeste da Vila de Colares, num ameno e fértil vale, já próximo da Abreja, ergue-se, singela, a pequena ermida devotada a Nossa sem hora de Milides, perto de uma casa senhorial muito adulterada mas que conserva ainda alguns interessantes elementos renascentistas. Em redor da ermida subsiste uma necrópole medieval parcialmente aberta sobre um campo de silos alto-medievais. As sepulturas – orientadas este-oeste – apresentam-se, na totalidade, escavadas na rocha, esboçando algumas delas uma solução antropomórfica, e permaneciam cobertas por toscas lajes calcárias. Para estas sepulturas encontramos paralelos próximos, em termos regionais, na necrópole da Igreja Paroquial de Santa Maria. Devido ao facto de se observar a destruição de alguns túmulos por outros, aproveitamento das paredes comuns para mais do que um enterramento, sobreposição de inumações e colocação de ossários no interior das covas, é permissível concluir, a priori, ter havido ao longo dos cerca de 300 anos que terá funcionado, grande ocupação desse espaço sacralizado.

Memória histórica

As origens da ermida de Nossa Senhora de Milides – e sequentemente da necrópole que lhe está anexa – mergulham profundamente nas brumas da lenda. Segundo a narrativa, “vinte Portugueses meditavam uma empreza de guerra contra os Mouros (…); começavam contudo a vacilar à vista de um desproporcionado número de inimigos, e o seu ânimo varonil começava a afrouxar à vista do perigo inevitável. À moda dos tempos antigos alentavam-se com a oração neste retiro, eis senão quando ouvem uma voz que dizia – “Ide que mil ides”: despertados e electrizados por esta voz mágica, saem resolutos, e aos gritos repetidos de Milides dão sobre os Mouros, e apesar de tão desproporcionado número os desbaratam, e vêm dar graças de tão portentosa vitória à Senhora qu0ora em diante apelidam de Milides” (Juromenha, 1838: 157 – 158).
Na realidade, uma primeira campanha de escavações levada a cabo em 1992 pela equipa de arqueologia dos Serviços de Arqueologia, Arte e Etnografia no adro fronteiro à ermida – a qual, aliás, se encontra hoje muito descaracterizada por sucessivos trabalhos ditos de beneficiação -, pôs a descoberto uma necrópole da 1ª Dinastia, com enterramentos seguramente balizados entre os séculos XII e XIV. De facto, as evidências permitem-nos concluir estarmos perante a primeira necrópole cristã de Colares, povoação de origem muçulmana integrada, em 1147, no então emergente reino de Portugal.

In "Sintra Património da Humanidade"